Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC)
19 AGO 2015
Imagem ilustrativa do pulmão humano

DPOC é uma doença com repercussões sistêmicas, prevenível e tratável, caracterizada por limitação do fluxo aéreo pulmonar, parcialmente reversível e geralmente progressiva. Essa limitação é causada por uma associação entre doença de pequenos brônquios (bronquite crônica obstrutiva) e destruição de parênquima (enfisema).
A bronquite crônica é definida clinicamente pela presença de tosse e expectoração na maioria dos dias por no mínimo três meses/ano durante dois anos consecutivos.
O enfisema pulmonar é definido anatomicamente como aumento dos espaços aéreos distais ao bronquíolo terminal, com destruição das paredes alveolares.

FATORES DE RISCO

• Tabagismo (Responsável por 80 a 90% das causas determináveis da DPOC).
• Poluição domiciliar (fumaça de lenha, querosene).
• Exposição ocupacional a poeiras e produtos químicos ocupacionais.
• Infecções respiratórias recorrentes na infância.
• Suscetibilidade individual.
• Desnutrição na infância.
• Deficiências genéticas (responsáveis por menos de 1% dos casos).

DIAGNÓSTICO

O diagnóstico da DPOC é clínico e deveria ser considerado para todas as pessoas expostas ao tabagismo ou poluição ocupacional que apresentam dispneia, tosse crônica e expectoração. Os critérios clínicos são suficientes para estabelecer o diagnóstico da DPOC, porém, se possível, recomenda-se a confirmação espirométrica (avaliar o funcionamento dos pulmões).
Pacientes acima de 40 anos e que são tabagistas ou ex-tabagistas deveriam realizar espirometria (medição da capacidade inspiratória e expiratória do indivíduo), após o teste, utilizam-se as cinco perguntas abaixo. Caso três delas sejam positivas, considera-se rastreamento positivo.
• Você tem tosse pela manhã?
• Você tem catarro pela manhã?
• Você se cansa mais do que uma pessoa da sua idade?
• Você tem chiado no peito à noite ou ao praticar exercício?
• Você tem mais de 40 anos?

Exames

Alguns exames complementares ajudam no diagnóstico da DPOC.
Espirometria: para fins práticos, normalmente os pacientes apresentam relação VEF1/CVF (volume expiratório forçado no primeiro segundo/capacidade vital forçada), contribui para o diagnóstico diferencial de asma em favor da DPOC.
Raio X de tórax: Contribui pouco para o diagnóstico. Pode ser importante parao diagnóstico diferencial de outras pneumopatias como as infecciosas e bronquiectasia.
Bacteriosciopia e cultura de escarro: Indicada para casos em que haja falha no tratamento das exacerbações ou em pacientes hospitalizados. Pode ser útil para o diagnóstico diferencial de tuberculose ou outras infecções.

CLASSIFICAÇÃO DA GRAVIDADE

A gravidade de um paciente com DPOC depende do grau de obstrução ao fluxo de ar bem como da intensidade dos sintomas (falta de ar e diminuição de capacidade para a realização das atividades diárias).

ABORDAGEM TERAPÊUTICA

Objetivos do tratamento
• Aliviar os sintomas;
• Melhorar a qualidade de vida;
• Prevenir progressão da doença;
• Melhorar a tolerância a exercícios;
• Prevenir e tratar exacerbações;
• Reduzir a mortalidade;
Princípios do tratamento de manutenção: A fim de atender aos objetivos sugeridos, os seguintes passos devem ser seguidos:
• Reduzir fatores de risco;
• Monitorizar a doença;
• Manejar as exacerbações;
• Redução de fatores de risco;
• Cessar o tabagismo;
• A redução na exposição pessoal à fumaça do tabaco, poeiras ocupacionais,poluentes domiciliares e ambientais;
• Monitoramento da DPOC.
Como a DPOC é uma doença progressiva, o monitoramento clínico é necessário. Os pacientes no estádio III (grave) e IV (muito grave) deverão continuar o acompanhamento com as equipes da Atenção Primária conjuntamente com os profissionais de referência. Nesses serviços especializados o monitoramento é realizado por meio de outros exames complementares, como gasometria arterial, prova de função pulmonar com determinação dos volumes pulmonares, difusão pulmonar, exames de escarro, entre outros.

Manejo da DPOC estável

Princípios gerais:
• A educação em saúde tem importante papel na cessação do tabagismo;
• Bronco dilatadores (BD) são os principais medicamentos para o controle sintomático da DPOC I e podem ser prescritos para uso regular.
• O tratamento regular com corticoides inalatórios está indicado para pessoas com DPOC grave e muito grave.
• O uso regular e contínuo de corticoide sistêmico deve ser evitado devido a uma relação risco-benefício desfavorável.
• A vacina anti-influenza reduz a morbimortalidade em pessoas com DPOC.
• A antipneumocócica é recomendada somente para aquelas acima de 65 anos ou abaixo dessa idade se VEF1<40% do previsto.
• Os pacientes com DPOC se beneficiam de programas de atividade física, tanto para aumentar a tolerância ao exercício quanto para melhorar os sintomas de fadiga e dispneia.
• A oxigenoterapia por longo período, mais de 15 horas ao dia, tem mostrado aumento na sobrevida de pessoas com algum grau de insuficiência respiratória.

Tratamento não farmacológico

Educação em saúde: Recomenda-se estimular a autonomia dos pacientes, orientando sobre os fatores de risco, especialmente o tabagismo, além das características da doença, metas do tratamento, uso correto dos dispositivos inalatórios, reconhecimento e o tratamento de exacerbações e estratégias para minimizar as crises. Para aqueles pacientes em estádio IV (muito grave), os familiares e cuidadores devem ser orientados quanto à oxigenoterapia domiciliar.

Exercícios físicos

Pacientes com DPOC devem realizar exercícios físicos regulares concomitantes com o tratamento farmacológico.
• Membros inferiores: instruir o paciente para caminhar, pelo menos três vezes por semana, preferencialmente em superfície plana. Ele deve caminhar 40 minutos por dia começando mais lentamente, e deve progressivamente aumentar a sua velocidade, respeitando suas limitações. Para melhorar a força do quadríceps, deve ser orientado para subir dois lances de escada, por 10 minutos. Caso não tenha escada, orientá-lo a fazer exercício de se levantar da cadeira, repetidamente, por 10 minutos. O paciente pode alternar caminhadas com os exercícios para o quadríceps, durante a semana.
• Membros superiores: realizar exercícios para trabalhar os músculos da cintura escapular. Deve realizar o exercício com a primeira diagonal (braço direito) por dois minutos, com a frequência de 20 vezes por minuto; em seguida repete o exercício com o outro braço (esquerdo). Essa atividade deve ser realizada por 20 minutos, três vezes na semana (esses exercícios devem ser realizados com carga de um kilograma, que pode ser uma lata de óleo ou saquinho de areia).

Reabilitação pulmonar

Todos os pacientes com DPOC deveriam ser encorajados a manter atividade física regular e um estilo de vida saudável. Aqueles pacientes que têm dificuldade em manter uma atividade física por limitação na falta de ar, apesar da otimização do tratamento medicamentoso, deveria participar de um programa supervisionado de reabilitação. Reabilitação pulmonar de paciente com DPOC compreende a realização de exercícios, apoio psicossocial, abordagem nutricional, educação sobre a doença e oxigenoterapia quando necessário.
Abordagem nutricional: Habitualmente, 20 a 30% dos pacientes com DPOC têm peso abaixo do normal e 30 a 40% deles têm peso acima do normal. Ambas as situações são prejudiciais para o paciente. Portanto, são necessárias recomendações nutricionais a fim de aproximar do peso ideal.
Apoio psicossocial: Orienta-se também que o paciente seja acompanhado por um psicólogo.
Oxigenoterapia domiciliar: O acompanhamento de pacientes que fazem uso de oxigenoterapia domiciliar é uma prática cada vez mais comum nas equipes de Saúde da Família. Em alguns estados brasileiros já é uma realidade. Portanto, é necessário o conhecimento de alguns termos e indicações de oxigenoterapia domiciliar.
Oxigenoterapia domiciliar contínua prolongada: A terapia com oxigênio domiciliar é uma intervenção efetiva em reduzir a mortalidade dos pacientes com DPOC, além de aliviar os sintomas decorrentes da insuficiência cardíaca direita. Porém tem como inconveniente a dificuldade para o deslocamento dos pacientes e risco aumentado para acidentes se o paciente continuar fumando.

Tratamento farmacológico

Deve-se individualizar e ajustar o tratamento de acordo com a resposta de cada pessoa, associar medicamentos se houver piora dos sintomas, reavaliar o esquema terapêutico em caso de efeitos colaterais ou a piora da doença. Os medicamentos broncodilatadores são a principal classe para o tratamento da DPOC. Eles podem ser administrados tanto de forma regular como para alívio sintomático, se necessário. Os efeitos colaterais, bem como a toxicidade, são dose-dependentes e tendem a ser menores na forma inalatória.

Controle do tabagismo

A Organização Mundial de Saúde (OMS) identifica o tabagismo como principal causa evitável de doenças, invalidez e morte. Metade dos usuários de tabaco eventualmente morrerá em consequência das doenças causadas pelo fumo. Aproximadamente cinco milhões de mortes são atribuídas anualmente ao tabaco e metade dessas mortes ocorre em idade produtiva entre 45-54 anos. Até 2030, essas cifras podem duplicar, principalmente em países de baixa renda e menor escolaridade.
Atualmente, em todo o mundo, cerca de 1 bilhão de homens e 300 milhões de mulheres fumam regularmente. Ou seja, um terço da população adulta é fumante, em média 48% dos homens e 10% das mulheres, com uma preocupante tendência de aumento de consumo entre as mulheres.
No Brasil, o Instituto Nacional do Câncer (Inca) calcula que no País 200.000 mortes por ano poderiam ser evitadas se as pessoas não fumassem. Além disso, quem respira fumaça de tabaco também corre risco de adoecimento e morte principalmente por exposições prolongadas no local de trabalho, ambientes de lazer de uso coletivo ou mesmo em casa, onde as crianças são as principais vítimas do fumo involuntário.

Copyright ©2015 | Viver Bem - Home Care