Força de vontade e otimismo: veja como o pensamento positivo pode mudar a vida das pessoas
27 MAI 2016
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É possível uma menina que tem medo de injeção se esquecer deste pânico no momento em que a agulha toca seu braço? A resposta, segundo vários estudos que a Ciência fez sobre a força do pensamento, é positiva. Sim, ela pode passar por essa situação, literalmente de pico, sem que nem perceba o momento em que a agulha a toca. E ainda se distrair com um assunto de seu interesse, superando o terror por meio de uma imaginação prazerosa.

O psicólogo e psicanalista Renato Liberman vivencia várias situações deste tipo. Uma delas, ocorreu fora de sua clínica. Foi com sua filha. No instante em que ela ia receber a injeção, ele utilizou uma de suas técnicas. Começou a falar de um tema que a menina adorava e, absorta nos pensamentos que tranquilizavam, ela soube que a famigerada picada já havia sido dada só quando viu o médico à sua frente. Liberman diz que esse tipo de exercício, de mudar o foco, ajuda não só no tratamento de casos mais agudos, como transtornos e depressões, como no dia-a-dia.

— O pensamento positivo provoca a liberação de serotonina e dopamina [neurotransmissores ligados à sensação de prazer e bem-estar] e de alguma forma ajuda na resolução de situações difíceis, funcionando como uma droga que age diretamente no cérebro. Não é apenas um remédio, é algo melhor do que um remédio.

Liberman, membro de grupo de estudos da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), realiza terapias para que as pessoas aprendam a lidar com compulsões, angústias e preocupações rotineiras utilizando o pensamento. Isso, porém, necessita de uma técnica, conforme ele conta. E se encaixa também para pessoas com problemas financeiros, cujas preocupações e a impressão de que são insolúveis afetam até a saúde.

— É importante nesse caso saber mentalizar outras situações de dificuldades anteriores que foram superadas. E se conscientizar de que, se outras situações puderam ser vencidas quando pareciam insuperáveis, esta atual também pode. Tal pensamento é benéfico porque ajuda a pessoa a ver o problema com mais tranquilidade e trabalhar melhor para a sua resolução.

Ele ressalta, porém, que não basta apenas a pessoa, de improviso, se aventurar nessa prática sem a base necessária. Uma das técnicas que Liberman usa é a hipnose, direcionada a superar traumas e compulsões. Mas o psicólogo diz que em muitos casos a própria pessoa, durante o dia, pode se "auto-hipnotizar", conhecendo suas características e suas potencialidades.

— Há meios dela entrar em estado de relaxamento, concentrando-se em imagens que lhe são favoráveis e chegando às profundidades da consciência. Estudos feitos com caixas de ressonância ligadas ao cérebro de pessoas que estão com pensamentos negativos mostram que mesmo nessas situações há partes do cérebro que estão em sintonia com pensamentos positivos. O importante é realçar essas partes.

Culpa e compulsão

Para o endocrinologista Renato Zilli, do Hospital Sírio-Libanês, a força do pensamento é um instrumento importante para lidar com compulsões alimentares, a chamada fome emocional, que vem de repente e nunca gera satisfação, entre outras características. Em geral causada por alguma angústia não detectada pela própria pessoa.

— A culpa tem um efeito que se perpetua. Todo comportamento compulsivo é associado a uma culpa, que faz com que este seja repetido. Há estudos que mostram que o cérebro tem uma tendência masoquista e quem tem compulsão tem dificuldade de identificar sentimentos. Uma briga com a esposa, por exemplo, pode gerar vontade compulsiva de comer chocolate e a pessoa não associa isso à raiva que está sentindo.

Zilli considera que uma das maneiras de aumentar a força de vontade é dormir bem e dar preferência para carboidratos integrais. Outra forma de superar situações compulsivas é criar uma motivação positiva para "convencer "o cérebro de que há outra alternativa, a longo prazo, melhor do que o prazeroso chocolate.

— Há técnicas diversas, uma delas é fazer a pessoa compreender emocionalmente a importância de uma iniciativa a longo prazo. A outra é a chamada subtração mental. É quando você imagina os benefícios de ir à academia. Para contrapor, em seguida você visualiza uma situação em que fica 10 anos sem fazer exercícios e se vê com problemas de saúde. Quando se percebe o benefício da atividade hoje, estudos mostram que isso estimula o cérebro a ter percepção de que um pequeno gesto tem um impacto importante.

Para ilustrar, o endocrinologista revela um estudo feito com militares suecos, que fizeram testes de resiliência por 25 anos. Segundo Zilli, entre os que tinham maior dificuldade em resolver problemas, havia 50% a mais de diabéticos em relação ao universo de militares melhores preparados para lidar com as adversidades.

— O otimismo em termos médicos gera mais saúde porque a pessoa consegue antever os benefícios. São produzidos menos hormônios de estresse. A nossa maneira de lidar com a realidade vai impactar nas nossas escolhas em curto prazo e na saúde em longo prazo.

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