Afinal, o que são hospitais de transição?

20 AGO 2015
Enfermeiras levando maca

Resolver o problema crônico da falta de leitos nos hospitais brasileiros é uma pauta recorrente e de interesse comum para gestores de saúde, representantes da saúde suplementar, médicos intensivistas, geriatras e oncologistas. E este é um assunto que também interessa, e muito, à sociedade. Segundo dados da Associação Nacional dos Hospitais Privados (ANAHP), 25% dos leitos brasileiros são ocupados por pacientes de longa permanência. Destes, a maioria é composta por idosos, que já somam 12% da população e, devido ao aumento constante da expectativa de vida no país, em 2030, somarão 19%.

"Apesar do enorme expertise e aparato tecnológico dos hospitais de alta complexidade, entendemos que eles não possuem estrutura para montar linhas de cuidados para o paciente idoso desde o primeiro dia de hospitalização. Este paciente precisa de uma reabilitação precoce, de uma clara gestão de alta – que deve começar no momento da internação – e de uma equipe integrada e disponível", explicou Carlos Alberto Chiesa, diretor de operações do Placi — primeiro hospital de transição do Estado do Rio de Janeiro —, durante Encontro Científico promovido recentemente pelo Americas Medical City, na Barra da Tijuca, quando palestrou sobre alternativas da desospitalização.

Baseando-se em dados da ANAHP que mostram que apenas 38% dos hospitais brasileiros oferecem serviços para doentes crônicos e somente 14% utilizam métricas para identificar o prognóstico na gestão de pacientes crônicos, Chiesa explica que, em geral, a alternativa à desospitalização mais conhecida por médicos e pela sociedade é o home care. "Contudo, na ‘vida real’, esta acaba não sendo uma opção possível em todos os casos. As negativas às solicitações das famílias dos pacientes representam metade dos pedidos recebidos pelas operadoras de saúde. Na maior parte das vezes, as justificativas referem-se ao ambiente inadequado (59%), além da ausência de um cuidador (23%) ou até por motivos clínicos (18%)", detalha, ressaltando daí a importância dos novos modelos de atendimento, como os hospitais de transição.

O que atualmente se discute com preocupação no setor é a falta de saída para a crise gerada pelo envelhecimento da população no Brasil com o modelo assistencial atual. "Por isso, a necessidade de mudança, de oferecer algo inédito no Brasil, como os hospitais de transição", defende Chiesa. Segundo o médico, o Brasil precisa acompanhar tendências mundiais: no Canadá, por exemplo, 49% dos pacientes são indicados para hospitais de transição; na Austrália, o modelo de transição existe há dez anos; e em Portugal, o governo criou recentemente a Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados.

Afinal, o que são hospitais de transição?

Hospitais de transição promovem um cuidado interdisciplinar especializado para pacientes dependentes de cuidados médicos complexos. Além disso, oferecem apoio e suporte para pacientes fragilizados em um ambiente diferente do hospital tradicional, com o objetivo de completar o período de convalescença e recuperação, otimizar a capacidade funcional e preparar o paciente para os cuidados de longo prazo. As principais diferenças estão na equipe envolvida e no tempo dispensado por cada um dos profissionais.

O envelhecimento populacional gera um novo perfil epidemiológico, onde predominam doenças crônico-degenerativas em uma população fragilizada pela idade avançada e pelas sequelas dos tratamentos recebidos. Daí a necessidade de modelos assistenciais voltados para esse perfil, com oferta de cuidados prolongados, processos voltados para a necessidade do paciente e seu entorno, oferecido por profissionais de saúde de formação diversas, estendendo-se à assistência social.

"Apesar da concepção lógica deste modelo, ainda é preciso passar pela etapa de conscientização de todos os atores do cenário da saúde no entendimento e utilização desta etapa do cuidado", finaliza Chiesa, adicionando que fazem-se necessárias articulações entre hospitais, operadoras de saúde e prestadores de serviços, um trabalho educativo junto às famílias e pacientes e uma compreensão maior do médico, como formador de opinião, da lógica de rede articulada, referenciada e integrada na assistência à saúde.

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