Autotransplante de medula óssea ajuda no tratamento do câncer

19 ABR 2017
Autotransplante de medula óssea ajuda no tratamento do câncer

Você já deve ter ouvido falar em transplante de medula óssea. Mas você sabia que um paciente pode receber sua própria medula óssea como parte do tratamento? Um verdadeiro “autotransplante”. Trata-se do transplante autólogo de medula óssea, recurso atualmente mais utilizado do que o transplante alogênico (quando outra pessoa é a doadora).

A medula óssea é o popular tutano, tecido presente no interior de vários de nossos ossos. Ela é responsável pela produção dos componentes celulares do sangue: hemácias, leucócitos e plaquetas. As funções dessas células são bem variadas. As hemácias transportam oxigênio; os leucócitos fazem a defesa contra microrganismos invasores e as plaquetas colaboraram para impedir sangramentos em nosso corpo.

Sendo assim, para alguns casos de câncer que se desenvolvem a partir de células do sangue, o tratamento pode exigir a destruição da medula óssea para eliminação do clone doente. Nessa situação, a recuperação da medula pode se dar por células de um doador (transplante alogênico) ou do próprio paciente (transplante autólogo).

Hematogista no Hospital Sírio-Libanês, o dr. Celso Arrais Rodrigues explica que o transplante autólogo de medula óssea é um procedimento complementar à quimioterapia. “Usamos o autotransplante para casos específicos de câncer em que as chances de cura ou o controle com longos períodos de quimioterapia são grandes”, comenta. “Já o transplante alogênico destina-se a tumores com poucas chances de cura apenas com o uso da quimioterapia”, compara.


As principais indicações atuais do transplante autólogo são:

  • Linfomas de Hodgkin e não Hodgkin — nesses casos busca-se a completa eliminação da doença (cura) pelo tratamento.
  • Mieloma múltiplo — nesses casos o objeto é manter o paciente sem sinais e sintomas da doença por vários anos.

Como é feito o transplante autólogo de medula óssea?

O “autotransplante” ou transplante autólogo de medula óssea, assim como o transplante alogênico, se assemelha mais a uma transfusão de sangue do que a uma cirurgia propriamente dita.

Antes de iniciar a quimioterapia, o paciente recebe um medicamento para estimular sua medula e aumentar a quantidade de células-tronco circulando em seu sangue. O procedimento é repetido várias vezes, até que a quantidade de células seja suficiente para a recuperação do paciente. Esse processo recebe o nome de aférese.

As células colhidas são infundidas então no paciente no dia seguinte ao término da quimioterapia. Para melhor conservação das células durante o período que separa os dois procedimentos, o material colhido é congelado e mantido em um freezer ou em nitrogênio líquido até a data do transplante.

Segundo o dr. Celso Arrais, o autotransplante é um procedimento que ajuda a restabelecer a capacidade de produção de células e todo o sistema imunológico do paciente durante o tratamento contra o câncer. “As próprias células-tronco do paciente são devolvidas a ele após a quimioterapia, reconstituindo a medula óssea que foi atingida pelos quimioterápicos”, descreve o hematologista.

Autotransplantes apresentam efeitos colaterais?

O transplante autólogo de medula óssea por si só é um procedimento considerado seguro. Sua realização não costuma provocar eventos adversos, além daqueles usualmente relacionados à quimioterapia, como mucosite (inflamação da boca e da garganta com dificuldade para engolir), náuseas e vômitos, que podem ocorrer enquanto durar esse tratamento.

Há alguns anos, a idade máxima para o transplante autólogo era de 65 anos de idade, mas devido aos avanços na medicina hoje não existe mais um limite por faixa etária, informa o dr. Celso Arrais. “Pacientes em boa condição clínica e sem muitas doenças graves associadas podem ser considerados para esse procedimento”, comenta o médico. “Até mesmo pacientes com doença renal grave podem ser considerados, com algumas adaptações”, acrescenta.


Tecnologia de ponta em prol dos pacientes

No último mês de agosto, a Unidade de Transplante de Medula Óssea do Hospital Sírio-Libanês completou cinco anos de atividade. Durante esse período foram realizados mais de 280 procedimentos.

Um dos diferenciais de nossa unidade está na tecnologia de filtragem de ar e água. Como os pacientes têm sua imunidade diminuída após o transplante, precisamos de um ambiente altamente purificado, reduzindo os riscos de infecções. O ar e a água de toda a unidade passam por um processo minucioso de filtragem e um sistema de antecâmaras isola totalmente o ar do leito, que não se mistura à atmosfera dos corredores.

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