Brasil registra novos surtos de sarampo e governo faz alerta

Considerado fora de circulação desde 2000, país registrou 1.057 casos desde 2012; 89% deles ocorreu por ausência de vacinação

24 SET 2015
Mão segurando seringa

Altamente transmissível, o sarampo voltou a circular no país em surtos esporádicos desde 2012, período em que 200 casos foram registrados em Pernambuco, segundo dados do Ministério da Saúde. Desde então, mais 857 contaminações foram confirmadas no país.

O último caso divulgado da doença foi no dia 13 de junho de 2015 no Ceará, estado que contabilizou 164 registros este ano.

Dentre os doentes, cerca de 89% deles foram contaminados por ausência de vacinação.

O sarampo foi a principal causa de mortalidade infantil nos anos 1960. Objeto de intensa campanha vacinal nas últimas decadas, o Brasil chegou a considerar que o vírus causador da doença estava fora de circulação em 2000.

O motivo para a volta da circulação do vírus, segundo o governo, é a importação de novos casos de outras partes do mundo.

Outra explicação é a alta taxa de transmissão da doença. A introdução de uma única pessoa infectada pode gerar a contaminação de até 18 outros indivíduos.

O movimento antivacina, em que pais deixam de vacinar seus filhos por temerem efeitos colaterais das aplicações, também pode ser apontado como uma das causas da volta do sarampo (leia mais abaixo).

O registro de novos casos e o surto no Ceará fez com que a Secretaria do Estado de Saúde de São Paulo publicasse um alerta nesta segunda-feira (14) para impedir que a doença volte a circular no estado.

“A atual situação epidemiológica global, e principalmente, a nacional, é um desafio a ser ultrapassado, no sentido de atingir e manter a interrupção da circulação do vírus”, aponta a nota.

A detecção precoce, a notificação e tratamento rápido são os três pilares considerados urgentes para interromper a circulação do vírus. A estratégia do governo inclui a melhora da taxa de notificação, a confirmação laboratorial e aumento da cobertura vacinal.

Sintomas e vacina no Brasil

O sarampo é uma doença viral altamente transmissível. Após exposição a um único caso, praticamente todos os indivíduos suscetíveis podem adquirí-lo.

A doença tem início com febre acompanhada de tosse, coriza, conjuntivite e erupção cutânea no corpo e na cabeça.

O vírus pode ser transmitido cerca de cinco dias antes e cinco dias após a erupção cutânea.

No Brasil, a vacina tríplice viral é a medida de prevenção mais segura e eficaz contra o sarampo, protegendo também contra a rubéola e a caxumba (SRC).

O calendário de vacinação inclui uma dose da vacina SRC aos 12 meses de idade e uma dose da vacina tetra viral (SRCV – sarampo, rubéola, caxumba e varicela) aos 15 meses.

Circulação do sarampo no mundo

O sarampo continua presente em diferentes regiões do mundo e, segundo a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, por isso, se mantém o risco de importação do vírus para locais onde o controle do sarampo foi estabelecido, como o Brasil.

Entre junho de 2014 e junho de 2015, mais de 4.000 casos de sarampo foram registrados em 30 países da Europa; mais da metade destes (58,2%) ocorreu na Alemanha. Casos na Áustria, Belarus, Lituânia, Dinamarca, Noruega, Reino Unido, França, Suécia e Bélgica também foram registrados.

Hoje, em 2015, surtos da doença estão sendo registrados na República Democrática do Congo, Guiné, Sudão, Austrália, Mali, Algéria, Chile, Peru, Camarões, Taiwan e Malásia.

Movimento antivacina é uma das causas

A volta da circulação do vírus do sarampo, principalmente em países desenvolvidos, pode ser explicado por um movimento antivacina que cresceu nos últimos anos nessas regiões.

Os adeptos do movimento temem os efeitos colaterais provocados. O gatilho para o temor foi um artigo publicado em 1998 na prestigiada revista Lancet. No estudo, o gastroenterologista inglês Andrew Wakefield associou a vacina tríplice a um risco aumentado de autismo. O médico foi acusado de fraudador, perdeu o registro no Conselho Federal de Medicina da Inglaterra, mas o estrago estava feito.

Países como Alemanha, França e Estados Unidos já registraram altas taxas de sarampo, coqueluche e outras doenças já consideradas fora de circulação por campanhas históricas de vacinação.

O Brasil também tem adeptos do movimento antivacina que, por aqui, está associado a classes mais altas.

Em 2011, sete casos de sarampo foram registrados na Vila Madalena, região nobre da zona oeste de São Paulo. Um bebê não tinha sido vacinado por opção da família, o que levou à contaminação de outras crianças.

Segundo o Ministério da Saúde, a média de vacinação da população em geral é de 81,4%, enquanto na classe A essa taxa cai para 76,3%.

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