Entenda as novas recomendações para diagnóstico de câncer de próstata

Após polêmica, o consenso: nem todos os homens precisam fazer os exames para detecção precoce da doença

18 NOV 2016
Entenda as novas recomendações para diagnóstico de câncer de próstata

Agora é consenso: médicos, pesquisadores e a secretaria de Saúde do Rio Grande do Sul acordaram, na terça-feira, que exames de detecção precoce do câncer de próstata devem ser feitos apenas em alguns casos. A concordância chega um ano após polêmica que envolveu o secretário estadual de Saúde, João Gabbardo, criticado em novembro de 2015 por questionar a necessidade de todos realizarem os testes. Mas isso não quer dizer que os homens não tenham com o que se preocupar.

O Novembro Azul existe para conscientizá-los a cuidar mais da saúde — no Brasil, boa parte deles não dá muita bola para o assunto. Como uma das principais patologias especificamente masculinas é o câncer de próstata, a doença e seu diagnóstico costumam ser o centro das atenções durante este mês.

Não existe orientação única sobre a detecção precoce — não há como prevenir o câncer de próstata, por isso é importante identificá-lo cedo. Ainda defendido por alguns médicos, o chamado rastreamento, que engloba exames para diagnosticar a doença em indivíduos que não apresentam sintomas, é alvo de controvérsia. Isso porque, apesar de possibilitar a descoberta do tumor na fase inicial, quando as chances de cura são maiores, a quantidade de alarmes falsos que levam a procedimentos invasivos, como a biópsia, ainda é grande.

Exigência apenas quando há sintomas

A Secretaria Estadual de Saúde do Rio Grande do Sul, a Sociedade Brasileira de Urologia — RS, a Faculdade de Medicina da UFRGS e o TelessaúdeRS-UFRGS contraindicam o rastreamento. Na visão desses órgãos, homens a partir dos 50 anos devem procurar um médico para conversar sobre o assunto e avaliar a necessidade real de realizar os procedimentos. A orientação também é dada pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca).

- Quando olhamos as evidências científicas sobre o rastreamento, vemos que são controversas. Temos defendido que isso tem de ser uma decisão compartilhada entre o paciente e o médico — explica Natan Katz, gerente médico da Equipe de Teleconsultoria do TelessaúdeRS-UFRGS.

Os exames são uma exigência apenas quando há sintomas, como sangramento e obstrução da passagem urinária. Homens negros ou com histórico familiar da doença devem consultar o médico a partir dos 45 anos, pois a incidência de câncer de próstata nesses dois grupos é maior.

O rastreamento do câncer de próstata inclui o PSA, um exame de sangue que mede os níveis de um hormônio produzido pela próstata que costuma se alterar em pacientes com câncer.

Embora haja outros fatores que podem alterar a produção de PSA pelos homens, como a próstata mais volumosa — chamada de Hiperplasia Benigna da Próstata (HBP) —, e mudanças identificadas no toque retal tenham mais probabilidade de ser infecções simples de tratar, quaisquer alterações nesses exames levam os pacientes a realizar biópsias.

É aí que mora o principal ponto contra o rastreamento: o procedimento usado para identificar o câncer, além de doloroso, oferece risco de infecção e, se feito repetidas vezes, pode levar a disfunções eréteis.

- Como as possibilidades são múltiplas, o rastreamento oferece risco de identificar pacientes que acabam sendo tratados de forma mais agressiva sem haver necessidade — diz Eduardo Carvalhal, chefe do serviço de urologia do Hospital Moinhos de Vento.

Fonte: ZH Vida
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