Hipertensão é a maior causa de partos prematuros não espontâneos

Pesquisa orientada pelo Caism da Unicamp envolveu 20 hospitais no Brasil. Mães contam experiência em partos prematuros e seus bebês em Campinas.

04 JAN 2016
Bebe prematuro

A hipertensão nas gestantes é a causa de mais de 90% dos partos prematuros não espontâneos no Brasil, ou seja, aqueles que precisaram ser programados após indicação médica. A constatação foi feita por um estudo comandado pelo Hospital da Mulher (Caism) da Unicamp em Campinas (SP), que envolveu outros 19 hospitais de referência no país.

O G1 conversou com mães que passaram pela experiência de ter bebês nascidos desta forma e contaram como superaram os problemas.

"A gente sabia que a hipertensão teria um papel central como motivadora, mas a expressividade como ela apareceu foi uma supresa. Estar presente em mais de 90% das indicações foi uma grande surpresa. Está entre as principais causas de mortalidade materna no Brasil. A outra causa é a hemorragia no parto", afirma o obstetra e pesquisador da Unicamp Renato Teixeira de Souza.

O estudo com foco nos partos terapêuticos, como também são chamados, foi concluído após quatro anos desde o início da pesquisa. Esses partos são intervenções muitas vezes salvadoras, tanto para a mãe como para o bebê. O Caism idealizou e organizou os trabalhos, que receberam o nome de Emip – Estudo Multicêntrico de Investigação em Prematuridade.

Entre abril de 2011 e julho de 2012, todos os partos nas 20 maternidades selecionadas no país, maioria públicas e especializadas em gestação de alto risco, foram avaliados pelos pesquisadores; ao todo foram 33.740 ocorrências.

Destes, 4.150 partos foram prematuros, sendo 1.468 terapêuticos. O número significa 35,4% de nascimentos de bebês por indicações médicas. O Brasil está, portanto, no meio termo entre países desenvolvidos - com 50% de partos terapêuticos, o que indica evolução nas técnicas de salvamento - e os menos desenvolvidos - que possuem taxa de 10% a 20% de partos indicados e menor assistência adequada -, segundo o pesquisador.

"Foi a primeira vez que esse estudo, com essa proporção, foi realizado no Brasil. É um estudo fundamental para que os próximos passos sejam dados. Todas as políticas públicas podem ser discutidas a partir desse estudo. Como, onde atuar e de que forma", diz o pesquisador, que concluiu o mestrado com esse trabalho e faz doutorado na Unicamp também explorando o tema.

Para o orientador de Souza na pesquisa, o obstetra e ginecologista do Caism Guilherme Cecatti,  é preciso ter assistência adequada para que os bebês possam se desenvolver por mais tempo durante a gestação.

"Não descarto que uma parcela não desprezível desses partos terapêuticos possam ter acontecido sem que uma necessidade absoluta possa ter se caracterizado", afirma o orientador.

Hábitos e sequelas
A pesquisa foi feita com um formulário com mais de 300 tópicos de informação sobre o contexto do acontecimento do parto prematuro. O resultado do estudo chama a atenção dos pesquisadores para os hábitos das mulheres que engravidam e as sequelas nos bebês.

"Os números são expressivos e alarmantes. As mulheres estão engravidando com mais problemas de saúde, mais obesidade, pressão alta, diabetes, idade avançada e todas as características aumentam as complicações durante a gravidez. E, aumentando, a gente vai observar fatalmente uma maior quantidade de partos prematuros terapêuticos", explica Souza.

No entanto, essa condição de nascimento do bebê tende a ter mais complicações e a interrupção da gestação traz consequências diferentes para crianças nascidas por indicação e para as nascidas espontâneamente, por rompimento da bolsa, por exemplo. Mesmo que, nos dois casos, eles tenham a mesma idade gestacional.

"Os prematuros terapêuticos complicam mais e morrem mais do que os bebês prematuros espontâneos. O fato da mãe ter complicações não agrava só o quadro dela, mas também dos recém nascidos. O bebê terapêutico tem um desfecho mais complicado", conta o pesquisador.

Os recém-nascidos prematuros ficam mais sucetíveis a complicações respiratórias, neurológicas, intestinais e infeccionas, além do risco de mortalidade ser maior. Uma forma de ajudar na prevenção é melhorar as condições em que a gestante engravida. Há, por exemplo, um melhor momento para a mulher que é hipertensa ou tem diabetes engravidar, e os obstetras são essenciais nesse planejamento, segundo Souza.

Foi a pressão alta, ou pré-eclâmpsia - que teve destaque na pesquisa conduzida pela Unicamp

Fonte: G1
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