Jejum intermitente ajuda a perder peso e tratar diabetes, mas exige cuidados

17 JUL 2017
Jejum intermitente ajuda a perder peso e tratar diabetes, mas exige cuidados

O jejum intermitente tem ganhado grande notoriedade nos últimos anos entre as pessoas que desejam emagrecer. Esse tipo de dieta alterna períodos de jejum com períodos de alimentação; e quando feita corretamente, além de ajudar na perda de peso, pode contribuir também para o tratamento do diabetes tipo 2, o mais comum.

Hoje, o regime de jejum intermitente mais usado para emagrecer envolve 16 horas diárias sem qualquer tipo de alimentação sólida. O jantar é feito por volta das 20h, por exemplo, e depois a pessoa irá apenas almoçar no dia seguinte, às 12h. São duas refeições por dia (almoço e jantar). Entre as refeições, somente água à vontade. Em alguns casos, podem ser tomados também café e suco de limão, ambos sem açúcar.

Endocrinologista no Hospital Sírio-Libanês, o dr. Antonio Roberto Chacra conta que muitas pessoas estão aderindo a esse regime porque preferem poder comer mais, embora apenas duas vezes ao dia, do que várias pequenas porções. "O jejum intermitente tem-se mostrado tão eficaz como a dieta tradicional, pois o mais importante é o quanto você come e não quantas vezes você come", observa. "Por isso, é fundamental também não exagerar nessas duas refeições", acrescenta o médico.

Como o jejum intermitente ajuda a contralar o diabetes tipo 2?

O diabetes tipo 2 representa 90% dos casos dessa doença. Trata-se do diabetes que se desenvolve ao longo da vida, geralmente depois dos 45 anos de idade, em decorrência do excesso de peso e do sedentarismo. Já o diabetes tipo 1, responsável pelos outros 10% dos casos da doença, é aquele que costuma se manifestar a partir da infância ou adolescência e requer tratamento com aplicações de insulina.

Segundo explica o dr. Chacra, diferenciar os dois tipos de diabetes é fundamental, pois o jejum intermitente pode ser usado para tratar o diabetes tipo 2, mas é contraindicado para pacientes com o diabetes tipo 1. "Se uma pessoa com diabetes tipo 1 ficar várias horas sem comer, ela pode ter crises de hipoglicemia (nível muito baixo de glicose no sangue)", alerta.

Por contribuir diretamente com a perda de peso, o jejum intermitente funciona como um tratamento da resistência à insulina - condição de saúde que eleva o risco do diabetes tipo 2.

Além disso, esse regime também acaba "dando uma folga" para o pâncreas, explica o dr. Chacra. Nas pessoas com diabetes tipo 2, o pâncreas perde progressivamente sua capacidade de produzir insulina nas quantidades necessárias para eliminar a glicose absorvida após as refeições, fazendo com que as concentrações de açúcar no sangue subam. Com a diminuição de refeições estabelecidas pelo jejum intermitente, o pâncreas trabalha menos e contribui nos cuidados contra o diabetes tipo 2.

Posso fazer jejum intermitente?

O ideal é sempre consultarmos um médico para saber se podemos ou não fazer um jejum intermitente. Quem tiver tendência à hipoglicemia, como as pessoas com diabetes tipo 1, insuficiência hepática, insuficiência renal e anorexia nervosa, pode ter graves quedas de açúcar no sangue ao ficar horas sem comer.

Alguns sinais de hipoglicemia e que merecem atenção médica são:

- Tremedeira.

- Suores e calafrios.

- Irritabilidade.

- Confusão mental.

- Visão embaçada.

- Tontura.

- Taquicardia (coração batendo mais rápido que o normal).

O Hospital Sírio-Libanês conta com um Núcleo de Obesidade e Transtornos Alimentares, composto por uma equipe multiprofissional especializada nos mais diferentes cuidados referentes à obesidade e a outras alterações endocrinológicas; também possui um Centro de Diabetes - serviço de atendimento completo voltado a atender as necessidades específicas dessa doença.

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