Obesidade Infantil e Refrigerantes

02 JUN 2016
Refrigerante

Os números da obesidade infantil no Brasil assustam. Segundo a ABESO (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica) tem-se que aproximadamente 1/3 das crianças de 5 a 9 anos no Brasil está com excesso de peso. A região sudeste predomina, com 38,8% das crianças acima do peso, seguida pelas regiões sul (35,9%), centro oeste (35,1%), nordeste (28,1%) e norte (25,6%).
 
Grande motivo para preocupação é que estes números estão aumentando. Imaginar que 1 em cada 3 crianças brasileiras está com o peso acima do esperado para a idade é extremamente alarmante. Quais razões seriam as apontadas para tal?
 
Na semana passada a Ambev, Coca Cola Brasil e a PepsiCo anunciaram que a partir de agosto vão ajustar o portfolio de bebidas vendidas nas cantinas das escolas. Para as crianças com menos de 12 anos de idade estarão disponíveis apenas água mineral, suco com 100% de fruta, água de coco e bebidas lácteas que atendam a critérios nutricionais específicos. Esta decisão baseia-se no fato de que crianças menores de 12 anos não tem ainda discernimento suficiente para fazer suas escolhas nutricionalmente mais adequadas. Optaram por oferecer-lhes alimentos com maior valor nutritivo. Isso é muito importante. Nas escolas, os “refris”, portanto, estarão fora do alcance desta turminha. Se pensarmos que em cada latinha há uma média de 37 gramas de açúcar, entenderemos que esta é uma excelente decisão. Ponto para as empresas.
 
Mas isto seria suficiente para diminuir as preocupantes taxas de sobrepeso e obesidade infantis? Claro que não. Óbvio que os refrigerantes não são os responsáveis por estes números crescentes de crianças com excesso de peso  que, na vida adulta, estarão destinadas a uma qualidade de vida mais precária com as prováveis comorbidades associadas como, por exemplo, maior propensão à diabetes ou às doenças cardiovasculares; quais sejam, hipertensão, acidentes vasculares cerebrais ou infartos.
 
Quem ou o quê, então, estaria por trás destes números crescentes de sobrepeso e obesidade infantis?
 
O estilo de vida das famílias contemporâneas. Vamos refletir um pouco sobre isso.
 
Crianças pequenas não vão ao supermercado sozinhas, e muito menos pagam as contas no caixa. As prateleiras das casas são abastecidas por adultos que fazem as opções de compras.
 
Crianças pequenas não cozinham. Quem prepara os pratos das famílias são adultos que teoricamente tem consciência do que deve ser mais saudável para a família.
 
Crianças pequenas gostam de brincar ao ar livre, jogar bola, correr ou se espalhar pelo ambiente. Arrumar-lhes espaço para tal – um parque aos finais de semana, por exemplo –  é um dever dos adultos, supostamente conscientes da importância de exercícios físicos em todas as idades.
 
Crianças pequenas não conseguem, sozinhas, comprar eletrônicos que as consomem e cruelmente roubam sua capacidade de gastar a energia física de forma saudável.
 
Louvável decisão das empresas. Mas retirar os “refris” do cardápio infantil ou das prateleiras de todos os supermercados do mundo definitivamente não irá, como num passe de mágica, resolver o problema da obesidade infantil.

A resolução está nas mãos – e principalmente na consciência – de cada família.

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