Teste mostra se o alimento faz bem

14 ABR 2016
Alimentos

Imagine um exame capaz de mostrar se a salada que você comeu no almoço fez bem para o seu organismo e o tamanho desse benefício. A ferramenta valiosa acaba de ser apresentada por cientistas dos Estados Unidos e se dá por meio da análise da urina. O resultado, que dura cerca de 10 minutos, pode ajudar na avaliação e na construção de dietas voltadas para doenças ligadas à alimentação, como o câncer.

Antes do teste, a mesma equipe analisou o impacto de hábitos alimentares sobre a saúde de 63 mil chineses. O estudo mostrou como vegetais crucíferos – muito presentes em dietas asiáticas, como brócolis, repolho, couve-flor e agrião – podem ajudar na prevenção de tumores. "O consumo de vegetais ricos na substância isotiocianato (ITC) está diretamente relacionado a ocorrências menores de câncer de pulmão, inclusive entre fumantes", destaca Marcin Dyba, pesquisador do Departamento de Oncologia da Universidade de Georgetown e um dos autores da pesquisa.

Estudos com animais demonstraram que diferentes tipos de ITC têm propriedades e potências anticancerígenas distintas. Altamente sensível, o teste de urina criado quantifica nove tipos de isotiocianato, e outros compostos encontrados em vegetais crucíferos. A ferramenta foi testada em amostras de mais de 30 mil idosos de Cingapura e teve resultados positivos.

Personalização Igor Morbeck, oncologista do Hospital Sírio-libanês em Brasília e professor da Universidade Católica de Brasília (UCB), destaca que o novo teste poderá ser bastante útil na área médica ao agregar dados valiosos ao tratamento de tumores. "Já se sabe que o isotiocianato pode agir como protetor ao câncer, mas esse teste traz informações a mais, como a concentração necessária para que isso ocorra, e também se outras substâncias podem ter o mesmo tipo de valor protetivo", diz.

A nutricionista Tatiana Helou ressalta a possibilidade de investir em uma abordagem personalizada com os dados fornecidos pelo exame. "Conseguir mensurar os efeitos de alimentos é um grande ganho, até porque a quantidade de determinado nutriente que deve ser consumido vai variar de acordo com o perfil do paciente. Temos mudanças até no preparo, um costume cultural que pode interferir no valor nutricional", diz.

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