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Tomar café à noite causa uma revolução no corpo

24 SET 2015
Imagem de um relógio ao lado de uma xícara de café

Não é segredo que o café tira o sono. Mas um novo estudo acaba de mostrar que a substância psicoativa mais popular do mundo – a cafeína contida no café e presente também em alguns refrigerantes – mexe profundamente no sentido de tempo do nosso corpo, o chamado relógio biológico.

O trabalho é pequeno e preliminar, mas surpreendente. Foi conduzido por Kenneth Wright, professor de fisiologia integrativa da Universidade do Colorado Boulder, nos Estados Unidos, e por John O Neill, do Laboratório de Biologia Molecular da Universidade de Cambridge, na Inglaterra.

A equipe descobriu que uma quantidade de cafeína equivalente a um expresso duplo, se for ingerida cerca de três horas antes do horário regular de ir para a cama, induz um atraso de 40 minutos no sono, que faz parte dos ritmos circadianos do nosso corpo (possuem ciclos de 24 horas, como o sono).

Como? Primeiro, a cafeína interfere na produção da melatonina, fabricada naturalmente pela glândula pineal segundo instruções enviadas pelo cérebro. A substância retarda o pico de concentração desse hormônio no sangue, de acordo com um relatório publicado online na quarta-feira (16) pela revista Science Translational Medicine. O efeito foi quase o mesmo da exposição a três horas de luz intensa.

Mas essa foi só uma das alterações causadas pela substância, conforme o estudo que monitorou cinco pessoas (dois homens e três mulheres) e teve duração de 49 dias. Nesse período, os participantes foram mantidos sob condições controladas antes de dormir, como pouca luz associada a uma pílula de placebo ou dose de 200 miligramas de cafeína. Também foram submetidos a uma combinação de luz intensa e uma pílula de placebo ou cafeína. Amostras de saliva foram testadas para conferir os níveis de melatonina.

Depois dessa etapa, o laboratório de Cambridge investigou o que havia ocorrido nas células. Os pesquisadores decidiram ir fundo nesse aspecto porque estudos anteriores com algas verdes e caracóis do mar haviam mostrado que a cafeína interferia na cronometragem celular. Será que ocorria a mesma coisa nas pessoas? "Para nossa surpresa, ninguém tinha realmente feito testes para investigar essa questão", disse Kenneth Wright, da Universidade do Colorado.

Analisando tecidos humanos cultivados em laboratório, a equipe viu que a cafeína tem o poder de bloquear receptores do neurotransmissor adenosina existentes nas nossas células. E ainda que o corpo confunda as substâncias, elas têm efeito antagônico. Por diversos mecanismos, a adenosina desencadeia a sensação de sonolência, enquanto a cafeína desperta. Sob a ação do estimulante, o corpo retarda o sono e antecipa o despertar, levando a dormir menos.
Para o cientista Wright, mudanças como essas podem ter repercussão mais ampla e reforçam a necessidade de escolher o momento de tomar bebidas com cafeína. "Nosso ritmo circadiano vai muito além do sono e vigília. O relógio biológico está presente no corpo inteiro. Atua nas células de gordura, musculares, do fígado, do cérebro". É também fato comprovado que alterações do sono afetam, por exemplo, o sistema imunológico. "Levar uma vida em que você não dorme o suficiente ou mantém o relógio do seu corpo continuamente fora de sincronia é ruim para a saúde", completa Wright.

Ainda não se sabe, no entanto, se beber cafeína no início do dia pode alterar o relógio interno de maneira similar. "Seria uma especulação dizer que se pode consumir cafeína cinco ou seis horas antes de deitar sem obter esse efeito. É evidente que isso precisa ser testado ", pondera John O Neill, de Cambridge. Pelo sim, pelo não, ele mesmo não toma café depois das 17 horas.

China utiliza drones e mosquitos modificados para combater a dengue

24 SET 2015
Cartaz de campanha da dengue na China

PEQUIM - As autoridades da área de saúde do sul da China começaram a usar drones e mosquitos macho modificados em laboratório capazes de esterilizar as fêmeas para combater a dengue, informou nesta terça-feira, 15, o jornal oficial China Daily.

As medidas serão adotadas no verão na província de Cantão, onde no ano passado houve mais de 43 mil casos desta doença - 10 vezes do mais que em 2013 -, que resultaram em seis mortes.

Os drones, nove no total, sobrevoam zonas da província e tiram fotografias em telhados e terraços das casas, já que em algumas ocasiões a água parada na parte superior dos edifícios se transforma no principal caldo de cultivo de mosquitos portadores do dengue.

Os mosquitos usados nos programas de prevenção estão infectados com uma bactéria chamada Wolbachia,  que provoca a esterilização das fêmeas com as quais os machos se acasalam. Elas ainda serão capazes de pôr ovos, mas deles não sairão novos insetos.

Criados em um centro de pesquisa de Cantão desde julho, os mosquitos estão sendo testados por enquanto em uma ilha da região, na qual são libertados aproximadamente meio milhão deles a cada semana.

No ano passado, o sul da China viveu um forte aumento de casos de dengue. Segundo os especialistas, a epidemia se originou no Sudeste Asiático, onde a doença é frequente.

Neste verão, os casos se reduziram, embora a vizinha Taiwan esteja vivendo uma epidemia sem precedentes, com cerca de 10 mil casos que as autoridades temem que se multipliquem até os 30 mil nas próximas semanas.

Eu vou morrer?: médico explica como dar a notícia e lidar com a criança que está com câncer

24 SET 2015
Criança com mascara contra impurezas

Contar a uma criança que ela está doente costuma ser uma tarefa que os pais executam sem maiores problemas. Afinal, ao explicar que se trata de algo passageiro, e que será preciso apenas tomar um remedinho para que o dodói vá embora, os pequenos costumam aceitar os cuidados e seguir em frente com a rotina. Mas e quando se trata de algo grave e mais delicado, como, por exemplo, um câncer? Será que é possível passar coragem aos filhos e ajudá-los a encarar o tratamento?

Poucas são as famílias em que não há um caso de câncer do qual a criança tenha ouvido falar.

Muitas vezes, a vovó, um tio distante, ou mesmo um dos pais já precisou enfrentar a doença. Só que, como em alguns dos casos, infelizmente, a batalha pode ter acabado de uma maneira triste, a simples menção da palavra "câncer" talvez já assuste o pequeno paciente.

Mesmo assim, a coisa mais importante nesse momento é não mentir para a criança. Como recomenda Vicente Odone, oncologista e especialista em câncer infantil, enganar um filho doente quebra a relação de confiança que ele tem com os pais de maneira definitiva.

— Os pais podem dizer que a criança está com uma doença que não é a mesma coisa que uma gripe ou uma dor de barriga, e que vai exigir muito do papai, da mamãe, dos médicos e, sobretudo, dela mesma, mas que vão estar todos juntos com ela para ajudar.

"Eu vou morrer?"

E, mesmo que surja a temida pergunta sobre a possibilidade de morte, Odone reforça que é importante manter a honestidade. De maneira palatável, com palavras adequadas à idade da criança e sem termos técnicos, os pais precisam abrir o jogo e falar a verdade.

— Pode-se responder que todos nós vamos morrer um dia, o que é um fato. E, junto com isso, mostrar ao filho que todos estão lutando juntos para que a doença não venha a causar esse tipo de desdobramento.

A forma mais comum de câncer pediátrico é a leucemia linfoide aguda. Suas chances de cura chegam a 90%. O oncologista explica ainda que, caso a doença não retorne até quatro anos e meio após seu diagnóstico, a chance de que ela volte é estatística e praticamente nula.

Dez anos depois, caso não haja o retorno do câncer nem o surgimento de qualquer efeito colateral dele, a expectativa de vida dos pequenos pacientes passa a ser igual à de quem nunca passou por um quadro de leucemia.

Enquanto a média de duração do tratamento de outras formas de câncer é de cerca de seis meses a um ano, a da leucemia linfoide aguda é de mais ou menos dois anos e meio. E, como explicar a uma criança que ela precisará passar tanto tempo lutando contra uma doença pode ser complicado, Odone dá algumas dicas aos pais.

— É importante dizer à criança que o tratamento inclui medicamentos que são via oral, mas que também há outros na veia, e que é preciso que a família e o médico sejam incisivos para que ela fique boa logo. Sobre a quimioterapia, explicamos tudo aos adultos com riqueza de detalhes, para que eles conheçam o processo todo. Às crianças, devemos destacar nossos esforços em explicar coisas que serão mais óbvias na rotina deles, como a necessidade de ficarem afastadas de coisas que elas prezam, a restrição às atividades físicas etc.

Queda de cabelo

Em sua experiência em atendimentos a crianças e adolescentes, Odone conta que é raro ver pacientes infantis que se importem com os efeitos colaterais estéticos da quimioterapia. Segundo o médico, esta costuma ser uma questão mais complicada para os pais.

No entanto, se o pequeno manifestar algum tipo de incômodo com a perda dos cabelos, por exemplo, pai e mãe podem de pronto ajudá-lo a providenciar uma peruca. Na opinião do oncologista, o foco nestes momentos é atender às necessidades que a criança expressa, sem fazer daquilo um drama.

Recorrer a narrativas lúdicas pode ajudar a explicar o que se passa dentro do corpo durante o combate ao câncer. Com base na idade da criança, e no seu consequente grau de compreensão do mundo, é possível, por exemplo, explicar que as células estão brigando entre si, e que a hora agora é de acabar com aquelas que estão causando problemas.

No caso de filhos pequenos, Odone sugere apelar para algo ainda mais simples, como dizer que há "um bichinho" que se espalhou pelo corpo da criança, e que será preciso localizá-lo e eliminá-lo.

— Independentemente da maneira que se encontre para falar sobre a doença, o mais importante é que a criança se sinta parte do processo todo, que ela não seja jogada em uma rotina médica, sem ideia do que está acontecendo.

Lançada pela Associação Viva e Deixe Viver, com apoio do laboratório médico Pfizer, a série de livros infantis Eu e a Célula é um bom reforço em situações como esta, porque aborda o universo dos cuidados médicos com linguagem acessível e, mais importante, sem assustar ninguém.

Mundo cruel

Presidente da organização, fundada em São Paulo em 1997, e que tem como objetivo reunir e treinar voluntários para a contação de histórias em hospitais, Valdir Cimino avalia que proporcionar momentos de fantasia em meio à rotina da internação colabora não só com o humor dos pacientes, mas também com a adesão ao tratamento.

— A criança adoentada está vulnerável e aberta a qualquer tipo de experiência que a tire daquele mundo cruel. Ela, muitas vezes, nem entende pelo que está passando. Com as histórias, as tiramos da dor e do sofrimento, e a transportamos para o mundo da imaginação. Não é fácil, mas vemos muitas crianças chorando pararem de chorar. O grande valor do trabalho é empoderar as crianças, e mostrar a elas que é possível encontrar alívio em meio ao processo curativo.

Cimino recorda episódios marcantes na trajetória da associação, como quando um pequeno paciente se recusou a ouvir a história alegando que "suas células não estavam se falando". Ou quando o caso era de um menino com câncer terminal, que perguntou aos voluntários o que havia "do outro lado", e que acabou falecendo enquanto a história era contada.

Tanto o presidente da Viva e Deixe Viver quanto o oncologista Odone concordam que o fundamental às famílias com crianças afetadas pelo câncer é manter o otimismo. Para o médico, ficar ao lado dos filhos sem trazer angústia e desespero faz toda a diferença.

— Os pais têm que se manter confiantes. É um otimismo realista, mas entendendo que aquela luta vale a pena. É preciso manter em mente que a equipe médica não tem poderes mágicos, mas também lembrar que é preciso haver cumplicidade entre todos, mantendo sempre tudo bem esclarecido, inclusive para a criança.

Brasil registra novos surtos de sarampo e governo faz alerta

24 SET 2015
Mão segurando seringa

Altamente transmissível, o sarampo voltou a circular no país em surtos esporádicos desde 2012, período em que 200 casos foram registrados em Pernambuco, segundo dados do Ministério da Saúde. Desde então, mais 857 contaminações foram confirmadas no país.

O último caso divulgado da doença foi no dia 13 de junho de 2015 no Ceará, estado que contabilizou 164 registros este ano.

Dentre os doentes, cerca de 89% deles foram contaminados por ausência de vacinação.

O sarampo foi a principal causa de mortalidade infantil nos anos 1960. Objeto de intensa campanha vacinal nas últimas decadas, o Brasil chegou a considerar que o vírus causador da doença estava fora de circulação em 2000.

O motivo para a volta da circulação do vírus, segundo o governo, é a importação de novos casos de outras partes do mundo.

Outra explicação é a alta taxa de transmissão da doença. A introdução de uma única pessoa infectada pode gerar a contaminação de até 18 outros indivíduos.

O movimento antivacina, em que pais deixam de vacinar seus filhos por temerem efeitos colaterais das aplicações, também pode ser apontado como uma das causas da volta do sarampo (leia mais abaixo).

O registro de novos casos e o surto no Ceará fez com que a Secretaria do Estado de Saúde de São Paulo publicasse um alerta nesta segunda-feira (14) para impedir que a doença volte a circular no estado.

“A atual situação epidemiológica global, e principalmente, a nacional, é um desafio a ser ultrapassado, no sentido de atingir e manter a interrupção da circulação do vírus”, aponta a nota.

A detecção precoce, a notificação e tratamento rápido são os três pilares considerados urgentes para interromper a circulação do vírus. A estratégia do governo inclui a melhora da taxa de notificação, a confirmação laboratorial e aumento da cobertura vacinal.

Sintomas e vacina no Brasil

O sarampo é uma doença viral altamente transmissível. Após exposição a um único caso, praticamente todos os indivíduos suscetíveis podem adquirí-lo.

A doença tem início com febre acompanhada de tosse, coriza, conjuntivite e erupção cutânea no corpo e na cabeça.

O vírus pode ser transmitido cerca de cinco dias antes e cinco dias após a erupção cutânea.

No Brasil, a vacina tríplice viral é a medida de prevenção mais segura e eficaz contra o sarampo, protegendo também contra a rubéola e a caxumba (SRC).

O calendário de vacinação inclui uma dose da vacina SRC aos 12 meses de idade e uma dose da vacina tetra viral (SRCV – sarampo, rubéola, caxumba e varicela) aos 15 meses.

Circulação do sarampo no mundo

O sarampo continua presente em diferentes regiões do mundo e, segundo a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, por isso, se mantém o risco de importação do vírus para locais onde o controle do sarampo foi estabelecido, como o Brasil.

Entre junho de 2014 e junho de 2015, mais de 4.000 casos de sarampo foram registrados em 30 países da Europa; mais da metade destes (58,2%) ocorreu na Alemanha. Casos na Áustria, Belarus, Lituânia, Dinamarca, Noruega, Reino Unido, França, Suécia e Bélgica também foram registrados.

Hoje, em 2015, surtos da doença estão sendo registrados na República Democrática do Congo, Guiné, Sudão, Austrália, Mali, Algéria, Chile, Peru, Camarões, Taiwan e Malásia.

Movimento antivacina é uma das causas

A volta da circulação do vírus do sarampo, principalmente em países desenvolvidos, pode ser explicado por um movimento antivacina que cresceu nos últimos anos nessas regiões.

Os adeptos do movimento temem os efeitos colaterais provocados. O gatilho para o temor foi um artigo publicado em 1998 na prestigiada revista Lancet. No estudo, o gastroenterologista inglês Andrew Wakefield associou a vacina tríplice a um risco aumentado de autismo. O médico foi acusado de fraudador, perdeu o registro no Conselho Federal de Medicina da Inglaterra, mas o estrago estava feito.

Países como Alemanha, França e Estados Unidos já registraram altas taxas de sarampo, coqueluche e outras doenças já consideradas fora de circulação por campanhas históricas de vacinação.

O Brasil também tem adeptos do movimento antivacina que, por aqui, está associado a classes mais altas.

Em 2011, sete casos de sarampo foram registrados na Vila Madalena, região nobre da zona oeste de São Paulo. Um bebê não tinha sido vacinado por opção da família, o que levou à contaminação de outras crianças.

Segundo o Ministério da Saúde, a média de vacinação da população em geral é de 81,4%, enquanto na classe A essa taxa cai para 76,3%.

Surdez pode favorecer desenvolvimento de depressão e demência, diz estudo

24 SET 2015
Idosa

Os resultados da pesquisa vieram por um estudo conduzido pelo Conselho Nacional sobre Envelhecimento, com 2.304 pessoas, e apresentado na Convenção da Associação Americana de Psicologia em 2015, que aconteceu em Toronto, no Canadá.

De acordo com o Instituto Nacional de Surdez e Outros Distúrbios da Comunicação (NIDCD), cerca de 15% dos americanos adultos têm algum problema com a audição, com consequências trágicas sobre a vida cotidiana.

s pessoas esperam em média seis anos depois dos primeiros sinais de perda de audição para tomar alguma providência. Dois a cada três idosos acima de 70 anos jamais utilizaram um aparelho auditivo, mesmo tendo necessidade, e só 16% dos adultos entre 20 e 69 anos que tinham problemas auditivos tentaram usar um aparelho. Pesam contra, de acordo com o estudo, a negação do problema e a falta de consciência, bem como os motivos estéticos.

Os que perdem nessa situação são o humor e a mente. "A raiva, a frustração, a depressão e a ansiedade são comuns entre as pessoas que têm problemas auditivos", diz David Myers, professor de psicologia do Hope College em Michigan, nos Estados Unidos.

"Convencer as pessoas a usarem aparelhos auditivos pode ajudar a retomar o controle sobre a vida e atingir a estabilidade emotiva e o funcionamento cognitivo".

Cirurgia é utilizada para combater sequelas do AVC isquêmico

24 SET 2015
Radiografia do cérebro

Pesquisadores da Neurocirurgia e da Neurologia do Hospital das Clínicas, da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP), realizaram uma intervenção cirúrgica inédita para amenizar as sequelas do Acidente Vascular Cerebral Isquêmico (AVCi) da região do cerebelo, responsável pela coordenação dos movimentos e da marcha. Trata-se da estimulação cerebral elétrica por intermédio de eletrodos implantáveis sobre a região afetada após o AVCi. Os resultados do estudo são descritos em artigo publicado na revista científicaParkinsonism and Related Disorders.

"Uma paciente de 52 anos de idade, submetida ao procedimento em abril de 2014, apresenta melhora significativa na marcha, escrita e manipulação de objetos", explica o titular da Neurocirurgia, Manoel Jacobsen Teixeira.

Na cirurgia, um cabo-eletrodo, constituído de fios condutores com eletrodos em suas pontas, foi implantado no cérebro da paciente. Uma extensão, conectada ao cabo-eletrodo, passou sob a pele desde a cabeça, pescoço até a parte superior do peito, onde foi implantado o neuroestimulador, que produz os pulsos elétricos necessários à estimulação.

Esses pulsos elétricos, de baixa intensidade, são transportados para a região alvo do cerebelo, com ajustes feitos pelo médico. A estimulação dessa região por pulsos elétricos bloqueia os sinais que causam os sintomas motores incapacitantes da doença e o paciente consegue ter maior controle sobre seus movimentos corporais e coordenação, com melhora na qualidade de vida.

Tratamento

O AVCi, conhecido popularmente como derrame, é uma das principais causas de morte e de incapacidade no mundo e no Brasil, o que gera grande impacto econômico e social. A técnica cirúrgica adotada pelos neurocirurgiões do Hospital das Clínicas deverá revolucionar o tratamento que ainda está longe de ser satisfatório. "Ele inclui medicamentos e reabilitação física", aponta o médico.

A cirurgia consistiu na inserção de um microeletrodo na região do cerebelo da paciente. Por intermédio de um programador externo, o médico neurologista consegue controlar a energia elétrica liberada e, consequentemente, os sintomas. Conhecido como estimulação cerebral profunda, a cirurgia é semelhante ao procedimento realizado na doença de Parkinson, porem a estimulação é feita em local diferente.

"Enquanto que no Parkinson é estimulado o núcleo subtalâmico, estrutura do cérebro envolvida no programa motor e na velocidade dos movimentos, no AVC é estimulado o núcleo denteado, estrutura envolvida na coordenação dos movimentos, bastante afetada no paciente", salienta o neurocirurgião.

O estudo, descrito no artigo publicado, determinou o desenvolvimento de um novo projeto que irá testar a segurança e eficácia do método em novos pacientes que apresentam ataxias cerebelares secundárias ao acidente vascular cerebral e incluir também outros tipos de ataxias no estudo.

65% das paulistanas não conhecem a síndrome dos ovários policísticos

24 SET 2015
Pessoa com acúmulo de gordura na região abdominal

O aparecimento de acnes fora do período da adolescência pode ser o sinal de um problema que causa alterações no ciclo menstrual e pode levar à infertilidade: a síndrome dos ovários policísticos. Com sintomas que afetam principalmente a aparência feminina, como o aumento de pelos no corpo e acúmulo de gordura abdominal, o distúrbio nem sempre é identificado pelas mulheres.

Foi o que mostrou uma pesquisa realizada pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM-Unifesp) em parceria com o laboratório Bayer. Entre as 600 mulheres ouvidas em São Paulo, 65% desconhecem os sintomas e 31% não souberam dizer se têm ou não o problema.

O levantamento foi feito em cinco capitais: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre e Salvador. Ao todo foram 3.000 entrevistadas e o desconhecimento sobe para 71% nos dados que consideram todas as cidades onde a pesquisa foi feita.

Entre as paulistanas, a acne está ou já esteve presente na vida de 71% delas, mas apenas 5% procuraram um ginecologista para tentar solucionar o problema.

"O foco real foi saber o conhecimento da mulher em relação a uma causa importante da acne que é a síndrome. Às vezes, a mulher sente os efeitos e vai ao dermatologista, mas acabam tratando o problema sem saber a origem", explica Afonso Nazário, chefe do Departamento de Ginecologia da Unifesp.

Pesquisadores mapeiam pessoas com Alzheimer e encontram vários tipos da doença

24 SET 2015
Idoso caminhando acompanhado

No Brasil, há cerca de 1,2 milhão de pessoas vivendo com Alzheimer. No mundo, 35,6 milhões de indivíduos sofrem com a doença. A tendência, no entanto, é de aumento. Em razão do envelhecimento da população, a Organização Mundial de Saúde estima que serão 65,7 milhões doentes em 2050.

Apesar das estatísticas, não há tratamento específico para a condição, que está longe inclusive de ter a taxa de sucesso de recuperação de outras doenças, como o câncer. Mas a esperança para reverter a situação é que a ciência avance rapidamente no conhecimento dos mecanismos da doença. É o que estão fazendo, por exemplo, alguns pesquisadores da Universidade da Califórnia (UCLA). Um deles é o professor de neurologia Dale Bredesen.
Para o especialista, o mundo está lidando com várias doenças achando que é apenas uma, como ocorria com o câncer.

e encontram vários tipos da doença

Estudo mostra que a condição possui diferentes comportamentos metabólicos em cada indivíduo. Descoberta pode levar a novos tratamentos e medicamentos específicos

Redação Saúde!Brasileiros
17/09/2015 11:28, atualizada às 17/09/2015 12:36

No Brasil, há cerca de 1,2 milhão de pessoas vivendo com Alzheimer. No mundo, 35,6 milhões de indivíduos sofrem com a doença. A tendência, no entanto, é de aumento. Em razão do envelhecimento da população, a Organização Mundial de Saúde estima que serão 65,7 milhões doentes em 2050.

Apesar das estatísticas, não há tratamento específico para a condição, que está longe inclusive de ter a taxa de sucesso de recuperação de outras doenças, como o câncer. Mas a esperança para reverter a situação é que a ciência avance rapidamente no conhecimento dos mecanismos da doença. É o que estão fazendo, por exemplo, alguns pesquisadores da Universidade da Califórnia (UCLA). Um deles é o professor de neurologia Dale Bredesen.
Para o especialista, o mundo está lidando com várias doenças achando que é apenas uma, como ocorria com o câncer.

A descoberta dos caminhos metabólicos pelos quais a doença atua pode levar a novas terapias. Foto: Ingimage

A descoberta dos caminhos metabólicos pelos quais a doença atua pode levar a novas terapias. Foto: Ingimage

"Os cientistas têm tido sucesso com remédios-alvo para tipos específicos de câncer porque fazem o sequenciamento genético de cada tumor", diz Bredesen. "No Alzheimer, entretanto, não temos um tumor para sequenciar, não sabemos ainda direito o que ocorre", explica.

O que a equipe de Bredesen começou a fazer para tentar descobrir o que está acontecendo é o mapeamento dos mecanismos e caminhos do organismo que levam ao surgimento da doença. Seriam essas causas metabólicas, genéticas?

Talvez tudo isso. Os cientistas fizeram testes metabólicos em 50 pacientes com a doença por um período de dois anos e publicaram os resultados na edição desse mês da revista Aging.

Uma das condições, segundo o pesquisador, é inflamatória. Nela, estão presentes alguns marcadores específicos, como a albumina. Marcadores são substâncias associadas a uma condição e que podem ser mensuradas.

Há também o tipo não-inflamatório. Nele, esse biomarcador não está presente, mas há alterações metabólicas similares.

Uma outra forma da doença se distribui por todo o cérebro e afeta indivíduos relativamente jovens. Não há comprometimento da memória no início, mas os doentes tendem a perder competências linguísticas. Em geral, é subdiagnosticado e está associado a uma deficiência de zinco.

Após essas descobertas, a equipe da Universidade da Califórnia pretende ir adiante nos estudos. "Esperamos desenvolver testes que envolvam medicamentos mais específicos e a identificação do tipo de Alzheimer", diz Bredesen.

Brincar ao ar livre faz bem à visão infantil, indica estudo

18 SET 2015
Criança usando óculos

Um estudo realizado na China identificou uma possível maneira de conter o desenvolvimento de miopia em crianças.

Em pesquisa feita com 12 escolas chinesas, o resultado apontou que pelo menos 40 minutos por dia de brincadeiras ao ar livre trazem benefícios à visão de meninos e meninas.
Mingguang He e outros pesquisadores pediram a seis escolas que levassem os alunos para brincar fora todos os dias; como grupo de controle, as outras seis mantiveram a rotina de estudos dentro da sala de aula.

Os pais também foram estimulados a incentivar brincadeiras ao ar livre aos finais de semana – nesse ponto, os dois grupos se igualaram.

Depois de três anos, eles passaram a fazer testes com as crianças para identificar se havia sinais de miopia. No inicio do experimento, menos de 2% de cada grupo tinha o problema.

Entre as crianças das escolas que aplicaram a estratégia de brincar ao ar livre, 30% desenvolveram algum grau miopia (259 de 853 crianças). Já entre aquelas que ficaram nas salas de aula, 40% desenvolveram o problema (287 de 726 crianças) – a pesquisa só considerou "miopia" os exames que apontavam pelo menos 0,5 grau.

A diferença não é grande, mas é significativa, dizem os pesquisadores. E ela se mantém mesmo quando se leva outros fatores em consideração, como o histórico familiar de miopia.

O estudo sugere que as crianças precisam equilibrar atividades realizadas mais de perto, em lugares fechados, como ler, com atividades que usam a visão à distância.

Conclusões: "Isso é importante clinicamente porque crianças que desenvolvem miopia cedo têm mais chances de que o problema avance com o tempo, o que também aumenta o risco de elas desenvolverem a miopia patológica", disseram os pesquisadores na publicação científica Jama.

"Além disso, um atraso no desenvolvimento de miopia em crianças pequenas, que tendem a ter uma maior taxa de progressão, poderia proporcionar benefícios gigantescos para a saúde dos olhos a longo prazo."

Na publicação, Michael Repka, da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, afirma que mais estudos são necessários para confirmar e compreender as conclusões dessa pesquisa.

Segundo ele, os resultados do estudo podem significar que mais tempo ao ar livre limita a quantidade de tempo gasta em atividades realizadas mais de perto, em locais fechados; ou que estar mais exposto à luz do sol ajuda a desenvolver melhor as funções dos olhos.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde divulgados no ano passado, o número de pessoas com miopia todo dobrou nos últimos anos no mundo. O problema costuma estar bastante ligado ao uso do computador ou de outros itens tecnológicos – como tablet, celular, etc – por muitas horas durante o dia.

No Brasil

Um estudo realizados pelo CBO (Conselho Brasileiro de Oftalmologia) em 2014 com crianças entre 9 e 13 anos que utilizavam computador ou videogame por seis horas ininterruptas mostrou que 21% delas desenvolveram algum grau de miopia.

Pesquisas internacionais, como a realizada na China, tentam descobrir se já existe uma forma de diminuir o risco de desenvolvimento do problema mudando hábitos das pessoas, principalmente na infância.

Brasil tem 670 mil casos de infecção generalizada por ano

12 SET 2015
Cultura de material biológico para identificar microrganismos

O Hospital Municipal Souza Aguiar, no centro do Rio de Janeiro, recebeu nesta quinta-feira (10/09/2015) uma ação de conscientização sobre a sepse, com distribuição de material à população e esclarecimento de dúvidas sobre a doença. Em 13 de setembro,  transcorre o Dia Mundial da Sepse, que registra 670 mil casos no Brasil por ano, de acordo com dados do Instituto Latino Americano de Sepse (Ilas).

A sepse era conhecida, anos atrás, como septicemia ou infecção generalizada. Com a evolução da medicina, foi descoberto que a sepse ocorre por conta de uma reação inadequada do organismo a uma infecção. O organismo reage à infecção lançando moléculas para combater e matar as bactérias infecciosas, mas isso pode causar danos aos tecidos normais, como os do pulmão ou do rim de uma pessoa. Esse dano aos órgãos pode gerar um processo de disfunção de múltiplos órgãos ou falência de múltiplos órgãos.

O vice-presidente do Ilas, Luciano Azevedo, explicou que quanto mais órgãos param de funcionar, maior é a gravidade da doença e maior é a chance de o paciente morrer. Por isso, ele destacou a importância do diagnóstico precoce.

“Uma vez que o cidadão tenha sinais de um processo infeccioso, é sempre bom procurar logo um serviço de saúde para ser avaliado por um médico. É importante a ida a um pronto-socorro, porque o tratamento é muito dependente do diagnóstico precoce.”

O tratamento ocorre com uso de antibiótico, soro na veia para normalizar a pressão e combater a desidratação, além de remédios para controlar a febre e para vômito, caso necessário.

Segundo Azevedo, o Brasil é um dos países com taxa mais alta de mortalidade por sepse no mundo, podendo chegar a 55%. Ele enumerou três fatores que fazem a mortalidade no Brasil ser alta: desconhecimento do público leigo, desconhecimento do profissional de saúde e a infraestrutura inadequada do sistema de saúde brasileiro, principalmente, do Sistema Único de Saúde (SUS).

“A sepse ainda é desconhecida porque as pessoas não atentaram para isso. O que falta é exatamente o que estamos tentando fazer: divulgação. Temos ações para explicar a importância e gravidade da sepse aos profissionais de saúde. Além de ações para o público leigo, com pessoas explicando o que é a sepse e profissionais de saúde que vão atender e tirar as dúvidas a respeito da doença. No final, queremos que a taxa de mortalidade seja reduzida.”

Essa ação faz parte das atividades organizadas para a Campanha Prevenção de Infecção na UTI [Unidade de Terapia Intensiva], promovida pela Associação Brasileira de Medicina Intensiva (Amib), lançada em abril deste ano. A entidade ainda enviará material de esclarecimentos às 1.900 unidades de terapia intensiva brasileiras e deve atingir cerca de 100 mil pessoas.

De acordo com o presidente da Campanha, Thiago Lisboa, 70% dos pacientes internados nas unidades de terapia intensiva recebem tratamento para algum tipo de infecção, e nesse ambiente, o risco de infecção é de cinco a dez vezes maior do que em outros ambientes hospitalares.

“A principal medida que reduz uma infecção é uma adequada higienização das mãos, porque com isso já se diminui bastante o risco de transmissão de infecção dentro de um hospital de um paciente para outro.”

O médico enumera outras medidas como o uso racional de antibióticos, tomar cuidado com a limpeza do ambiente, além de usar adequadamente as precauções que forem indicadas como a luva e o avental para evitar o contato excessivo com bactérias.

 

 

Fumaça de incenso é mais tóxica que cigarro, sugere estudo

04 SET 2015
Incensos sendo queimados

Se você usa incensos para aromatizar a casa, cuidado! Um novo estudo mostrou que a fumaça liberada pode ser mais tóxica para as células do corpo que a fumaça de cigarros. Os componentes liberados enquanto as hastes queimam são capazes de causar mutações no DNA que podem levar ao câncer . As informações são do Daily Mail.

O estudo afirma que, quando aspirada, a fumaça do incenso fica presa nos pulmões e causa uma reação inflamatória que pode, eventualmente, provocar doenças como câncer de pulmão, leucemia e tumores no cérebro.

Para a pesquisa, foi analisado o efeito das duas fumaças no organismo de hamsters. A partir das observações, os pesquisadores concluíram que o incenso contém mais substâncias químicas que podem alterar o material genético e causar mutações. Portanto, as suas substâncias são mais prejuciais ao organismo do que o cigarro.

"Claramente é necessário um cuidado maior à saúde em relação aos malefícios de se acender um incenso em ambientes fechados", declarou o médico que encabeçou a pesquisa, Rong Zhou.

Apesar dos resultados obtidos, os pesquisadores afirmam que este é um estudo em andamento. Ainda assim, a recomendação é que pessoas com doenças pulmonares e crianças com o pulmão em desenvolvimento evitem ficar em lugares com incenso.

Depoimento: médica virou mastologista após câncer de mama

04 SET 2015
Ilná entre as filhas Natália e Virgínia

Após descobrir um câncer na mama direita há 17 anos, a médica Ilná Escóssia decidiu se especializar em mastologia e acabou virando ativista. Em meio a uma nova sessão de radioterapia, para combater um câncer inflamatório, raro e agressivo na pele da mama esquerda, Ilná compartilha com a BBC Brasil detalhes de sua jornada e cinco lições que aprendeu na luta contra o câncer que mais mata mulheres no Brasil - foram 14,2 mil mortes só em 2013. Neste ano, são esperados 57 mil casos da doença.

"Sou médica ginecologista e obstetra. Sempre trabalhei muito, era uma trabalhadora compulsiva, operava, dava plantões e atendia no consultório e no serviço público. Costumava trabalhar de 10 a 12 horas.

Recebi o diagnóstico de câncer de mama após uma mamografia em março de 1998. Eu tinha então 38 anos. Fiz a mamografia porque, dois anos antes, eu tinha retirado um nódulo benigno da mama direita. A mamografia fazia parte do controle pós-cirurgia.

Com a imagem suspeita, parti para a biópsia da mama, e o diagnóstico foi claro: carcinoma. À época, o protocolo era já começar a quimioterapia antes mesmo da cirurgia.

Com a quimio, meu cabelo caiu todo. Nunca me adaptei a perucas. Lembro bem que tinha uma novela em que as mulheres usavam lenços na cabeça, acho que era O Clone. Sempre preferi lenços, e até hoje é assim.

Parti para a cirurgia em junho de 1998, quando foi retirada a mama direita. Completei o tratamento em São Paulo, com 28 sessões de radioterapia. Fiquei dois meses e meio lá. Meu marido, minha mãe e minhas irmãs se revezavam me acompanhando. Minhas filhas ficaram em Fortaleza, sendo cuidadas pelo irmão mais velho e pela minha cunhada.

Quando voltei a Fortaleza, completei a quimioterapia, totalizando nove sessões. Já durante as últimas sessões, voltei ao trabalho no consultório. Comecei então a querer me informar sobre a doença, porque percebi que mesmo eu, médica, não tinha muita informação sobre como o câncer de mama progredia.

Os médicos me orientaram a diminuir o ritmo de trabalho e de estresse. Larguei a obstetrícia e fui estudar mastologia num grupo de pesquisas especializado, o GEEOn (Grupo de Estudos e Extensão em Oncologia), da Universidade Federal do Ceará.

Nessa época, resolvi criar um grupo de apoio a mulheres com câncer de mama, após perceber que a maioria das mulheres diagnosticadas mal sabia o que estava acontecendo e qual seria o tratamento. Elas achavam que o diagnóstico de câncer correspondia ao atestado de óbito.

Formei um grupo, que começou com seis mulheres, num centro de ioga. Compartilhávamos experiências sobre o diagnóstico, o tratamento, os exames, a mutilação, a perda do seio e do cabelo e todo o enfrentamento da doença.

Tínhamos um tutor indiano, o professor Harbans Arora, que já atendia pessoas com câncer e nos orientava com exercícios de ioga, meditação e respiração para minimizar os efeitos colaterais da quimioterapia. Foi ele que deu nome ao grupo, Amar (Associação de Motivação, Apoio e Renovação).

Os médicos que me conheciam passaram a enviar suas pacientes para nós.

Desde o início o atendimento sempre foi gratuito. Meu trabalho no grupo é totalmente voluntário, assim como o de outras profissionais, que coordenaram sessões de fisioterapia e terapias de grupo. Até hoje temos duas artesãs voluntárias que coordenam uma oficina e nos ensinaram a fazer artigos que vendemos para pagar despesas do projeto.

Em 2008, dez anos após o primeiro diagnóstico, novos exames constataram metástase óssea, que é quando o câncer se espalha para outros tecidos do corpo. Fiquei muito assustada. Mas comecei um tratamento com um novo medicamento, que não só diminuía as dores como reduzia o ritmo de crescimento dos tumores. As minhas lesões realmente permaneceram estáveis, de acordo com os exames, e assim permanecem.

Em setembro de 2014, ao fazer o autoexame, percebi sintomas diferentes na mama esquerda, como vermelhidão, inflamação e dor. A mamografia e a ultrassonografia não detectaram nódulos. Meu oncologista diagnosticou um câncer inflamatório, raro e agressivo, que acomete a pele da mama.

Após nova biópsia, reiniciei a quimioterapia. Com oito ciclos, meu cabelo caiu de novo. Em 2015, fiz mastectomia da mama esquerda. Em São Paulo, estou fazendo revisões terapêuticas e vou iniciar novas sessões de radioterapia. Minhas filhas e minhas irmãs estão se revezando para cuidar de mim. O apoio da família e dos amigos é fundamental.

As mulheres do Amar sempre dizem que o grupo é fundamental para elas. Todas chegam deprimidas e assustadas e aprendem com as outras a enfrentar a doença, se sentem mais fortes. Temos um trabalho educativo em escolas, comunidades rurais, empresas, e falamos da importância da mamografia e do diagnóstico precoce no combate ao câncer de mama.

A doença é tratável e tem cura quando diagnosticada precocemente. Muitas mulheres ainda têm medo da mamografia e dizem que dói. Sempre digo que é melhor a dor do exame do que a dor do diagnóstico de câncer.

E acho que a principal beneficiada pelo trabalho do Amar fui eu. Capacitar outras mulheres para falar sobre o câncer me fortaleceu, me impulsionou a estudar mastologia e me ajudou a superar todas as etapas difíceis. Foi o que me ajudou a me manter viva durante todo esse tempo."

Ilná Escóssia, em depoimento à repórter Fernanda da Escóssia

(Ilná e Fernanda são irmãs. Junto com a irmã Carla da Escóssia, criaram no Facebook a comunidade Tempo para Viver (facebook.com/tempoparaviver), com a experiência das três no combate à doença, além de dicas de saúde e prevenção ao câncer de mama)

Cinco dias de prevenção

Em 17 anos de luta contra o câncer, Ilná Escóssia tem algumas dicas que a ajudaram e que ela divide com suas pacientes. O câncer está relacionado a múltiplos fatores genéticos e ambientais (e esses têm um peso fundamental). De todo modo, aqui vão algumas dicas:

1. A mamografia é imprescindível, o mais importante exame na detecção precoce do câncer de mama. Pode ser feita a partir dos 35 anos, se a mulher tem antecedentes familiares de primeiro grau, quer dizer, mãe ou irmã com câncer. E anualmente após os 50 anos, para todas as mulheres. A maior incidência do câncer de mama é entre 50 e 70 anos.

2. É preciso combater o excesso de gordura na alimentação. Os estudos mostram que a gordura, em especial a gordura animal, aumenta o risco de câncer de mama. Principalmente após a menopausa, a gordura se transforma em hormônios através de uma enzima chamada aromatase, e isso aumenta o risco.

3. O sedentarismo é nosso inimigo, aumenta em 30% os riscos de câncer não só de mama, mas vários outros, como próstata. Daí a importância da atividade física na prevenção da doença.

4. Fumar, ao contrário do que muita gente pensa, não é associado apenas a doenças cardíacas. Também pode influenciar no câncer de mama, bexiga e próstata.

5. A questão emocional é muito importante. Muitas mulheres que sofreram perdas, perderam filhos, maridos, empregos, desenvolveram câncer. O estresse contribui para a diminuição da imunidade e fragiliza o organismo, favorecendo alterações celulares. Com a imunidade reduzida, as células se multiplicam desordenadamente. É isso que caracteriza o processo cancerígeno, a multiplicação desordenada da célula normal, gerando os tumores.

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