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Toxina produzida por vespa brasileira mata células de câncer

04 SET 2015
Imagem de uma vespa

O veneno de uma vespa brasileira, Polybia paulista, contém uma poderosa toxina que mata células de câncer, sem danificar células saudáveis. Agora, um grupo de cientistas da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Universidade de Leeds, na Inglaterra, descobriu exatamente como a toxina, chamada MP1, consegue abrir buracos exclusivamente nas células cancerosas, destruindo-as.

O estudo, publicado nesta terça-feira, 1, na revista científica Biophysical Journal, poderá inspirar a criação de uma classe inédita de drogas contra o câncer, segundo os cientistas. De acordo com um dos autores do estudo, Paul Beales, da universidade inglesa, a toxina MP1 não afeta as células normais, mas interage com lipídios - moléculas de gordura - que estão distribuídos de forma anômala apenas na superfície das células de câncer. Ao entrar em contato com a membrana dessas células, a toxina abre buracos por onde escapam moléculas essenciais para seu funcionamento.

"Terapias contra o câncer que atacam a composição de lipídios da membrana da célula seriam uma classe inteiramente nova de drogas antitumorais. Isso poderia ser útil para o desenvolvimento de novas terapias combinadas, nas quais múltiplas drogas são utilizadas para tratar um câncer atacando diferentes partes de suas células simultaneamente", disse Beales.

De acordo com outro dos autores, João Ruggiero Neto, do Departamento de Física da Unesp em São José do Rio Preto, a Polybia paulista foi descoberta e descrita pelo professor Mário Palma, da Unesp de Rio Claro.

Os cientistas já haviam estudado a toxina MP1 e sabiam que ela agia contra micróbios causadores de doenças destruindo a membrana das células bacterianas. Mais tarde, os estudos revelaram que a toxina é promissora para proteger humanos de câncer e tem capacidade para inibir o crescimento de células de tumores de próstata e de bexiga, além de células de leucemias resistentes a várias drogas.

Até agora, no entanto, não se sabia como a MP1 é capaz de destruir seletivamente as células tumorais, sem danificar as células saudáveis.

"Desde que descrevemos a toxina do veneno dessa vespa, em 2009, sabíamos que ela contém peptídeos com uma forte propriedade antibacteriana, funcionando como um antibiótico potente. Mais tarde, pesquisadores coreanos e chineses começaram a fazer trabalhos com esses peptídeos sobre células de câncer e nós fomos estudar sua ação em linfócitos com leucemia", disse Neto ao jornal Estado de S. Paulo.

Mecanismo

O grupo da Unesp confirmou então que as toxinas eram extremamente seletivas, reconhecendo apenas os linfócitos leucêmicos, e não os sadios. Eles começaram suspeitar que a explicação para essa seletividade tinha relação com as propriedades únicas das membranas de células de câncer. "Fomos investigar o mecanismo", afirmou Neto.

Segundo ele, em membranas de células saudáveis, os fosfolipídios chamados PS e PE se situam na membrana interna, voltados para o lado de dentro da célula. Mas, nas células de câncer, os PS e PE ficam incorporados na membrana externa, voltados para o ambiente em volta da célula.

Os cientistas testaram sua teoria criando membranas-modelo contendo PE e PS e as expondo à MP1. Eles utilizaram uma ampla gama de técnicas biofísicas e de imageamento para caracterizar os efeitos destrutivos da MP1 sobre as membranas.

O resultado foi impactante: a presença de PS aumentava de 7 a 8 vezes a quantidade de MP1 que se ligava à membrana. A presença de PE, por outro lado, aumentava a capacidade da MP1 de danificar rapidamente a membrana, aumentando o tamanho dos buracos de 20 a 30 vezes.

"Formados em poucos segundos, esses poros são grande o suficiente para permitir o vazamento de moléculas críticas para a célula, como RNA e proteínas. O aprimoramento dramático da permeabilização induzida pela toxina na presença do PE e as dimensões dos poros nessas membranas foram surpreendentes", disse Neto.

Potencial

Em estudos futuros, os cientistas planejam alterar a sequência de aminoácidos da MP1 para examinar como a estrutura da toxina se relaciona à sua função, a fim de aprimorar sua seletividade e sua potência para propósitos clínicos.

Segundo Beale, entender o mecanismo de ação dessa toxina vai ajudar estudos translacioais - isso é, pesquisa científica aplicada clinicamente - para avaliar no futuro o seu potencial para o uso na medicina.

"Como ficou demonstrado em laboratório que a toxina é seletiva para células de câncer e não é tóxica para células normais, ela tem potencial para ser segura. Mas mais trabalho será necessário para provar isso", afirmou Beale.

Setor de home care cresce até 5% ao ano

04 SET 2015
Imagem ilustrativa de gráfico de crescimento

Utilizar os serviços de home care está se tornando prática cada vez mais comum no Brasil. O tratamento domiciliar para pacientes que recebem alta do hospital, mas precisam estar sob cuidados médicos em casa, cresce de 3% a 5% ao ano em todo o País.

De acordo com o levantamento realizado pelo Nead (Núcleo Nacional das Empresas de Serviços de Atenção Domiciliar), o número de empresas que oferecem esse serviço foi de 108, em 2005, para 400, em 2013. O estudo ainda aponta que o faturamento do setor atualmente ultrapassa os R$ 10 bilhões.

ara o diretor de negócios da Integral Saúde, provedora de soluções em saúde e home care, Leonardo Zimmerman, a expansão do setor deve continuar, apesar da crise econômica, devido ao envelhecimento da população. "A demanda não para de crescer. A previsão é que pessoas com 70 anos serão um terço da população até 2020."

Atualmente o número de pessoas com 65 anos ou mais no País é de 14,9 milhões, mas em 2020 passará para 32 milhões, e em 2060 serão quase 59 milhões. Sendo assim, o número de indivíduos com doenças crônicas e que demandem atenção a longo prazo também crescerá, aumentando a procura pelo setor de saúde suplementar. Para Zimmerman, outro fator que implica na necessidade do home care é a pequena quantidade de leitos hospitalares disponíveis para o enorme número de pacientes que precisam de tratamento. "A quantidade de leitos não cresce na mesma proporção da demanda. O Conselho Federal de Medicina já afirmou que a quantia é insuficiente para suprir as necessidades mínimas dos hospitais."

Apesar da necessidade de ampliação de vagas, um estudo feito pelo Conselho Federal de Medicina aponta que, ao considerar apenas o SUS (Sistema Único de Saúde), perdeu-se aproximadamente 15 mil leitos de internação entre julho de 2010 e julho de 2014, média de cerca de dez leitos por dia.

GRANDE ABC

Se consideradas as sete cidades da região, o gasto da população com cuidados médicos domiciliares é de R$ 150 milhões anuais. Esse valor representa 7,5% do valor movimentado em todo o Estado. Ao excluir a cidade de São Paulo da conta, essa fatia se torna de 11,5%, de um universo de 637 cidades.

O diretor de negócios da Integral Saúde ressalta que o Grande ABC tem uma mercado razoavelmente consolidado, devido a estrutura de hospitais e faculdades de Medicina que a região comporta. "O índice de cobertura da população pelos planos de saúde é um dos mais altos do País."

Convívio em família beneficia paciente

Os cuidados dentro de casa também trazem benefícios para o paciente. O convívio dentro do lar, com a família, são pontos positivos que contam para o bem-estar do indivíduo.

"Além da sensação de maior conforto, comparado ao hospital, tanto para o paciente, quanto para os familiares, os centros médicos são grande foco de infecção, o que é evitado ao utilizar o serviço de home care", comenta o diretor da Integral Saúde, Leonardo Zimmerman.

O custo também é menor para a fonte pagadora, seja ela um plano de saúde ou particular. "É mais rentável. Um paciente de atenção domiciliar gera um gasto de R$ 2.000 a R$ 4.000. Em um hospital, esse valor subiria para R$ 15 mil a R$ 20 mil", explica Zimmerman.

Os planos de saúde não são obrigados a cobrir a assistência domiciliar. "Mas é cada vez mais comum que eles ofereçam, pela lógica econômica e assistencial, o serviço de home care como alternativa para internação hospitalar de longa duração.

Assistência

Para que o paciente receba o serviço é preciso autorização médica e avaliação técnica, além de aceitação da família. O maior número de pacientes que recebem esse tipo de assistência são os que possuem algum tipo de doença crônica.

Foi o que aconteceu com a aposentada Maria do Socorro, 54 anos, de São Bernardo, quando aceitou os cuidados para a mãe, 81, com Alzheimer. "Conforme foi passando o tempo, minha mãe teve convulsões, foi internada, teve um AVC (Acidente Vascular Cerebral) e então parou de andar, falar e comer."

A alta médica só seria possível com o serviço de home care. "O médico solicitou, mas o convênio não aceitou de primeira. Entramos com uma liminar e ganhamos a causa e minha mãe pôde vir para casa em julho de 2014."

Desde então, Maria, que mora com a mãe para cuidar dela, recebe também a visita de enfermeiros para os cuidados da matriarca. "São dois turnos, às 7h e às 19h, todos os dias", conta. Para ela, o serviço vale a pena, pela tranquilidade e segurança. "Não preciso mais ir ao hospital todos os dias. Além de não correr o risco de pegar alguma doença lá, também ficamos mais confiantes pois sabemos que ela está em boas mãos." 

Sobrepeso aos 50 anos pode antecipar a aparição do Alzheimer

04 SET 2015
Senhora com Alzheimer

Segundo os cientistas do Instituto Nacional do Envelhecimento (NIH) americano, cada unidade acrescentada ao Índice de Massa Corporal (IMC) na média idade significa que a doença pode aparecer 6 ou 7 meses antes.

Estudos prévios já tinham apontado que algumas mudanças no estilo de vida, como uma melhora da dieta e o exercício regular, podem atrasar a manifestação do Alzheimer.

Os pesquisadores se basearam nos dados de 1.394 pacientes cognitivamente normais que se submeteram a testes neuropsicológicos a cada dois anos durante uma média de 14 anos.

Dentro desse grupo, 142 pessoas desenvolveram a doença e, entre eles, aqueles com um maior Índice de Massa Corporal aos 50 anos sofreram os primeiros sintomas do mal de Alzheimer antes do resto.

A partir de 191 autópsias, os cientistas também comprovaram que a obesidade na média idade está associada com danos neurológicos no cérebro relacionados com o Alzheimer.

"Estes resultados são importantes porque acrescentam uma quantidade grande de conhecimento sobre a relação entre a obesidade e o Alzheimer, mas sobretudo indicam que manter um Índice de Massa Corporal saudável desde a média idade pode contribuir para que ocorra um efeito protetor para a aparição do mal décadas depois", afirmou Madhay Thambisetty, principal autor do estudo.

Para o cientista, são necessárias novas investigações que envolvam um maior número de pacientes para determinar o IMC concreto a partir do qual começa a se elevar o risco de uma manifestação antecipada do Alzheimer.

Os autores do estudo sublinharam que os resultados estatísticos desta pesquisa não aprofundam nos mecanismos que fazem com que o sobrepeso e a obesidade influam na aparição da doença.

Confira 7 mitos que cercam as doenças mentais

04 SET 2015
Pessoa com depressão

O estigma em cima de doenças mentais, como a ansiedade e depressão, leva as pessoas a acreditarem em várias pegadinhas. E já passou da hora de colocar tudo a limpo. Estereótipos negativos ajudam a fomentar mentiras sobre essas doenças e isolam ainda mais esses pacientes.

Esses fatos errados podem tornar o tratamento ainda mais difícil, já que pesquisas apontam que o estigma se torna uma barreira para o tratamento.

O Huffington Post desvendou os mitos mais comuns acerca de doenças mentais. Confira.

Mito nº 1: é contagioso 

Para acabar com esse mito, primeiro é preciso diferenciar emoções de doenças mentais. Pacientes diagnosticados com doenças mentais experimentam um espectro de emoções que são um subproduto da química do cérebro e outros possíveis fatores, como o ambiente em que vivem.

Apesar de alguns pesquisadores sugerirem que emoções – as negativas em particular – são contagiosas, as doenças mentais não são. Elas não funcionam como uma gripe ou virose que são repassadas por meio de um vírus ou bactérias.

Continuar acreditando nesse mito dificulta o desenvolvimento de um paciente e se torna uma grande barreira para seu tratamento.

Mito nº2: doenças mentais provocam violência

Muitos ainda culpam doenças mentais por tragédias como o assassinato ao vivo de dois jornalistas , na Virginia. Mas a verdade é que ter uma doença mental não significa que a pessoa irá cometer um ato violento.

Um estudo de 2014 conduzido pela Universidade Estadual da Carolina do Norte, RTI International, Universidade da Califórnia , Universidade de Simon Fraser e Universidade de Duke mostra que pessoas com doenças mentais têm mais chances de sofrerem atos violentos do que cometer algum.

Mito nº3: é raro 

Errado! Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), aproximadamente uma em quatro pessoas terá algum tipo de doença mental no decorrer de suas vidas. Ou seja, é bem provável que você conheça alguém que sofre com algum tipo de distúrbio mental.

Mito nº4: doenças mentais são "invenções"

É comum as pessoas acharem que alguém com ansiedade pode "se acalmar" ou quem tem depressão "precisa dar a volta por cima", como se pudessem controlar suas emoções. Não é tão simples assim.

Doenças mentais também têm sintomas físicos. Por exemplo, o apetite de pessoas com depressão muda e ansiosos podem sofrer com problemas cardiovasculares, no estômago e ter um sistema imune debilitado.

Mito nº5: não há cura

Doenças mentais não se apresentam da mesma forma para todos, a intensidade dos sintomas varia.

Terapia, medicação e grupos de apoio são ferramentas que podem ser usadas no tratamento e ajudam o paciente a retomar uma vida mais saudável. "Depressão é uma doença curável", disse o diretor do Instituto de Saúde Mental do Estado de Nova York, Lloyd Sederer.  "Assim como qualquer doença séria é preciso compreensão, acompanhamento, tratamento médico, uma boa relação entre paciente e clínica e um bom suporte das pessoas próximas".

Mito nº6: doenças mentais são culpa de uma infância ruim

Claro que alguns acontecimentos da vida podem contribuir para a evolução de uma doença mental. "Não é que ter uma infância ruim não tenha nenhum peso, mas problemas na infância podem ser relacionados a um monte de outras coisas, não só a ansiedade", explicou o professor de psiquiatria e ciências comportamentais da Universidade Johns Hopkins, Joseph Bienvenu.

Mito nº7: você não pode ajudar alguém que sofre com alguma doença mental

Amigos e familiares são essenciais durante o tratamento. De acordo com um estudo realizado nos Estados Unidos pela Associação Americana de Ansiedade e Depressão, Fundação Americana de Prevenção ao Suicídio e a Aliança Nacional de Ação para Prevenção do Suicídio, o suporte de entes queridos é uma parte importante para prevenir suicídios. "Familiares, amigos e namorados podem oferecer apoio de forma que não julguem o paciente. Pode ser ajudando-o a marcar uma consulta, tomar remédios ou durante atividades diárias", explica Gregory Dalack, presidente do departamento de psiquiatria da Universidade de Michigan.

Afinal, o que são hospitais de transição?

20 AGO 2015
Enfermeiras levando maca

Resolver o problema crônico da falta de leitos nos hospitais brasileiros é uma pauta recorrente e de interesse comum para gestores de saúde, representantes da saúde suplementar, médicos intensivistas, geriatras e oncologistas. E este é um assunto que também interessa, e muito, à sociedade. Segundo dados da Associação Nacional dos Hospitais Privados (ANAHP), 25% dos leitos brasileiros são ocupados por pacientes de longa permanência. Destes, a maioria é composta por idosos, que já somam 12% da população e, devido ao aumento constante da expectativa de vida no país, em 2030, somarão 19%.

"Apesar do enorme expertise e aparato tecnológico dos hospitais de alta complexidade, entendemos que eles não possuem estrutura para montar linhas de cuidados para o paciente idoso desde o primeiro dia de hospitalização. Este paciente precisa de uma reabilitação precoce, de uma clara gestão de alta – que deve começar no momento da internação – e de uma equipe integrada e disponível", explicou Carlos Alberto Chiesa, diretor de operações do Placi — primeiro hospital de transição do Estado do Rio de Janeiro —, durante Encontro Científico promovido recentemente pelo Americas Medical City, na Barra da Tijuca, quando palestrou sobre alternativas da desospitalização.

Baseando-se em dados da ANAHP que mostram que apenas 38% dos hospitais brasileiros oferecem serviços para doentes crônicos e somente 14% utilizam métricas para identificar o prognóstico na gestão de pacientes crônicos, Chiesa explica que, em geral, a alternativa à desospitalização mais conhecida por médicos e pela sociedade é o home care. "Contudo, na ‘vida real’, esta acaba não sendo uma opção possível em todos os casos. As negativas às solicitações das famílias dos pacientes representam metade dos pedidos recebidos pelas operadoras de saúde. Na maior parte das vezes, as justificativas referem-se ao ambiente inadequado (59%), além da ausência de um cuidador (23%) ou até por motivos clínicos (18%)", detalha, ressaltando daí a importância dos novos modelos de atendimento, como os hospitais de transição.

O que atualmente se discute com preocupação no setor é a falta de saída para a crise gerada pelo envelhecimento da população no Brasil com o modelo assistencial atual. "Por isso, a necessidade de mudança, de oferecer algo inédito no Brasil, como os hospitais de transição", defende Chiesa. Segundo o médico, o Brasil precisa acompanhar tendências mundiais: no Canadá, por exemplo, 49% dos pacientes são indicados para hospitais de transição; na Austrália, o modelo de transição existe há dez anos; e em Portugal, o governo criou recentemente a Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados.

Afinal, o que são hospitais de transição?

Hospitais de transição promovem um cuidado interdisciplinar especializado para pacientes dependentes de cuidados médicos complexos. Além disso, oferecem apoio e suporte para pacientes fragilizados em um ambiente diferente do hospital tradicional, com o objetivo de completar o período de convalescença e recuperação, otimizar a capacidade funcional e preparar o paciente para os cuidados de longo prazo. As principais diferenças estão na equipe envolvida e no tempo dispensado por cada um dos profissionais.

O envelhecimento populacional gera um novo perfil epidemiológico, onde predominam doenças crônico-degenerativas em uma população fragilizada pela idade avançada e pelas sequelas dos tratamentos recebidos. Daí a necessidade de modelos assistenciais voltados para esse perfil, com oferta de cuidados prolongados, processos voltados para a necessidade do paciente e seu entorno, oferecido por profissionais de saúde de formação diversas, estendendo-se à assistência social.

"Apesar da concepção lógica deste modelo, ainda é preciso passar pela etapa de conscientização de todos os atores do cenário da saúde no entendimento e utilização desta etapa do cuidado", finaliza Chiesa, adicionando que fazem-se necessárias articulações entre hospitais, operadoras de saúde e prestadores de serviços, um trabalho educativo junto às famílias e pacientes e uma compreensão maior do médico, como formador de opinião, da lógica de rede articulada, referenciada e integrada na assistência à saúde.

Ações na Justiça forçam planos de saúde a cobrir home care

20 AGO 2015
Martelo do Juiz

Clientes de planos de saúde têm sido obrigados a recorrer à via judicial para obter a cobertura do tratamento domicilar, o chamado home care, que vem sendo negada pelas operadoras.

Desde o início de 2011, das 176 ações sobre o tema que tramitaram no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), 174 saíram vitoriosas e garantiram aos clientes o custeio das despesas pelo convênio, de acordo com levantamento feito pela advogada especializada em direito da saúde Renata Vilhena Silva.

Os consumidores também cobram melhorias na qualidade do serviço quando o plano oferece o procedimento. “É possível pedir a troca de fornecedores no processo judicial“, diz Renata.

O home care não está previsto no rol de procedimentos obrigatóirios que devem ser oferecidos pelos planos de saúde, segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e também não está incluído de forma expressa na lei dos planos de saúde.

No entanto, conforme argumenta Joana Cruz, advogada do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC), o home care também não figura na lista de procedimentos que não devem ser cobertos pelas operadora de saúde.

Por isso, os advogados geralmente mencionam o Código de Defesa do Consumidor (CDC) e argumentam que o plano de saúde, ao negar o procedimento, descumpre o objetivo essencial do contrato, que é a manutenção da saúde do paciente.

O tratamento feito em casa é enquadrado como a continuidade do tratamento no hospital.
Mas, para isso, o home care deve ser classificado pelo médico como o único tratamento médico possível ou como o mais indicado ao beneficiário, explica a advogada especialista em defesa do consumidor Giselle Tapai. “O juiz analisa caso a caso”.

A ANS, que fiscaliza as operadoras de planos de saúde, explica, em nota, que, ainda que o procedimento não seja obrigatório, o home care é previsto no contrato de algumas operadoras.

Caso a cláusula seja descumprida, o consumidor deve reclamar seus direitos e se não for atendido de forma satisfatória pode denunciar a operadora à ANS. Não havendo solução, a agência pode multar a empresa, e o consumidor pode optar pela via judicial para garantir o direito (saiba reclamar do seu plano de saúde da forma certa).

Se o plano de saúde não inclui o home care no contrato, mas houver indicação médica para internação domiciliar, a operadora deverá continuar cobrindo a internação hospitalar, diz a ANS.

Decisões não valem para todo país

Tanto o TJ-SP como o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) já publicaram súmulas sobre o home care, que são entendimentos criados após o julgamento de demandas semelhantes. Ambas reforçam a concessão do direito ao usuário do plano de saúde.

Mas ainda não há jurisprudência sobre a obrigatoriedade deste tipo de tratamento em instâncias superiores, cujas decisões podem valer para qualquer tribunal do país.

A súmula 209, do TJ-RJ, aponta que a recusa indevida pelo plano de saúde da internação ou da cobertura de serviços hospitalares, incluindo o home care, pode gerar indenização por danos morais caso a autorização seja obtida apenas mediante decisão judicial.

Já a súmula 90 do TJ/SP, publicada em 2012, entende que, caso haja expressa indicação médica do home care, a cláusula que exclui o procedimento no contrato do plano de saúde pode ser considerada abusiva, e o beneficiário pode reclamar o direito, ainda que não esteja previsto em contrato.

A ANS não responde se o home care em algum momento deve ser incluído no rol de tratamentos obrigatórios ou de forma expressa na lei de planos de saúde.

Idosos e doenças crônicas

Geralmente, quem entra com uma ação judicial no TJ-SP para obrigar o plano a arcar com os custos do home care são famílias de idosos com mais de 80 anos que têm doenças crônicas ou neurológicas e são usuários de planos de saúde.

É o caso de Isabel, que preferiu não revelar seu sobrenome. Seu pai tem 83 anos e foi diagnosticado com demência senil, e outras complicações de saúde por conta da idade avançada. Ele se alimenta apenas por sonda e necessita de medicação diária e acompanhamento 24 horas.

Diante da negativa do convênio para o tratamento domiciliar do pai, Isabel entrou com uma ação na Justiça para obrigar o plano de saúde a custear o atendimento por se tratar de uma extensão do tratamento no hospital.

Além disso, o home care beneficiaria o pai, cuja recuperação poderia ficar comprometida no hospital, onde não haveria um ambiente adaptado e todos os cuidados necessários.

Isabel conseguiu uma liminar que autorizou o home care e sua família ganhou a ação na Justiça após dois anos. A operadora de saúde não recorreu da decisão.

Mesmo após oferecer o tratamento domicilar, o procedimento não atendeu às expectativas da família e a operadora foi obrigada também a mudar o fornecedor do serviço.
Caso tivessem de optar por um serviço de home care particular, a família de José estima que pagaria, por mês, cerca de 5 mil reais pelo salário de dois enfermeiros, além de custos com medicamentos e alimentação especial. O plano de saúde do idoso custa 1,6 mil reais por mês.

Por outro lado, os honorários advocatícios também não são baratos. Segundo Renata Vilhena, os valores pagos aos advogados pelo ganho da causa giram em torno de 10% a 20% do custo total que o tratamento teria caso o paciente tivesse que pagá-lo por conta própria.

44% dos brasileiros sofrem com problemas respiratórios

20 AGO 2015
Mulher segurando bombinha de asma

Uma pesquisa recém-divulgada pelo Ibope mostrou que 44% dos brasileiros apresentam sintomas de doenças respiratórias -- asma e bronquite crônica em sua maioria.

O trabalho, realizado com 2 010 brasileiros entre 18 e 65 anos, de todas as regiões do país, mostrou que a maior prevalência dos sintomas respiratórios (65%) se dá nos estados do Sul do país. O pneumologista e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Clystenes Odyr Soares, atribui esse dado ao clima da região, caracterizado por invernos mais rigorosos e secos, em comparação com os outros estados. "Temperaturas mais baixas associadas com pouca umidade relativa do ar são consideradas um risco para a funcionamento do aparelho respiratório", explica o médico.
Um dado curioso e preocupante apontado pelo levantamento é o fato de que apesar de 91% dos asmáticos considerarem que sua doença está "controlada", 72% afirmaram que a doença impacta de forma negativa em suas atividades cotidianas, como praticar exercícios físicos (74%), respirar (64%), dormir (53%) e trabalhar (45%).

A percepção da gravidade da doença foi maior entre as pessoas que dizem tratá-la. "Esse levantamento nos alerta para a percepção equivocada que os pacientes têm em relação aos sintomas respiratórios. E, consequetemente, podem não receber a avaliação médica adequada", disse Soares.

Trabalhar em excesso aumenta risco de AVC, diz estudo

20 AGO 2015
Estudantes universitários gritando

O trabalho em excesso está ligado a um maior risco de problemas coronarianos e de acidentes vasculares cerebrais (AVCs), revela um estudo publicado nesta quinta-feira.

Um estudo com 600 mil pessoas originárias de Europa, Estados Unidos e Austrália revelou que trabalhar mais de 55 horas por semana aumenta em 33% o risco de sofrer um AVC e em 13% a possibilidade de desenvolver um problema coronariano, em relação a quem trabalha entre 35 e 40 horas por semana.

Os pesquisadores analisaram durante 7 a 8 anos homens e mulheres sem histórico de problemas cardiovasculares até o início do estudo, tendo em conta outros fatores de risco, como tabagismo, consumo de bebidas alcoólicas e sedentarismo - destaca o trabalho publicado na revista médica britânica The Lancet.

A pesquisa concluiu que o risco de AVC aumenta paralelamente à duração do trabalho: 10% entre as pessoas que trabalham entre 41 e 48 horas, 27% entre as que trabalham entre 49 e 54 horas, e 33% além das 55 horas.

"Os profissionais de saúde deveriam ter consciência de que longos períodos de trabalho estão associados a um risco significativo de sofrer AVC e de desenvolver problemas coronários", disse Mika Kivimäki, professor de epidemiologia da University College de Londres e coordenador do estudo.

O papel do estresse em várias doenças vasculares, como infarto e AVC, já foi objeto de numerosos estudos, ao contrário da carga horária de trabalho, que até o momento não tinha sido analisada a fundo.

Ao comentar a pesquisa, o doutor Urban Janlert, da universidade sueca de Umea, destacou que entre os membros da OCDE (Organização para Cooperação Econômica e de Desenvolvimento) a Turquia responde pelo maior percentual de trabalhadores atuando por mais de 50 horas semanais (43%), e a Holanda está na outra ponta (1%).

Atrás da Turquia, estão México (28,8%) e Coreia do Sul (27,1%). A França ocupa a nona posição (8,7%), segundo números da OCDE.

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