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A receita da longevidade, segundo uma Prêmio Nobel de medicina

04 AGO 2017
A receita da longevidade, segundo uma Prêmio Nobel de medicina

A gente entrega o avançar da idade por meio de rugas, cabelos brancos, juntas emperradas… Pois nossas células acusam o mesmo quando se observam seus telômeros. Telômeros são as extremidades dos cromossomos, as estruturas das nossas células onde fica empacotado o DNA. Com os anos, os pezinhos dos cromossomos ficam mais curtos, fenômeno ligado ao envelhecimento e à maior exposição a doenças. As descobertas nesse campo — bem como a identificação da enzima que protege os telômeros, a telomerase — renderam à bióloga americana Elizabeth Blackburn, de 68 anos, o prêmio Nobel de Medicina de 2009.

A professora, que atua na Universidade da Califórnia em San Francisco, nos Estados Unidos, se juntou à psicóloga Elissa Epel, da mesma instituição, para compartilhar os achados científicos que conectam a integridade dos telômeros aos nossos hábitos e à maneira de encarar a vida. O resultado é o livro O Segredo Está nos Telômeros, recém-lançado no Brasil pela editora Planeta.

Na obra, a gente aprende que alimentação, nível de atividade física, saúde mental e até as relações sociais influenciam o comprimento dos telômeros. Dito de outro modo, quem vive refém do estresse e dos maus hábitos tende a ficar com os telômeros mais curtos, algo capaz de comprometer a renovação celular e, por extensão, a qualidade e a expectativa de vida.

Mais que uma aula de ciência, o livro de Elizabeth Blackburn e Elissa Epel traz testes e desafios para revermos nosso estilo de vida e o jeito que lidamos com as atribulações do dia a dia. E dá uma série de orientações — da escolha dos alimentos a exercícios mentais — para resguardamos nossos telômeros e segurarmos bem firmes em nossas mãos uma das chaves da longevidade.

Aproveitando o lançamento da obra no país, entrevistamos a prêmio Nobel com exclusividade. Aqui ela conta um pouco da receita da vida longa, guardada em nossas próprias células.

SAÚDE: Fica claro, após ler seu livro, que o estilo de vida como um todo está intimamente associado ao comprimento dos telômeros. Mas a gente queria saber: existe algum hábito ou fator (estresse, dieta, atividade física…) que tem maior impacto nessa história?

Elizabeth Blackburn: Eu não posso eleger um único, porque acredito que o que mais influencia ou prejudica nesse contexto é o conjunto de todos esses fatores.

SAÚDE: Como o estresse mental e a ansiedade são capazes de danificar nossos telômeros e encurtar nossa expectativa de vida?

Elizabeth Blackburn: Tanto a ansiedade como a depressão estão ligadas a telômeros mais curtos. E, quanto mais severas elas são, mais curtos são os telômeros. Essas condições extremas do estado emocional têm um efeito no maquinário de envelhecimento das células, que envolve os telômeros, a mitocôndria [organela celular] e processos inflamatórios. Doenças do coração, pressão alta, diabetes, todos esses problemas de saúde tendem a aparecer mais cedo e mais rapidamente em pessoas ansiosas ou deprimidas. A ansiedade é um tema relativamente recente no campo de pesquisas sobre os telômeros. Sabemos que pessoas que vivenciam a aflição de um transtorno de ansiedade tendem a apresentar telômeros significativamente mais curtos. Quanto mais tempo a ansiedade persiste, mais curtos ficam essas estruturas. Mas, a partir do momento em que a ansiedade é resolvida e a pessoa se sente melhor, os telômeros eventualmente retornam ao seu comprimento normal. Esse é um importante argumento a favor da identificação e do tratamento da ansiedade.

SAÚDE: E a depressão? Piora ainda mais as coisas para os telômeros?

Elizabeth Blackburn: A conexão entre a depressão e os telômeros tem uma sólida base de evidências científicas. Um estudo impressionante, de larga escala, envolvendo quase 20 mil mulheres chinesas, descobriu que aquelas deprimidas tinham telômeros mais curtos. Quanto mais grave e duradoura é a depressão, mais curtos ficam os telômeros.

Alguns estudos sugerem que o encurtamento dos telômeros pode estar diretamente associado ao quadro depressivo. Pessoas com essa condição apresentam telômeros mais curtos nas células do hipocampo, área do cérebro que tem um papel importante nessa desordem. Elas não apresentam essa mesma alteração em outras regiões cerebrais, mas apenas nessa porção crucial ao estado de humor. Em experiências, ratos colocados em situação de estresse passam a ter menos telomerase [enzima que resguarda os telômeros] no hipocampo, assim como apresentam menos neurogênese, o crescimento de novas células nervosas. Isso explica porque estão mais predispostos a desenvolver depressão. No entanto, quando se aumentam os níveis de telomerase, esses ratos tendem a apresentar mais neurogênese e não se tornam deprimidos. O envelhecimento celular no cérebro pode ser um dos mecanismos por trás da depressão.

SAÚDE: A gente fica surpreso ao ler no livro o impacto do ambiente social nos telômeros. Pode explicar melhor essa conexão?

Elizabeth Blackburn: Nós estamos interconectados de maneiras que nem sempre podemos ver, e os telômeros revelam essas relações. Somos afetados de forma muito sutil pelo que sentimos em relação à nossa vizinhança, pela abundância de plantas e área verde nos arredores e pelo estado físico e emocional das pessoas que estão à nossa volta. Os relacionamentos que vivenciamos afetam os telômeros. Comunidades em que os indivíduos não confiam uns nos outros e sentem medo de violência são capazes de danificar essas estruturas. Por outro lado, vizinhanças consideradas seguras e bonitas em razão de seus parques verdes e árvores frondosas estão associadas a telômeros mais longos, não importa o nível de renda e educação de seus residentes.

O lugar onde vivemos afeta, portanto, a nossa saúde. Os bairros dão forma ao nosso senso de segurança e vigilância, o que, em resposta, impacta os níveis de estresse, o estado emocional e o comprimento dos telômeros. Além da violência e da falta de segurança, há outro aspecto crítico que faz da vizinhança um potente influenciador da saúde: a coesão social, isto é, a cola ou o laço que une as pessoas de uma mesma área. Os vizinhos se ajudam mutuamente? Acreditam uns nos outros? Eles se dão bem e compartilham valores? Se você precisar, pode realmente confiar em um deles? Pessoas que vivem em locais com baixa coesão social e têm medo de crimes apresentam um envelhecimento celular mais expressivo em comparação com quem mora em comunidades marcadas por confiança e segurança.

Sujeitos que vivem em grandes cidades aprendem a ser mais vigilantes. Seu cérebro e seu corpo estão sempre preparados para disparar uma baita resposta de estresse. Essa ultrarreação é adaptativa, mas não é saudável, e ajuda a explicar por que pessoas que moram em ambientes sociais ameaçadores possuem telômeros mais curtos.

SAÚDE: Até que ponto técnicas de controle mental, como mindfulness e meditação, nos ajudam a viver mais e melhor?

Elizabeth Blackburn: Estudos já descobriram que pessoas que tendem a focar mais suas mentes no que estão fazendo têm telômeros mais longos quando comparadas àquelas cujas mentes divagam. Outras pesquisas demonstram que ter aulas ou treinamentos de mindfulness ou meditação está ligado a uma maior capacidade de manter a integridade dos telômeros. O foco mental é uma habilidade que qualquer pessoa pode cultivar. Tudo que você precisa fazer é praticar.

SAÚDE: A incidência de doenças crônicas, caso de obesidade, câncer e problemas cardiovasculares, está crescendo mundo afora. Podemos dizer que todas elas estão associadas ao encurtamento dos telômeros?

Elizabeth Blackburn: Estou certa disso.

SAÚDE: Fatores ambientais, como o aquecimento global, a poluição do ar e a exposição a agrotóxicos, também afetam as extremidades dos cromossomos?

Elizabeth Blackburn: Desconheço pesquisas a respeito.

SAÚDE: Seu livro fala da importância de uma dieta equilibrada no comprimento dos telômeros. Na contramão, existem alimentos ou ingredientes que deveríamos consumir com moderação pensando nas nossas células?

Elizabeth Blackburn: Eu destacaria os carboidratos refinados, refrigerantes açucarados, alimentos processados e carne vermelha.

SAÚDE: É possível que um dia tenhamos uma pílula capaz de proteger ou regenerar nossos telômeros, uma espécie de elixir da longa vida?

Elizabeth Blackburn: Eu adoraria se alguma coisa do tipo existisse! Mas eu manteria uma dieta balanceada e a mente tranquila.

Hepatite C ultrapassa 90% de cura com novo tratamento no Brasil

02 AGO 2017
Hepatite C ultrapassa 90% de cura com novo tratamento no Brasil

Em outubro de 2015, o Brasil incorporou três novos medicamentos para o tratamento da hepatite C: daclatasvir, simeprevir e sofosbuvir. As drogas elevam para mais de 90% a taxa de cura da doença, que com o antigo tratamento (Interferon e outros) se limitava a 60%. Além disso, elas apresentam efeitos colaterais mínimos e proporcionam um tempo menor de tratamento (de 12 a 24 semanas). Com o novo protocolo, o tratamento com daclatasvir e sofosbuvir, associado à ribavirina é possível ter a cura em 3 meses.

Para Joaquín Molina, Representante da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) no Brasil, o novo protocolo adotado pelo sistema de saúde do país dá segurança para uma vida melhor às pessoas que vivem com a doença. “Desde a incorporação dos novos medicamentos, o Brasil tem mostrado resultados bastante otimistas em relação às taxas de cura de hepatite C. A iniciativa do país pode servir de exemplo para outros Estados que também enfrentam os desafios impostos pela doença. A OPAS/OMS tem trabalhado junto ao país para tornar esse cenário ainda mais positivo”, disse.

O Brasil distribui desde 2011 testes rápidos para a detecção da enfermidade. A cada ano, cerca de 3 mil mortes são associadas à hepatite C. Atualmente, não existe vacina para doença.

Histórico

Nas décadas de 80 e 90, a exposição ao vírus acontecia majoritariamente com transfusão de sangue, hemodiálise, uso de drogas injetáveis, compartilhamento de objetos de uso pessoal, sexo desprotegido e na confecção de tatuagens. Até 1993, não existia ainda no Brasil testes de diagnóstico da doença, bem como, até recentemente, tratamento eficaz para combatê-la.

O Ministério da Saúde brasileiro estima que 1,4 milhão de brasileiros tenham hepatite C. Porém, apenas 120 mil casos da doença foram notificados nos últimos 13 anos – as regiões Sul e Sudeste somam 86% das ocorrências. Leandro Sereno, consultor da OPAS/OMS na área de Doenças Transmissíveis e Análise de Situação de Saúde, lembra que a incidência da doença é maior em pessoas com mais de 45 anos. “Até o início da década de 90, não era feita no Brasil a testagem do sangue doado pela população. Como o vírus pode demorar de 20 a 30 anos para manifestar sintomas (quando manifesta), quem à época recebeu transfusão de sangue ou compartilhou seringas pode desenvolver a doença tardiamente. Esse é um dos fatores que dificulta a procura dos pacientes aos serviços de saúde, e, consequentemente o diagnóstico e o tratamento adequados”, ponderou.

Atualmente, com intermediação da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), países membros do Mercosul negociam a compra conjunta de um medicamento de nova geração para tratar a hepatite C. A quantidade será definida pelos governos em concordância da demanda de cada país. A aquisição dos medicamentos será feita pelo Fundo Estratégico da OPAS/OMS. Equipes técnicas da instituição também apoiam o Ministério da Saúde no desenvolvimento de novos protocolos clínicos.

Transmissão e sintomas

O vírus da hepatite C é mais comumente transmitido por meio de transfusão de sangue não testado, compartilhamentos de seringas (como no caso do uso de drogas injetáveis) e reutilização ou esterilização não adequada de equipamentos médicos. A doença, mais raramente, também pode ser transmitida verticalmente (de mãe infectada para o bebê) e pela prática de sexo sem preservativo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), após a infecção inicial, 80% das pessoas não apresentam nenhum sinal da doença. As demais podem desenvolver hepatite aguda, caracterizada por sintomas como febre, fadiga, perde de apetite, náuseas, vômitos, dor abdominal, urina escura, fezes de cor cinza, dor nas articulações e icterícia (amarelamento da pele e do branco dos olhos). De cada 100 pessoas que tem contato com o vírus HCV, 80 evoluirão para infecção crônica.

O diagnóstico precoce pode evitar uma série de problemas decorrentes da infeção e também prevenir a transmissão do vírus. A OMS recomenda testes de hepatite C regulares para população de risco, que inclui: pessoas que utilizam drogas, pessoas privadas de liberdade e quem tem tatuagens ou piercings, entre outros.

Plano de ação

A OMS lançou em outubro de 2015 um plano de ação para prevenção e controle de hepatites virais e convocou seus Estados-Membros a priorizarem a hepatite C como uma questão de saúde pública, promovendo e integrando respostas abrangentes e estabelecendo metas específicas para enfrentar os desafios que essa doença infecciosa apresenta. “O documento estabelece metas, estratégias e objetivos para o controle das hepatites, com foco nos tipos A, B e C. O Brasil participou ativamente da elaboração do Plano conosco”, afirmou Sereno.

Novo marcador avalia risco de diabetes antes de exame mostrar glicose alta

31 JUL 2017
Novo marcador avalia risco de diabetes antes de exame mostrar glicose alta

Uma pessoa é diagnosticada com diabete tipo 2 quando alguns marcadores de concentração de açúcar no sangue mostram níveis acima de um certo limite.

Mas, muitos anos antes dessa elevação do nível glicêmico, o organismo já apresenta diversas alterações metabólicas que poderiam ser utilizadas como marcadores do risco de desenvolver a doença no futuro. Agora, um novo estudo realizado nos Estados Unidos, com participação brasileira, mostrou que alterações em proteínas que transportam o colesterol no sangue podem ser detectadas e utilizadas como um novo marcador para o risco de diabete.

Publicada na revista científica Journal of Clinical Lipidology, a pesquisa foi realizada por um grupo de cientistas na Universidade de Harvard (Estados Unidos). O primeiro autor do artigo é o cardiologista brasileiro Paulo Harada, pesquisador do Centro de Pesquisa Clínica e Epidemiológica da Universidade de São Paulo (USP) e da Divisão de Medicina Preventiva da universidade americana, onde atuou por dois anos com patrocínio da Fundação Lemann.

De acordo com Harada, a diabete afeta até 9% da população mundial e é uma das principais causas de enfarte, perda de visão, disfunção dos rins e problemas de circulação nos membros. “Esses riscos podem estar presentes ao longo da trajetória de anos ou décadas que antecedem o diagnóstico do diabete tipo 2”, disse Harada ao Estado.

 

Harada: 'Marcador detecta parte do risco que não é revelado pelos métodos tradicionais' Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

O cientista explica que a avaliação dos níveis de glicose no sangue é o padrão para o diagnóstico da diabete, mas não é capaz de detectar as outras alterações sanguíneas associadas ao risco quando a glicemia ainda é normal.

“Não estamos falando de um novo método diagnóstico, mas sim de um marcador de risco. A detecção precoce do risco de desenvolver a doença pode orientar medidas para evitar ou atrasar a instalação da doença e suas complicações", declarou.

Segundo Harada, muitos anos antes do diagnóstico de diabete já ocorre um processo de resistência insulínica - a incapacidade dos órgãos para absorver glicose em resposta à insulina. Nessa fase, porém, os desequilíbrios na taxa de açúcar do sangue são compensados por uma maior produção de insulina pelo pâncreas. Quando o pâncreas deixa de fazer essa compensação, a doença aparece.

"Na trajetória que antecede a diabete, a resistência insulínica está presente precocemente e já promove uma série de alterações nas subpartículas de lipoproteínas que têm a função de transportar o colesterol no sangue. O marcador se baseia na análise das concentrações de três dessas lipoproteínas: VLDL, LDL e HDL", explicou.

A partir dos valores das concentrações dessas lipoproteínas de resistência insulínica, os cientistas estabeleceram o marcador, batizado de LPIR, que consiste em uma pontuação que vai de 0 a 100. Quanto maior o valor, maior o risco de diabete.

Para validar o novo marcador, os cientistas analisaram dados de 25 mil mulheres que foram avaliadas ao longo de 20 anos nos Estados Unidos. A concentração das partículas que formam o LPIR foi medida por espectroscopia de ressonância magnética.

“As mulheres com pontuação de LPIR acima de 67 tiveram um risco 2,2 vezes maior de desenvolver diabete, em comparação às mulheres com pontuação menor que 30”, disse. Harada.

Cuidados para quem já tem o diagnóstico de diabetes

De acordo com o pesquisador, o estudo mostra que o LPIR estava associado a um risco maior de diabete mesmo nas mulheres sem histórico familiar da doença e com peso, glicose e outros parâmetros normais. “A conclusão é que esse marcador detecta parte do risco que não é revelado pelos métodos tradicionais.”

O risco de desenvolver diabete é classificado como "baixo" quando fica abaixo de 3%, "intermediário" quando fica entre 3% e 10% e como "alto" quando supera os 10%, segundo Harada. "Observamos que o marcador se mostrou especialmente preciso entre as pessoas com risco intermediário e poderia ser usado para reclassificar o risco desses pacientes de forma adequada", declarou.

Amostra saudável. Segundo Harada, dois estudos anteriores já sugeriam a associação entre as lipoproteínas de resistência insulínica e o risco de desenvolver diabete tipo 2 no futuro, mas o novo estudo tem resultados mais robustos por ter sido validado em um grande número de pessoas saudáveis.

"O que nosso estudo tem de excepcional é que ele detectou o risco de diabete ao longo de 20 anos, enquanto pesquisas anteriores observaram tal associação em períodos mais curtos. Além disso, avaliou pessoas mais saudáveis que nos estudos anteriores, portanto supostamente com baixo risco de diabete", explicou.

O médico destaca que a diabete tipo 2 pode ser evitada ou ter seu curso atrasado por melhora de dieta e atividade física. "Do ponto de vista da saúde pública, nosso estudo confirmou que a diabete é uma doença cuja evolução demora décadas antes que os sintomas apareçam - isso só reforça a necessidade de manter um estilo de vida saudável", disse.

Diabete cresce 300% no mundo; entenda a doença e veja se você corre riscos

"No contexto da atual epidemia de diabete tipo 2, esse marcador pode ser mais uma alternativa para identificar precocemente a silenciosa trajetória até a doença", afirmou Harada.

As pesquisas para que o marcador seja utilizado clinicamente em avaliações de risco de diabete, porém, ainda têm um longo caminho pela frente. "Ainda serão muitos passos. Teremos que gerar um corpo de conhecimento maior, incluindo estudos com outras populações e avaliações de custos, por exemplo", disse Harada.

Os riscos da maternidade depois dos 40

27 JUL 2017
Os riscos da maternidade depois dos 40

Gravidez após os 40 anos traz riscos?
“Eu acho que a minha avó, se calhar, já tinha perdido um bocadinho a esperança. A minha avó está com 89 anos… e se calhar achou que eu já não queria ser mãe. Quando lhe disse foi uma felicidade enorme. E foi também ver nos olhos dela reativada a esperança de que vai ser mais uma vez bisavó, de uma filha minha neste caso.” As palavras são de Sofia Cerveira, atriz e apresentadora de 41 anos, no sétimo mês de gestação de Vitória, a bebé que lhe trouxe a felicidade dos dias serenos e que lhe ensinou uma outra forma de se poder amar.

A maternidade de hoje em dia está a ser adiada para idades cada vez mais tardias. Apesar de os 25 anos serem normalmente considerados o pico da fertilidade feminina, fatores de ordem social, económica ou profissional estão a influenciar na opção por uma #gravidez numa idade mais avançada.

A base de dados Pordata divulga que, desde 1990, a idade média da mãe ao nascimento do seu filho aumentou de 27 para 32 anos de idade. Já o Instituto Nacional de Estatística refere que 20% dos nascimentos têm origem numa gravidez aos 35 ou mais anos.

As explicações para tais dados estatísticos podem ser de ordem diversa. As situações profissionais instáveis, as consequentes dificuldades financeiras ou mesmo a falta de uma base familiar sólida são muitas das vezes as razões apontadas para o adiamento da maternidade ser cada vez mais comum.

A instabilidade no emprego

Maria Clara Guedes, como Sofia Cerveira, aventurou-se na maternidade aos 40. Conta que as tentativas para engravidar já duravam há cerca de quatro anos e que contou com o apoio do Centro de Procriação Medicamente Assistida da Maternidade Alfredo da Costa para ultrapassar alguns problemas durante a gestação.

Depois de uma longa espera por uma situação profissional estável, Maria Clara confidencia que “mesmo aos 40 anos não tenho trabalho certo, mas é óbvio que a vontade de ser mãe acabou por falar mais alto. Sou professora contratada e todos os anos mudo de escola. Tenho trabalhado em mais do que uma escola para tentar completar o meu horário de trabalho. Naturalmente esta foi a principal razão para o adiamento da maternidade”.

A maternidade em idade avançada está fortemente conectada com o facto de a #Mulher de hoje em dia ter uma preocupação cada vez maior com a sua formação académica e consecutiva carreira profissional, o que, por consequência, acaba por atrasar a idade da gravidez.

Maria Clara advoga que não lhe parece existir uma idade certa para a primeira gravidez, mas explica que aos 25 anos a mulher é biologicamente mais fértil; “no entanto a vida académica e profissional da mulher não é compatível com este ideal físico”, pelo que o adiamento da maternidade é cada vez mais comum nos dias de hoje.

Uma das consequências da demora é que a gravidez depois dos 30 e 40 anos redobra os riscos de saúde para a mãe. Sucessivos abortos espontâneos que poderão conduzir à infertilidade, diabetes, obesidade e hipertensão são alguns dos fatores que podem complicar o período de gestação e contribuir para uma gravidez de risco.

Natália Pinto engravidou de forma não planeada e pela terceira vez aos 40 anos. Revela que, por imposição da idade, a ginecologista lhe determinou alguns cuidados – “durante a gravidez não podia pegar em pesos, não podia fazer esforços, tive de fazer dieta e estar bastante tempo de repouso”. Depois de seguir à risca as indicações da sua médica, Natália conta que o parto correu muito bem e a bebé nasceu de perfeita saúde. Mas podia não ser assim.

Apesar de uma maternidade tardia poder acalentar riscos para o bem-estar da mãe, também o próprio bebé não está imune à ocorrência de problemas de saúde. Um dos casos mais comuns é o parto em fase prematura, que leva ao redobrar dos cuidados após o nascimento do bebé. Outro dos riscos é a malformação a nível dos cromossomas, que pode conduzir ao desenvolvimento de deficiências e problemas genéticos, como o Síndrome de Down.

Para evitar todos esses riscos na gravidez, Natália confidencia que a mulher deveria fazer os possíveis para ser mãe ainda jovem e não deixar as questões da maternidade para idades tão avançadas, pois “a diferença de idades faz com que percamos a paciência mais rápido, faz com que deixemos de poder acompanhá-los tão facilmente. Se fôssemos mais novas certamente teríamos mais disponibilidade, até mesmo mais energia”. Maria Clara também partilha do mesmo sentimento e revela que, “caso tivesse engravidado mais cedo, teria maior capacidade física para acompanhar a fase mais exigente do bebé, que requer uma atenção constante”.

Apesar de genericamente acreditarem que a grande diferença de idades entre pais e filhos possa não ser benéfica para a relação de ambos, Maria Clara deixa escapar que aos 40 anos “conseguimos prescindir com maior facilidade de determinados tempos e atividades que tínhamos antes de sermos pais, em benefício do bebé”. Desta forma, poderá ser mais difícil para os pais jovens abdicarem do seu próprio tempo para o dedicarem por completo ao seu bebé.

Pressão familiar

Apesar de factualmente estarmos num ponto de mudança em relação à idade da maternidade, a sociedade parece ainda estar habituada ao ideal do nascimento do primeiro filho nos dois, três anos seguintes ao casamento. Parece existir uma espécie de pressão social em relação à mulher que não engravida quando entra na casa dos 30 anos. Maria Clara acredita “que haja ainda algum preconceito relativamente às mulheres que são mães mais tarde, mas também acredito que não valorizei demasiado este ou aquele comentário menos próprio”. Revela ainda que “não houve pressão do 1º anel familiar, mas que terá havido alguma pressão ‘saudável’ do 2º anel, com a tal pergunta anual: ‘então e bebés’?”.

Esta questão prende-se também com o papel da mulher desempenhado na sociedade, uma vez que ela ainda é vista como a mãe, a cuidadora da #Família, a educadora das crianças. A ausência de filhos retira-lhe o papel que supostamente lhe deveria pertencer em sociedade, desintegrando-a e excluindo-a. “As mulheres ainda são vistas como uma máquina reprodutora e quando se negam a fazê-lo é quase como se negassem a sua essência”, comenta Natália Pinto.

O peso dos hábitos no envelhecimento

19 JUL 2017
O peso dos hábitos no envelhecimento

Genética: informação ou condenação? Nada melhor do que estudar irmãos gêmeos para ter a resposta. Um teste com duas irmãs de 55 anos. Uma vive na cidade grande e a outra em fazenda. Elas têm a mesma herança genética, mas os testes mostraram que a irmã que vive na fazenda é, biologicamente, dois anos mais jovem. O teste reforça a ideia de que 75% da longevidade está relacionada aos hábitos. Apenas 25% aos genes. O geriatra e cardiologista Roberto Miranda explicou o peso dos hábitos na nossa idade biológica – a que realmente conta – independentemente dos aniversários.

Os genes influenciam bem menos na saúde que o meio ambiente. O meio pode mudar o funcionamento dos genes e levar a muitas alterações. Tudo que não está no nosso DNA é chamado de fator externo ou ambiental. Por isso, é preciso prestar atenção a esses fatores. São eles: dieta, exercício físico, estresse e poluição.

Hábitos ruins prejudicam o DNA. E o estresse é um deles. Crie ambientes e hábitos saudáveis. Coma alimentos com vitaminas e antioxidantes, faça atividade física e diminua os níveis de estresse.

Como você gostaria de envelhecer?

Uma das chaves da longevidade está em nossos músculos. Exercícios físicos ajudam a manter a massa muscular no decorrer da vida.

Uma universidada na Alemanha investigou quais seriam as melhores práticas. 40 voluntários foram divididos em 2 grupos. Metade fez aula de dança. Outra metade foi pra academia pedalar, correr ou nadar. Fizeram tudo isso 3 vezes por semana por 6 meses. Então os cientistas avaliaram o impacto dessas atividades: o exame de sangue detectou substâncias que os músculos liberam que indicam o quanto os músculos cresceram. Ao final dos 6 meses, os voluntários estavam com os músculos mais fortes, mas os dançarinos se saíram melhor. Ganharam 15% a mais de força muscular do que o outro grupo.

A sugestão é que cada um faça uma atividade física que dê prazer, assim você vai conseguir manter a regularidade do exercício.

Um teste bem simples vai te ajudar a descobrir se os seus músculos estão no caminho certo: Você tem que tirar os sapatos, ficar em pé e bem devagar com as pernas cruzadas ir descendo até se sentar no chão - sem ajuda dos braços, joelhos ou pernas. E ao levantar fazer o mesmo. Quanto menos tocar no chão com essas partes, melhor.

Jejum intermitente ajuda a perder peso e tratar diabetes, mas exige cuidados

17 JUL 2017
Jejum intermitente ajuda a perder peso e tratar diabetes, mas exige cuidados

O jejum intermitente tem ganhado grande notoriedade nos últimos anos entre as pessoas que desejam emagrecer. Esse tipo de dieta alterna períodos de jejum com períodos de alimentação; e quando feita corretamente, além de ajudar na perda de peso, pode contribuir também para o tratamento do diabetes tipo 2, o mais comum.

Hoje, o regime de jejum intermitente mais usado para emagrecer envolve 16 horas diárias sem qualquer tipo de alimentação sólida. O jantar é feito por volta das 20h, por exemplo, e depois a pessoa irá apenas almoçar no dia seguinte, às 12h. São duas refeições por dia (almoço e jantar). Entre as refeições, somente água à vontade. Em alguns casos, podem ser tomados também café e suco de limão, ambos sem açúcar.

Endocrinologista no Hospital Sírio-Libanês, o dr. Antonio Roberto Chacra conta que muitas pessoas estão aderindo a esse regime porque preferem poder comer mais, embora apenas duas vezes ao dia, do que várias pequenas porções. "O jejum intermitente tem-se mostrado tão eficaz como a dieta tradicional, pois o mais importante é o quanto você come e não quantas vezes você come", observa. "Por isso, é fundamental também não exagerar nessas duas refeições", acrescenta o médico.

Como o jejum intermitente ajuda a contralar o diabetes tipo 2?

O diabetes tipo 2 representa 90% dos casos dessa doença. Trata-se do diabetes que se desenvolve ao longo da vida, geralmente depois dos 45 anos de idade, em decorrência do excesso de peso e do sedentarismo. Já o diabetes tipo 1, responsável pelos outros 10% dos casos da doença, é aquele que costuma se manifestar a partir da infância ou adolescência e requer tratamento com aplicações de insulina.

Segundo explica o dr. Chacra, diferenciar os dois tipos de diabetes é fundamental, pois o jejum intermitente pode ser usado para tratar o diabetes tipo 2, mas é contraindicado para pacientes com o diabetes tipo 1. "Se uma pessoa com diabetes tipo 1 ficar várias horas sem comer, ela pode ter crises de hipoglicemia (nível muito baixo de glicose no sangue)", alerta.

Por contribuir diretamente com a perda de peso, o jejum intermitente funciona como um tratamento da resistência à insulina - condição de saúde que eleva o risco do diabetes tipo 2.

Além disso, esse regime também acaba "dando uma folga" para o pâncreas, explica o dr. Chacra. Nas pessoas com diabetes tipo 2, o pâncreas perde progressivamente sua capacidade de produzir insulina nas quantidades necessárias para eliminar a glicose absorvida após as refeições, fazendo com que as concentrações de açúcar no sangue subam. Com a diminuição de refeições estabelecidas pelo jejum intermitente, o pâncreas trabalha menos e contribui nos cuidados contra o diabetes tipo 2.

Posso fazer jejum intermitente?

O ideal é sempre consultarmos um médico para saber se podemos ou não fazer um jejum intermitente. Quem tiver tendência à hipoglicemia, como as pessoas com diabetes tipo 1, insuficiência hepática, insuficiência renal e anorexia nervosa, pode ter graves quedas de açúcar no sangue ao ficar horas sem comer.

Alguns sinais de hipoglicemia e que merecem atenção médica são:

- Tremedeira.

- Suores e calafrios.

- Irritabilidade.

- Confusão mental.

- Visão embaçada.

- Tontura.

- Taquicardia (coração batendo mais rápido que o normal).

O Hospital Sírio-Libanês conta com um Núcleo de Obesidade e Transtornos Alimentares, composto por uma equipe multiprofissional especializada nos mais diferentes cuidados referentes à obesidade e a outras alterações endocrinológicas; também possui um Centro de Diabetes - serviço de atendimento completo voltado a atender as necessidades específicas dessa doença.

Ansiedade exagerada é doença. Conheça as formas de tratamento

13 JUL 2017
Ansiedade exagerada é doença. Conheça as formas de tratamento

Quem nunca se sentiu tenso ou muito agitado por conta de um evento importante? Este é um sinal típico de ansiedade — sensação de expectativa que é benéfica quando nos estimula a ficar espertos para entrar em ação. No entanto, quando a ansiedade se torna excessiva, ela pode se transformar em doença.

Informações recentes divulgadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que o Brasil é o país com a maior taxa de prevalência de transtorno de ansiedade no mundo. Estima-se que 9,3% dos brasileiros sofram desse problema, enquanto que a média mundial é de 3,6%.

Quando a ansiedade vira um transtorno?

Psiquiatra no Hospital Sírio-Libanês, o dr. Antônio Hélio Guerra Vieira Filho explica que a ansiedade se torna um transtorno patológico quando passa a ser tão intensa que impede a realização de tarefas cotidianas. “A pessoa com transtorno de ansiedade pode sentir medo desproporcional diante de situações que está vivenciando, como fobia a insetos. Ela vê uma aranha e sai correndo”, descreve o médico. “O transtorno de ansiedade também pode causar ataques de pânico; temor a locais cheios (agorafobia) ou fechados (claustrofobia)”, acrescenta.

Alguns outros possíveis sinais de transtorno de ansiedade são:

- Sensação contínua de que um desastre ou algo muito ruim vai acontecer.

- Preocupações exageradas com saúde (hipocondria), dinheiro, família ou trabalho.

- Falta de controle sobre os pensamentos, imagens ou atitudes, que se repetem independentemente de sua vontade.

- Pavor depois de uma situação muito difícil, como assalto ou acidente.

Como a ansiedade é uma sensação que nos prepara para a ação, ela também pode causar alguns efeitos físicos decorrentes da descarga de adrenalina no organismo, por exemplo:

- Aceleração dos batimentos cardíacos (taquicardia).

- Suor em excesso (sudorese).

- Tremores.

- Tensão muscular.

- Aumento das secreções urinárias e fecais.

- Dor de cabeça.

Esses sinais e sintomas podem ocorrer frequentemente ou às vezes, mas são tão intensos que a pessoa se sente imobilizada. Diante de qualquer uma dessas situações, devemos procurar ajuda médica. As bebidas alcoólicas e outras drogas podem piorar o quadro desse transtorno e não devem ser consumidas como estratégia para diminuir a ansiedade.

Quem pode ter transtorno de ansiedade?

O transtorno de ansiedade pode afetar crianças e adultos, mas na maioria das vezes se desenvolve na faixa etária dos 20 aos 24 anos, sendo que na terceira idade é menos comum. “A mudança de fatores biológicos, psicológicos e sociais comuns na juventude contribui para que o transtorno de ansiedade se desenvolva principalmente nessa fase da vida”, explica o dr. Viera Filho.

Essa patologia tem um fator genético importante, ou seja, filhos de pais ansiosos têm um risco acrescido de desenvolver transtorno de ansiedade. No entanto, situações impactantes ao longo da vida, como traumas emocionais na infância, grandes sustos e perdas afetivas também podem desencadear um transtorno de ansiedade.

Como tratar o transtorno de ansiedade?

Geralmente, o médico psiquiatra é o profissional mais indicado para fazer o diagnóstico do transtorno de ansiedade. “Estamos falando de uma patologia que exige o uso de medicamentos ou psicoterapia”, explica o dr. Vieira Filho.

O tempo de tratamento e os remédios usados contra o transtorno de ansiedade devem ser estabelecidos pelo médico, sobretudo, porque alguns medicamentos benzodiazepínicos (conhecidos como tarjas pretas) podem causar dependência, depressão e prejuízos na memória a curto prazo, quando utilizados de forma descontrolada.

O Hospital Sírio-Libanês conta em seu corpo clínico com médicos psiquiatras especializados no diagnóstico e no tratamento do transtorno de ansiedade; e com um Núcleo de Cuidados Integrativos que oferece diversas práticas que podem ajudar na prevenção e no tratamento desse transtorno. Entre elas, kundalini yoga, meditação e técnicas corporal e de relaxamento.

O transtorno de ansiedade muitas vezes está relacionado também à depressão.

Os segredos da longevidade: veja dicas para manter o cérebro jovem e saudável

11 JUL 2017
Os segredos da longevidade: veja dicas para manter o cérebro jovem e saudável

Como ficar jovem por mais tempo? O que fazer para chegar bem aos 80, 90 anos? Recentemente o programa Bem Estar mostrou que algumas medidas podem ajudar.

A geriatra Jullyana Toledo falou sobre os alimentos que são fonte de juventude e o neurologista Rogério Panizuti explicou como manter a atenção e o foco por mais tempo. (confira) Escrever, caminhar, jogar baralho e aprender a tocar um instrumento podem ajudar o cérebro a ficar mais jovem. 

Os hábitos podem ajudar a ter uma vida mais longa e saudável. A alimentação é muito importante. Por isso, o ideal é comer alimentos protetores do envelhecimento, que são os antioxidantes, que retardam o envelhecimento das células.

Aposte em alimentos com a cor roxa, que contêm substâncias chamadas antocianinas. Elas são boas para os vasos sanguíneos e ajudam a manter a saúde do coração e cérebro. Entre os alimentos estão a batata doce roxa, uvas, repolho roxo, berinjela.

A atividade física também ajuda o cérebro. Quando praticamos uma atividade de intensidade moderada, os músculos produzem uma proteína, que cai na corrente sanguínea, vai para o cérebro e age nas conexões dos neurônios, melhorando as sinapses.

Além de exercitar o corpo, é importante cuidar do cérebro. Quando exercitamos o cérebro, o protegemos de toxinas que podem levar ao processo demencial, como Alzheimer, e preservamos a memória recente.

Para que nosso cérebro tenha benefícios efeitos é preciso aprender com qualidade. O bom treinamento exige foco e atenção, exercício desafiador, recompensa e repetição.

Nova resolução em análise pela Anvisa deve liberar aplicação de vacinas em farmácias

04 JUL 2017
Nova resolução em análise pela Anvisa deve liberar aplicação de vacinas em farmácias

Uma nova resolução que trata dos requisitos mínimos para serviços de vacinação no país está em fase de análise pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e, caso seja aprovada, permitirá que farmácias apliquem vacinas. Atualmente, somente clínicas de vacinação, que têm um médico como responsável técnico, estão autorizadas a oferecer o serviço fora do sistema público de saúde.

Entidades que representam os farmacêuticos defendem que a medida ampliará o acesso da população às vacinas. Já entidades médicas expressam temor de que a nova resolução possa reduzir as exigências atualmente aplicadas aos serviços de vacinação, o que acarretaria risco para a população.

A proposta já passou por uma consulta pública, em maio, e agora está na última etapa do processo de regulamentação antes da decisão final. O texto submetido à consulta não menciona as farmácias especificamente, mas abre essa possibilidade ao não limitar o serviço de aplicação de vacinas às clínicas. A regra estabelece como deve ser a estrutura física do estabelecimento que aplicará a vacina e determina que as vacinas que não estão contempladas pelo Programa Nacional de Vacinação do SUS somente poderão ser aplicadas mediante prescrição médica.

Em nota enviada ao G1, a Anvisa observa que a aplicação de vacinas em farmácias já estava prevista desde 2014, por meio da Lei 13.021/2014, que dispõe sobre os exercícios das atividades farmacêuticas. Porém, até hoje, a atividade não era colocada em prática por falta de um regulamento que tratasse do assunto.

Vacinas mais baratas

O Conselho Federal de Farmácia (CFF) afirmou, em nota, que a expectativa é que a Anvisa publique em breve a resolução “de forma a finalmente permitir a ampla participação das farmácias e dos farmacêuticos nessa importante ação de saúde pública”.

Na opinião do presidente da entidade, Walter da Silva Jorge João, a nova regra garantirá mais qualidade ao serviço – já que os farmacêuticos seriam profissionais habilitados por lei para a dispensação de imunobiológicos – e preços mais baixos. “Hoje, as clínicas especializadas chegam a cobrar preços 300% superiores aos dos insumos. Uma margem de ganho altíssima, regulada pela exclusividade de que as mesmas usufruem”, afirma.

Já o presidente da Associação Brasileira de Clínicas de Vacinas (ABCVAC), Geraldo José Barbosa, afirma que essa margem de lucro sobre os insumos é irreal. Segundo ele, a rentabilidade bruta fica, na verdade, entre 45 e 55%, com uma carga tributária de em média 20%.

Para o farmacêutico clínico Ismael Rosa, pesquisador do Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ), a capilaridade das farmácias deve contribuir para aumentar os índices de imunização no país. “Encontramos uma farmácia em cada esquina, então isso vai contribuir para atingir as metas de vacinação.” Um levantamento feito pelo ICTQ, com base em 2.061 entrevistas em todo o país, concluiu que 25% dos brasileiros afirmam que buscam ou desejam encontrar o serviço de vacinação nas farmácias.

Risco sanitário

Geraldo José Barbosa, da ABCVAC, considera que permitir a aplicação de vacinas em farmácias representa um risco sanitário: “Quem vai dar os primeiros socorros em caso de choque anafilático em uma farmácia?”

Ele também questiona se a atual estrutura de vigilância em saúde será suficiente para fiscalizar a segurança da aplicação de vacinas nas farmácias. “Hoje, por existir um número menor de clínicas, há um controle muito grande por parte do Ministério da Saúde. A partir do momento em que isso se amplia, há risco de perder esse controle.”

Na avaliação da médica Isabella Ballalai, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), o texto da proposta reduziu os critérios de exigência em relação ao serviço de vacinação existente no que diz respeito à estrutura física do local da vacinação – que não prevê a existência de uma maca, por exemplo – e também quanto à abolição do médico do serviço.

“É importante ter um médico para atender a eventos adversos. É raro que ocorram na hora, mas as pessoas voltam às clínicas por algumas situações e precisam que um médico habilitado e conhecedor das vacinas possa avaliar”, diz a especialista.

Ela destaca que o Brasil é um exemplo mundial no que diz respeito às imunizações. "Esse movimento todo [de permitir a aplicação de vacinas em farmácias] se baseia em políticas adotadas fora do Brasil e nós somos melhores do que Estados Unidos e Europa. Não é possível que, em uma das únicas coisas que fazemos melhor, vamos pegar o exemplo deles."

A Anvisa afirma que, para elaborar o texto da proposta de resolução, ouviu diversos interlocutores, especialmente o Ministério da Saúde. “Destaca-se que o regulamento proposto estabelece requisitos mínimos para prevenção de riscos à saúde, tendo em vista uniformizar as exigências para todos os estabelecimentos que oferecem o serviço e orientar aqueles que não têm tradição neste tipo de atividade, como é o caso de farmácias e drogarias”, informou a Anvisa.

Cientistas testam vacina contra colesterol para prevenir doenças cardíacas

30 JUN 2017
Cientistas testam vacina contra colesterol para prevenir doenças cardíacas

Depois de testes bem-sucedidos com camundongos, uma vacina que reduz o colesterol será testada em humanos.

A injeção foi desenvolvida para evitar que depósitos de gordura obstruam as artérias. Ela seria uma alternativa a pacientes que tomam diariamente comprimidos para reduzir o risco de derrame, angina e doenças do coração.

Pesquisadores da Universidade Médica de Viena vão avaliar a segurança de seu tratamento experimental em 72 voluntários.

Ainda levará pelo menos seis anos de testes para saber se o tratamento é seguro e eficiente o suficiente para uso em humanos, explicaram Guenther Staffler e sua equipe da Organização Holandesa de Pesquisa Científica Aplicada na publicação científica European Heart Journal.

Segundo os pesquisadores, mesmo que se torne disponível ao público, a vacina não deveria ser vista como uma desculpa para pessoas evitarem exercícios físicos e adotarem uma alimentação com alto nível de gordura.

A injeção ajuda o sistema imune do corpo a atacar uma proteína chamada PCSK9, que permitiria ao mau colesterol, o LDL, se acumular na corrente sanguínea.

Pesquisadores esperam que esse possa ser um reforço anual para aumentar a imunidade dos pacientes.

Em camundongos, o tratamento reduziu o LDL em 50% em um período de 12 meses e pareceu proteger contra o acúmulo de depósitos de gordura nas artérias (aterosclerose).

O que é colesterol?

O colesterol é uma substância gordurosa encontrada no sangue.

Todos precisam dela, mas o excesso do chamado colesterol ruim aumenta o risco de doenças cardiovasculares. O bom colesterol, ou HDL, por outro lado, é benéfico porque ajuda a transportar outros tipos de colesterol da corrente sanguínea para o fígado, onde ele é descomposto.

Algumas pessoas têm colesterol alto por uma condição genética chamada hipercolesterolemia familiar. Alimentação não saudável, alto consumo de álcool, fumo e inatividade também estão relacionados com o problema.

Pessoas com colesterol alto podem tomar medicamentos que reduzem seus níveis, chamados estatinas, e, com isso, também minimizar os riscos de doenças cardiovasculares.

Mas embora as drogas sejam baratas e eficazes, não funcionam em todo mundo. Algumas pessoas não gostam de tomar medicação diária ou se esquecem de tomá-la porque estão se sentindo bem. Além disso, em alguns casos é possível haver efeitos colaterais.

Por essas razões, pesquisadores têm investigado opções alternativas de tratamento no lugar das estatinas.

Próximos passos

A primeira fase de testes, em 72 voluntários, deve ser concluída no final deste ano. Isso vai definir se há problemas de segurança ou efeitos colaterais antes que estudos maiores com pessoas comecem.

Há uma preocupação de que a vacina terapêutica aumente o risco de diabetes - os pesquisadores da Universidade Médica de Viena estarão de olho nisso.

"Ainda há muitas perguntas sobre essa abordagem poder funcionar em humanos", comentou Tim Chico, cardiologista da Universidade de Sheffield.

"Essa é mais uma prova de que o colesterol provoca doenças do coração. E reduzir o colesterol diminui o risco de doenças do coração, então isso confirma a importância de um estilo de vida saudável para todos, e de medicamentos como estatinas para algumas pessoas."

Para o professor Nilesh Samani, da Fundação Britânica do Coração, encontrar novas formas de controlar os níveis de colesterol das pessoas é "absolutamente vital".

"Embora testada apenas em camundongos até o momento, essa vacina poderia levar a uma maneira simples de combater o colesterol alto e, em última instância, reduzir o risco de doenças do coração nas pessoas."

Paralisia facial pode ser revertida. Conheça suas principais causas e seus sintomas

28 JUN 2017
Paralisia facial pode ser revertida. Conheça suas principais causas e seus sintomas

Nosso rosto é repleto de músculos. São eles os responsáveis por nossas expressões faciais de alegria, tensão, medo; e por movimentos como piscar, bocejar e sorrir. Diante de uma paralisia facial, porém, essas reações podem ser prejudicadas.

A paralisia facial é um tipo de fraqueza da musculatura da face, que pode afetar diferentes extensões do rosto. "Trata-se de um problema de saúde com grande impacto social, pois a pessoa acaba perdendo algumas expressões faciais", comenta o prof. dr. Manoel Jacobsen, neurologista no Hospital Sírio-Libanês.

Quais as causas da paralisia facial?

Existem diversas doenças e problemas de saúde que podem causar algum tipo de paralisia facial, mas os mais comuns são o acidente vascular cerebral (AVC) e a paralisia de Bell.

O AVC, também conhecido como derrame cerebral, pode causar uma paralisia facial porque ele lesiona partes do cérebro que comandam os movimentos da face. "Como na face temos muito mais terminações nervosas do que em outras partes do corpo, como cotovelo e pé, por exemplo, a chance de essas musculaturas faciais serem atingidas durante um AVC é maior", explica o dr. Daniel Ciampi de Andrade, também neurologista no Hospital Sírio-Libanês.

A paralisia de Bell, doença descrita em 1981 pelo pesquisador escocês Charles Bell, é um tipo de inflamação que também pode causar paralisia facial. Acredita-se que essa doença seja provocada por um vírus específico da família herpes, que ao ser adquirido inflama os nervos da face, causando uma fraqueza nos músculos do rosto.

Segundo lembra o dr. Jacobsen, esse tipo de paralisia facial é muitas vezes associado a choques térmicos, como tomar vento ou friagem depois de sair do banho quente. Por isso, a paralisia de Bell também é conhecida por paralisia a frigore ("frio" em latim) ou paralisia por golpe de ar. No entanto, o médico explica que não há nenhuma base científica para essa associação. Segundo ele, trata-se apenas de uma coincidência. "A pessoa provavelmente já estava com o vírus causador dessa doença e a paralisia facial ocorreria independentemente do choque térmico", esclarece.

Sinais e sintomas da paralisia facial

Alguns dos sintomas mais comuns da paralisia facial, independentemente de qual seja sua causa, são:

- Dor no rosto.

- Zumbido e dor no ouvido.

- Dificuldade para piscar e fechar os olhos.

- Hipomimia facial (diminuição ou ausência de expressões faciais).

- Dificuldade de pronunciar algumas palavras, em especial aquelas com as letras P ou B.

- Dificuldade para engolir.

Diante de um ou mais sintomas como esses, devemos procurar ajuda médica. A paralisia facial pode ocorrer em pessoas de qualquer idade, mas é mais comum nos adultos, pois eles tendem a ser mais afetados pelas diversas causas desse distúrbio.

Como tratar a paralisia facial?

O tempo da paralisia facial varia conforme a causa, o tipo de lesão do nervo, a idade do paciente, entre outros fatores. A paralisia de Bell, por exemplo, é momentânea e pode ser restabelecida sozinha em menos de seis meses. No entanto, qualquer tipo de paralisia facial exige cuidados médicos, e quanto mais rápido procurarmos ajuda, melhores serão as condições de tratamento.

O tratamento da paralisia facial geralmente envolve reabilitação com fisioterapia e fonoaudiologia para impedir que os músculos se contraiam de forma permanente. Nesse caso, pode ser necessária a realização de procedimentos cirúrgicos.

Os cuidados oftalmológicos também merecem atenção especial durante as paralisias faciais. Como os músculos das pálpebras podem ser afetados, a pessoa tende a ter dificuldade em piscar e lubrificar os olhos. Por isso, colírios específicos costumam ser receitados pelo médico.

O Hospital Sírio-Libanês conta em seu corpo clínico com diversos médicos neurologistas especializados no diagnóstico e no tratamento de paralisias faciais, e um Centro de Reabilitação com experiência no atendimento de pacientes com esse distúrbio.

O tratamento da paralisia facial no Hospital Sírio-Libanês é multidisciplinar, envolvendo, além de médicos neurologistas e oftalmologistas, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, entre outros.

Nem sempre é a memória: Alzheimer afeta visão, linguagem e motivação

26 JUN 2017
Nem sempre é a memória: Alzheimer afeta visão, linguagem e motivação

O mal de Alzheimer costuma ser associado a momentos de falta de memória, no entanto, nem sempre a memória é prejudicada no início da doença. Os sintomas podem se manifestar em problemas na linguagem, desorientação espacial ou mesmo falta de motivação, alerta Marek-Marsel Mesulam, diretor de neurologia cognitiva da Universidade de Northwestern.

A descoberta muda o diagnóstico clássico da doença, que afeta mais de um milhão de pessoas no Brasil, segundo o Ministério da Saúde. Uma boa memória passa a não ser suficiente para descartar o Alzheimer como doença possível em seus primeiros sintomas.

"Há uma tendência de achar que Alzheimer é uma doença de memória que atinge os mais velhos, mas na verdade há diferentes tipos de Alzheimer". Afirma Mesulam.
"Algumas vezes a memória é o maior problema, mas não é sempre."

O neurologista norte-americano explica que são quatro os tipos de Alzheimer diagnosticados entre os 40 e 70 anos. Um deles afeta principalmente a memória, e é o tipo mais conhecido.No entanto, em outras três formas, o paciente pode não ter qualquer sintoma de falta de memória no início da doença.

O sintoma principal pode ser a afasia, quando a pessoa não encontra as palavras sistematicamente na hora de se expressar. Em outro tipo, há uma acentuada perda de motivação em atividades pelas quais a pessoa costumava se interessar ou por pessoas de seu círculo social, ou ainda elas estão fazendo coisas inapropriadas "comprando demais, comendo demais"...

Em uma quarta forma da doença, os primeiros sintomas aparecem com dificuldades de orientação.

"O paciente não encontra as coisas, em casos mais dramáticos não veem os objetos mesmo quando estão à sua frente, parece que ele está sempre olhando para o lugar errado. Às vezes, o paciente não consegue fazer a cama por não achar a orientação correta do lençol."

Mudança no diagnóstico, alteração no tratamento

A importância desse novo olhar é a busca de um diagnóstico precoce correto, quanto mais cedo o diagnóstico, antes é possível começar o tratamento que retarda a doença, tendo em vista que ainda não há cura.

Segundo o pesquisador, a doença já está presente no cérebro do pacientes muitos anos antes dos primeiros sintomas.

"É importante saber que nem todo Alzheimer é igual, os tratamentos psicossociais devem ser diferentes", lembra Mesulam. A terapia usada para pessoas com problemas graves de memória não vai funcionar para um paciente que tenha problemas de linguagem, por exemplo.

A predominância dos tipos de Alzheimer que não tem a memória como sintoma principal pode chegar a metade dos casos entre pacientes de 40 a 70 anos, estima o pesquisador norte-americano.

O quadro foi apresentado no Congresso Mundial de Cérebro, Comportamento e Emoções, que aconteceu em Porto Alegre.

Em relação aos medicamentos, Mesulam diz que, teoricamente, as drogas devem funcionar para todos os tipos. No entanto, são necessários estudos específicos.

Envelhecimento da população acende alerta

Em 2010, o Brasil tinha 16,9 milhões de idosos (10% da população brasileira). A estimativa do IBGE é de que essa população triplique até 2050, chegando a 66,5 milhões de pessoas.

A doença é mais comum conforme a idade avança. Em um estudo brasileiro de 2004, Ricardo Nitrini, professor da USP (Universidade de São Paulo), observou que, após os 65 anos, a taxa de demência dobra a cada 5 anos.

O Alzheimer é responsável por mais da metade dos casos de demência acima dos 65 anos, segundo o Ministério da Saúde.

Ainda pouco se sabe sobre como evitar o Alzheimer, no entanto, ao que parece, ter atividades desafiadoras para a mente aumenta o número de conexões criadas entre as células nervosas, e isso retarda os sintomas mais graves da doença.

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