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Conhece o exame de escore de cálcio para o coração? Pois deveria

22 JUN 2017
Conhece o exame de escore de cálcio para o coração? Pois deveria

O exame que avalia a presença de cálcio nas artérias do coração – um forte indício de obstruções ali – foi objeto de um estudo da americana Universidade Vanderbilt. Cerca de 3 mil voluntários foram acompanhados por uma década. Todos passaram pelo teste, feito numa tomografia. A conclusão? Aqueles que possuíam o mineral nos vasos sofreram cinco vezes mais doenças como infarto.

“Quanto maior a calcificação, maior o risco cardiovascular”, atesta o cardiologista Marcelo Haldich, do Richet Medicina & Diagnóstico, no Rio de Janeiro. A partir do resultado, é possível adotar medidas e fugir de problemas futuros.

O escore de cálcio, porém, só é indicado para quem passou dos 40 anos, não usa estatina, não apresenta sintomas e tem uma probabilidade intermediária de piripaques. Exames de sangue e a angiotomografia também avaliam o risco cardíaco.

O que é a menopausa

20 JUN 2017
O que é a menopausa

Menopausa é o período fisiológico após a última menstruação espontânea da mulher. Nesse espaço de tempo estão sendo encerrados os ciclos menstruais e ovulatórios. O início da menopausa só pode ser considerado após um ano do último fluxo menstrual, uma vez que, durante esse intervalo, a mulher ainda pode, ocasionalmente, menstruar.

Esse tempo de transição que antecede a menopausa é chamado de climatério. Ele representa a passagem da fase reprodutiva da mulher para a não reprodutiva. O organismo deixa de produzir, de forma lenta e gradativa, os hormônios estrogênio e progesterona.

A menopausa é mais um estágio na vida da mulher. Nesse período ocorrem transformações no organismo feminino, que aumentam a possibilidade de aparecimento e agravamento de doenças.

Não há uma idade exata para a menopausa: ela varia de mulher para mulher. Em média, ocorre entre os 45 e 55 anos. Pode acontecer antes dessa fase, de forma espontânea ou cirúrgica – a chamada menopausa precoce. A menopausa cirúrgica ocorre após a retirada dos ovários ou do útero. Quando aparece após os 55 anos, é intitulada menopausa tardia.

SINTOMAS

Apesar de não haver uma data pré-estabelecida para o início do climatério (período de transição para a menopausa), algumas mudanças no corpo feminino indicam a chegada da menopausa. A intensidade ou a duração do fluxo menstrual modifica-se, tende a ficar mais espaçada, até parar.

Durante o climatério, é comum as mulheres sentirem outros sintomas físicos e comportamentais. Os principais sintomas da menopausa são:

- Ausência da menstruação;

- Ressecamento vaginal (secura);

- Ondas de calor;

- Suores noturnos;

- Insônia;

- Diminuição no desejo sexual;

- Diminuição da atenção e memória;

- Perda de massa óssea (osteoporose);

- Aumento do risco cardiovascular;

- Alterações na distribuição da gordura corporal;

- Depressão.

Nessa fase, é ideal que a mulher faça consulta regulares com outros profissionais além do ginecologista habitual, especialmente com o cardiologista e, se necessário, o psicólogo. Devido à redução do metabolismo ocasionado pela idade, pode haver ganho de peso, aumento do nível do colesterol e, consequentemente, da Pressão Arterial. Para evitar esses sintomas, recomenda-se a visita ao cardiologista uma vez por ano, para que assim o profissional possa orientar exercícios físicos adequados. Em casos de baixa autoestima e depressão, o psicólogo é o profissional que dará o suporte necessário para a superação dessa fase repleta de desafios.

DIAGNÓSTICOS

Não há uma data certa para a menopausa ocorrer, no entanto há um indicativo para saber se a mulher está no climatério. O principal sintoma é a escassez da menstruação.

Ir regularmente ao médico é importante para confirmar se, de fato, a mulher entrou na menopausa. Em algumas mulheres, a menstruação vai se espaçando com um intervalo cada vez maior, até parar. Em outras, cessa de uma vez. “Só se saberá que é a última depois de um ano sem nenhum sangramento. Então se confirma que a mulher não pode mais ficar grávida”, declara o ginecologista e psicólogo Jorge José Serapião, professor do Instituto de Ginecologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Se a mulher toma pílula, pondera ele, o diagnóstico é mais difícil. Serapião avisa que “a pílula cria um ciclo artificial. Em determinada idade, se surgirem contraindicações ao seu uso, pode haver a necessidade de troca por dispositivos intrauterino (DIU) ou algum método definitivo, como ligadura de trompas”, explica o ginecologista e psicólogo.

Alguns tipos de DIU com progesterona também dificultam o diagnóstico, porque suspendem artificialmente a menstruação. “Se a mulher quiser ter certeza de que está na menopausa, não existirá a necessidade de retirar o DIU. Podem ser realizadas as dosagens hormonais, como as do FSH e LH, na faixa próxima a dos 50 anos”, comenta Serapião.

EXAMES

Durante o climatério, a consulta com o ginecologista deve continuar regularmente. O ginecologista e psicólogo Jorge José Serapião, professor do Instituto de Ginecologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), explica que a visita ao médico e o exame clínico nessa nova etapa continuam sendo importantes. “De modo geral, as mulheres tendem a diminuir as visitas ao médico, mas o ideal seria que a frequência de uma vez ao ano não fosse alterada.”

Para detectar o início da menopausa, o exame clínico, em certos casos, é mais preciso, assim como o exame manual das mamas em relação à mamografia. É também através dos relatos da mulher ao seu médico que é possível analisar as variações na concentração dos hormônios, como progesterona, estrogênio e FSH.

De acordo com os eventuais sintomas, o médico poderá solicitar exames complementares. Caso suspeite de anemia, o especialista poderá solicitar um hemograma. Os exames mais solicitados são a mamografia, a ultrassonografia e o papanicolau. Para ajudar na detecção precoce de doenças, o ginecologista pode pedir ultrassom transvaginal e exames de sangue.

TRATAMENTOS E CUIDADOS

O método mais eficaz de tratar a menopausa é a terapia de reposição hormonal. Ela traz de volta ao organismo os hormônios estrogênio e progesterona, de modo a amenizar e/ou reverter os sintomas da menopausa, tais como ondas de calor, depressão, ressecamento vaginal, falta de libido, entre outros.

O tratamento é realizado por meio de comprimidos, adesivos ou géis que repõem o estrogênio. Os medicamentos mais recomendados são comprimidos para consumo diário, que contêm progesterona e hormônio esteroide feminino para proteger o útero.

Outro método utilizado é o uso da pílula anticoncepcional, no qual a mulher toma por três semanas e faz um intervalo de sete dias. A grande diferença entre a “pílula” e o comprimido de terapia hormonal é a concentração de hormônios, isso porque no tratamento hormonal é usado o estrogênio natural em doses mínimas, apenas o suficiente para que a mulher se sinta bem. Já a pílula possui estrogênio sintético e seu objetivo maior é evitar a gravidez.

O tratamento hormonal pode ser realizado por meio de medicamentos com progesterona e hormônio esteroide, apenas com estrogênio, ou, em alguns casos, com hormônio masculino – a testosterona. Há também os tratamentos não hormonais que procuram amenizar os sintomas sem repor os hormônios em queda. Alguns desses tratamentos usam inibidores de receptação de serotonina, clonidina, cinarizina. Ainda há tratamento sem medicação, como acupuntura, relaxamento, etc.

O tratamento para a menopausa varia de acordo com o perfil de cada paciente. É necessário primeiramente analisar as condições físicas, como a Pressão Arterial, para então escolher o tratamento adequado para cada mulher. Os primeiros resultados da reposição hormonal aparecem, geralmente, após um mês do início do tratamento.

CONVIVENDO

Dúvidas sobre a Menopausa

Com sintomas tão abrangentes, que vão de ondas de calor a depressão – não é à toa que tantos mitos envolvam o climatério –, a transição entre a fase reprodutiva e a não reprodutiva tem como marco a última menstruação. Como esse período traz um quadro muito particular de sintomas e tratamentos para cada mulher, é natural que surjam várias dúvidas. Por isso, é importante consultar seu médico ginecologista, uma vez que somente ele poderá tirar todas as dúvidas sobre a terapia de reposição hormonal. Confira os mitos e verdades sobre essa importante etapa na vida de todas as mulheres:

A reposição hormonal é obrigatória para todas as mulheres?

Mito. A terapia de reposição hormonal (TRH) é indicada para mulheres que têm sintomas relacionados à falta de estrogênio, como ondas de calor, sudorese noturna, secura vaginal, insônia e etc. Outra vantagem do tratamento é a prevenção da osteoporose. Quanto à doença cardiovascular, a TRH não é mais usada para prevenção, a qual é feita com atividade física e controle dos fatores de risco. Segundo o ginecologista Marcel da Associação de Obstetrícia e Ginecologia de São Paulo (Sogesp), algumas mulheres não sentem nenhuma alteração em seu bem-estar e, por isso, não precisam de terapia hormonal. Há mulheres que sentem um único sintoma e que pode ter tratamento específico.

Em alguns casos, a reposição é contraindicada, como histórico ou tendência de câncer de mama e trombose . O estrogênio reposto pela terapia hormonal pode aumentar o risco dessas doenças se desenvolverem. A influência, porém, é pequena, diz Steiner. “Um estudo mostra que, entre as mulheres que não fazem terapia hormonal, a ocorrência de câncer de mama anual é de 30 casos por grupo de 10 mil pessoas. Nas mulheres que fizeram terapia hormonal, o número sobe para 38.”, afirma o especialista.

A terapia de reposição hormonal estimula o bem estar, deixando a pele e o cabelo mais bonitos?

Verdade. A reposição hormonal melhora a elasticidade da pele e da mucosa. Além disso, o cabelo tende a ficar mais bonito e volumoso. Em geral, são mudanças sutis, embora perceptíveis pela própria paciente.

O tratamento de reposição hormonal facilita o ganho de peso?

Mito. Dependendo do tipo de terapia hormonal, pode haver ganho de peso por conta do inchaço. No entanto, não ocorre o ganho calórico. Há dois fatores que influenciam os quilinhos a mais nessa fase: a queda do estrogênio (parcialmente compensada pela reposição hormonal) e, sobretudo, o envelhecimento, que reduz o ritmo do metabolismo. Segundo especialistas, a falta de estrogênio aumenta o risco de acúmulo de gordura na barriga, como o que acontece nos homens. Isso aumenta o risco de diabetes, colesterol e doenças cardiovasculares.

O tratamento de reposição hormonal pode provocar doenças cardiovasculares?

Depende. Se a mulher faz o tratamento quando está entrando no climatério, ele ajuda a diminuir a incidência de doenças cardiovasculares. Se já se passaram cinco ou sete anos da última menstruação e o tratamento é feito, o risco aumenta.

O estrogênio é um hormônio que ajuda a evitar doenças cardiovasculares – por isso o homem que não tem essa substância sofre mais infarto e acidente vascular cerebral (AVC, também chamado de derrame). Quando a mulher entra no climatério, sua produção de estrogênio diminui gradualmente, até parar por completo, o que tende a intensificar o depósito de gordura em veias e artérias. Após alguns anos, ela já sofre os efeitos de não ter esse hormônio. Se, depois disso, você der estrogênio para essa mulher, ele vai trazer problemas para o vaso, cuja placa de aterosclerose pode evoluir para ruptura e trombose, e, dependendo do órgão acometido, causar infarto do miocárdio ou derrame.

Não por acaso, a principal causa de morte da mulher na pós-menopausa são as doenças cardiovasculares. Se ela não faz terapia hormonal, tem que se exercitar e manter uma dieta equilibrada para que o coração se mantenha saudável. Além disso, também é feita a terapia hormonal.

O tratamento reverte sintomas do climatério, como falta de libido e secura vaginal?

Verdade. A terapia hormonal é o mais eficaz dos tratamentos. É também amplo: melhora a pele, protege os ossos e o coração, além de diminuir a secura vaginal.

Podem ocorrer sangramentos durante o tratamento?

Verdade. Pode ser um efeito colateral do remédio, às vezes porque não se acertou a dose. É muito mais um problema com o medicamento do que com a paciente em si. Este tipo de tratamento costuma melhorar com o tempo de uso do medicamento.

Há diferentes tipos de tratamentos. Quando a paciente tem útero, usam-se estrogênio e progesterona (esta protege contra câncer de endométrio). Para as mulheres que não têm útero, utiliza-se somente o estrogênio. Neste tipo de tratamento, os riscos de câncer de mama são quase nulos.

Existe relação entre a idade em que a mulher tem a primeira menstruação (menarca) e a última (menopausa)? Se ela teve a primeira menstruação cedo, com 11 anos, a última delas vai ser cedo também, com 40 anos?

Mito. A única relação é com a carga genética. O período em que a paciente vai entrar na menopausa é parecido com o que a mãe passou.

A mulher que tomou pílula anticoncepcional por muito tempo vai demorar a entrar na menopausa?

Mito. O anticoncepcional não influencia na data de início do climatério.

Cientistas desenvolvem antibiótico mil vezes mais potente

16 JUN 2017
Cientistas desenvolvem antibiótico mil vezes mais potente

Diante do alerta de entidades como a Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre o uso indiscriminado de antibióticos e o aumento da resistência das bactérias a esses medicamentos, cientistas do The Scripps Research Institute (TSRI), dos Estados Unidos, desenvolveram uma droga que promete ser mil vezes mais potente em relação às do mercado.

O experimento foi realizado usando como base a vancomicina. Liderados pelo pesquisador Dale Boger, os cientistas descobriram como mudar a estrutura da droga, deixando-a ainda mais poderosa.

Médicos poderiam usar esta forma modificada de vancomicina sem medo de resistência emergente; garantiu Boger, ao site do TSRI.

Chamada por Boger de "mágica", a vancomicina já havia sido alvo de um estudo anterior, no qual os cientistas a alteraram duas vezes para torná-la mais potente.

Na pesquisa mais recente, publicada no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences, os pesquisadores acrescentaram uma terceira mudança na substância. Essa alteração interfere diretamente nas paredes celulares das bactérias. Somadas, essas três modificações na vancomicina resultaram em um produto mil vezes mais potente, o que significa que os médicos precisariam de menos antibióticos para combater infecções, pois o medicamento agiria em três diferentes frentes: Organismos não podem trabalhar simultaneamente para encontrar formas de escapar de três mecanismos diferentes de ação. Mesmo que achassem uma solução para um deles, os organismos ainda seriam mortos pelos outros dois; explicou o pesquisador. Após anunciarem o achado, os especialistas têm como objetivo reduzir o número de etapas necessárias para sintetizar a vancomicina.
Atualmente, são necessários 30 passos para obter o produto final.

SUS passa a oferecer novo medicamento para esclerose múltipla

14 JUN 2017
SUS passa a oferecer novo medicamento para esclerose múltipla

O Sistema Único de Saúde (SUS) vai oferecer mais um medicamento para pacientes diagnosticados com esclerose múltipla, a teriflunomida, que ajuda a reduzir os surtos e a progressão da doença. De acordo com o Ministério da Saúde, o remédio será o primeiro medicamento da primeira linha de cuidado, por via oral.

O tratamento estará disponível nas unidades de saúde de todo o país em até seis meses e deve atender a cerca de 12 mil pacientes que já são tratados na rede pública, além dos novos casos.

A esclerose múltipla afeta adultos na faixa de 18 aos 55 anos de idade. No Brasil, a taxa de prevalência da doença é de aproximadamente 15 casos por 100 mil habitantes.

Há quatro formas de evolução clínica: remitente-recorrente, primariamente progressiva, primariamente progressiva com surto e secundariamente progressiva. A forma mais comum é a remitente-recorrente, representando 85% de todos os casos no início de sua apresentação.

A esclerose múltipla é uma doença autoimune que acomete o sistema nervoso central, causando desmielinização e inflamação. O quadro clínico se manifesta, na maior parte das vezes, por surtos ou ataques agudos, podendo entrar em remissão de forma espontânea ou com o uso de corticosteroides.

Os sintomas mais comuns são neurite óptica, paresia ou parestesia de membros (sensações como formigamento, pressão, frio ou queimação), disfunções da coordenação e equilíbrio, mielites, disfunções esfincterianas e disfunções cognitivo-comportamentais, de forma isolada ou combinadas.

Atendimento

Atualmente, o SUS oferece seis medicamentos para o tratamento da doença: betainterferona (1a injetável e1b injetável); fingolimode 0,5mg; glatiramer 20 mg injetável; natalizumabe 300 mg; azatioprina 50 mg e o metilprednisolona 500mg. Além disso, o sistema público tem 277 hospitais habilitados como Unidade de Assistência ou Centro de Referência de Alta Complexidade em Neurologia/Neurocirurgia em todo o país.

Problemas respiratórios aumentam 17 vezes o risco de infarto

07 JUN 2017
Problemas respiratórios aumentam 17 vezes o risco de infarto

Um estudo australiano, realizado por pesquisadores da Universidade de Sydney, descobriu que o risco de ter um ataque cardíaco aumenta em até 17 vezes depois de um quadro de infecção respiratória, como pneumonia, gripe ou bronquite.

"Nossos resultados confirmam o que sugeriam estudos precedentes: que uma infeção respiratória pode desencadear um ataque cardíaco", explica o professor Geoffrey Tofler, principal autor do estudo e cardiologista da Universidade de Sydney e do Royal North Shore Hospital.

A pesquisa, publicada no Internal Medicine Journal, analisou 578 pacientes que sofreram um infarto como consequência do bloqueio de uma artéria coronária. Para entender essa relação, os médicos questionaram os pacientes se haviam apresentado dor de garganta, tosse, febre, dor no seio, sintomas de gripe, ou se eles declararam ter sido diagnóstico de pneumonia ou bronquite nos dias que antecederam problema no coração.

Além disso, também foram observados pessoas com infecções no trato respiratório, incluindo gripe, faringite, rinite e sinusite. "Os dados mostram que este risco não aumenta necessariamente logo após o surgimento dos sintomas da infecção, mas sim nos primeiros sete dias, e se mantém elevado durante um mês, apesar de uma redução gradativa", comentou o pesquisador.

Os resultados indicaram que 17% dos voluntários da pesquisa relataram sintomas de infecção respiratória dentro de sete dias antes do ataque cardíaco e 21% descreveram sintomas por volta de 31 dias antes. Já os pacientes que tiveram infecções menos graves do trato respiratório superior, que afetam as vias aéreas, nariz e garganta, o risco foi 13 vezes maior.

"Embora as infecções respiratórias superiores sejam menos graves, elas são muito mais comuns do que os sintomas do trato respiratório inferior, por isso é importante entender sua relação com o risco de ataques cardíacos, especialmente quando estamos chegando ao inverno" destaca Geoffrey Tofler.

De acordo com dados do Incor (Instituto do Coração), os infartos aumentam 30% no inverno, tendo três razões principais para esse crescimento de casos: elevação das infecções respiratórias, contração dos vasos sanguíneos e maior produção de substâncias pelo fígado que favorecem a formação de coágulos.

"Entre as possíveis razões pelas quais uma infecção respiratória pode desencadear um ataque cardíaco está a tendência crescente de coagulação do sangue, inflamação e toxinas prejudiciais aos vasos sanguíneos, incluindo mudanças no fluxo de sangue", afirmou o cardiologista.

Cientistas estão mais próximos de produzir células-tronco do sangue em laboratório

05 JUN 2017
Cientistas estão mais próximos de produzir células-tronco do sangue em laboratório

Os cientistas estão mais perto de produzir células-tronco do sangue (HSC, sigla em inglês) , ou células-tronco hematopoiéticas, em laboratório, de acordo com dois estudos publicados pela revista “Nature”.

O desenvolvimento desta tecnologia poderia ajudar em terapias celulares, na detecção de drogas e no desenvolvimento de estudos para o combate à leucemia. O sistema completo de sangue dos mamíferos pode ser restaurado a partir de um única célula-tronco hematopoiética, de acordo com o artigo da revista.

O processo natural de formação dessas células ocorre assim: ainda no embrião, as primeiras HSCs são desenvolvidas a partir de células endoteliais (que revestem as “paredes” dos vasos sanguíneos) com genes hematopoiéticos. O mecanismo por trás desta conversão ainda precisa ser mais estudado, mas é importante para o sucesso da geração de células-tronco do sangue feitas em laboratório.

Os dois estudos "imitam" esse processo natural. No primeiro deles, de autoria George Daley e Ryohichi Sugimura, com a ajuda de uma equipe, usaram células de outro tipo no início, as células-tronco pluripotentes (PSCs, sigla em inglês) e, após uma série de conversões em laboratório, foram transformadas em HSCs.

Já em outro artigo, liderado por Shahin Rafii, foram usadas as células que revestem as paredes dos vasos sanguíneos, as endoteliais, de camundongos adultos, para convertê-las em HSCs. O mecanismo complexo utiliza o mapa genético de cada uma das células, entre outras técnicas de edição genética.

Em sua reportagem, a revista “Nature” acredita que os dois artigos, mesmo que necessitem de mais estudos, mostram que “a longa jornada para traduzir a promessa das pesquisas com células-tronco para benefício direto do paciente pode ter se tornado um pouco mais curta”.

 

Os 4 irmãos centenários que podem ajudar a desvendar o segredo genético da longevidade

01 JUN 2017
Os 4 irmãos centenários que podem ajudar a desvendar o segredo genético da longevidade

Quatro irmãos que viveram até depois dos 100 anos são peças centrais de um estudo que há duas décadas investiga os genes por trás da longevidade.

Nenhum dos irmãos Kahn, que nasceram em Nova York na década de 1910, se importava em ter hábitos muito saudáveis. Mesmo assim, eles viveram até os 102, 107, 109 e 110 anos.

A irmã mais velha, Helen, fumou por mais de 90 anos. "Ela dizia que o segredo de sua vida longa era exatamente ela ter fumado tanto", contou à BBC Brasil Nir Barzilai, diretor do Instituto para Pesquisa do Envelhecimento na Faculdade de Medicina Albert Einstein, em Nova York.

Barzilai coordena desde 1998 o Projeto dos Genes da Longevidade, que investiga o material genético e o histórico médico de 670 idosos e seus filhos. Fazem parte do estudo judeus asquenazes - provenientes da Europa Central e do Leste e que têm um material genético historicamente mais homogêneo, ideal para a pesquisa.

Na época da coleta de amostras, eles tinham idades entre 95 e 112 anos, e eram todos saudáveis. Boa parte, como os irmãos Kahn, já faleceu, mas seus genes continuam trazendo novas respostas sobre como é possível viver tanto.

"Fico fascinado por pessoas como os Kahn; me intriga como a idade cronológica de alguns parece não combinar com a biológica", comenta Barzilai. "E em centenários, hoje já temos evidências de que a genética tem um papel muito maior que o ambiente".

Nir Barzilai há quase duas décadas estudas os genes da longevidade (Foto: J. Torres Photograpy)

Entre os irmãos Khan, Irving começou sua carreira antes da Grande Depressão, de 1929, e há três décadas coordenava o fundo de hedge Kahn Brothers Group, que ele próprio fundou. Até os 106 anos, ele ainda trabalhava todos os dias na movimentada Wall Street e gerenciava US$ 700 milhões (R$ 2,7 bilhões) em ativos.

"Eu pagaria se você tirasse (o trabalho) de mim, eu o compraria de volta", disse Irving numa entrevista concedida para a pesquisa aos 104 anos, cinco anos antes de sua morte, em 2015.

Irving também fumou por anos. Aliás, entre os centenários do estudo, 30% das mulheres e 60% dos homens fumaram durante a maior parte da vida. Além disso, 50% eram obesos e 50%, sedentários. Mesmo assim, eram mais saudáveis que os demais indivíduos do estudo (o grupo controle).

Barzilai faz questão de ressaltar que os hábitos saudáveis e o avanço da medicina continuam sendo essenciais para a longevidade dos humanos.

A população mundial de centenários vem, inclusive, crescendo com o passar dos anos: de 2,9 centenários em cada dez mil adultos em 1990 para 7,4 em dez mil, em 2015, segundo a ONU.

Mas a principal conclusão de Barzilai é que há genes que protegem os humanos de doenças relacionadas ao envelhecimento, como câncer, doenças cardiovasculares e neurológicas.

O bom colesterol

No caso dos irmãos Kahn (e de outros indivíduos pesquisados), as análises encontraram mutações em dois genes - CETP e APOC3 - que elevam os níveis de HDL, o "bom colesterol".

Enquanto os níveis normais de HDL da população ficam entre 40-50 mg/dL para homens, e 50-59 mg/dL, para mulheres, os indivíduos da pesquisa tinham em média 147 mg/dL.

O alto HDL, por sua vez, mostrou proteger contra o declínio cognitivo e o mal de Alzheimer.

"A maioria da população não tem estas mutações, mas muitos centenários as têm", comenta Barzilai. "Com base nessas informações, já há estudos sendo feitos por farmacêuticas para imitar a ação dessas mutações genéticas em medicamentos".

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Irmãos Kahn nasceram nos anos 1910 em Nova York (Foto: Arquivo)

O hormônio do crescimento

Uma nova pesquisa do grupo americano tem inspiração na natureza: cães pequenos vivem mais que os maiores, e pôneis vivem mais que cavalos normais.

Além disso, testes em camundongos já mostraram que baixos níveis do hormônio de crescimento (GH) estão associados com a longevidade.

"Eu duvidava que este padrão pudesse ocorrer também em humanos", disse Barzilai. "Mas encontramos alterações no funcionamento do hormônio de crescimento em mais de 50% dos centenários".

Os resultados das últimas análises trazem mais detalhes sobre o processo que já vem sendo estudado há alguns anos e serão em breve publicados na revista científica Science Advances. Em linhas gerais, eles mostram mutações (Ala-37-Thr e Arg-407-His) no receptor IGF1 do GH e outros fatores que inibem o hormônio de crescimento.

Nas mulheres, este efeito é ainda maior. As idosas com níveis mais baixos de hormônio do crescimento sobreviviam mais tempo e tinham melhores funções cognitivas do que aquelas com níveis acima da média.

A produção do GH aumenta durante a infância, tem seu pico na puberdade e começa a cair mais rapidamente a partir da meia idade. Por isso, tratamentos à base dessa proteína são promovidos para desacelerar os sinais de envelhecimento, especialmente nos Estados Unidos.

Alguns estudos já vinham sinalizando que seu uso não deveria ser recomendado. E agora Barzilai reforça que a prática é prejudicial.

"Há médicos que estão dando GH para idosos. Mas se você quer ajudar pessoas a envelhecer bem, você deveria pensar em ter menos GH, e não injetar mais. Temos mais evidências de que esta prática está errada e deveria ser interrompida", afirma o pesquisador.

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) libera o uso de medicamentos à base de GH sob prescrição médica apenas para tratar alterações do hormônio. Mas há casos de outros usos, sem aprovação, para fins estéticos ou melhora da performance esportiva.

As mitocôndrias

Barzilai junto a outros pesquisadores também descobriu proteínas originadas das mitocôndrias - organelas de energia das células - que aparecem em altos níveis no organismo de centenários e ajudam contra as doenças do envelhecimento.

O objetivo de Barzilai é aplicar as descobertas sobre os genes da longevidade em tratamentos futuros para fazer com que aqueles que não têm essas mutações envelheçam com mais saúde.

Enquanto isto, outros estudos mostraram que a genética tem uma influência de 25% na longevidade humana (não especificamente entre centenários), como resume uma pesquisa da revista Immunity & Ageing. Por isso, boa parte das pesquisas ainda foca em fatores ambientais que têm impacto na extensão da vida humana e apontam tanto para o consumo da dieta mediterrânea como para o nível de felicidade dos indivíduos.

Mais comum em mulheres, esclerose múltipla tem tratamento

30 MAI 2017
Mais comum em mulheres, esclerose múltipla tem tratamento

Dores atrás do globo ocular, visão dupla e perda da sensibilidade em apenas um dos lados do corpo podem ser sinais de esclerose múltipla. Apesar dos sintomas serem, geralmente, sutis e desaparecerem em poucos dias, é importante ficarmos atentos, pois o quanto antes procurarmos ajuda médica, melhores serão as condições de tratamento dessa doença.

Segundo estimativas do Ministério da Saúde, aproximadamente 30 mil brasileiros vivem com esclerose múltipla. Para cada caso da doença entre os homens, existem dois entre as mulheres. "Acredita-se que essa diferença tenha a ver com o perfil hormonal feminino, que se mostra mais suscetível ao desenvolvimento de doenças autoimunes", diz o dr. Tarso Adoni, neurologista no Hospital Sírio-Libanês.

A esclerose múltipla é uma doença autoimune, pois consiste num ataque das células de defesa do organismo (sistema imunológico) contra o sistema nervoso central, provocando distúrbios na comunicação entre o cérebro e o corpo. Por isso, nos casos mais avançados, ela provoca dificuldades na movimentação corporal e na fala.

Essa doença se manifesta apenas em pessoas que tenham predisposição genética para o problema. Apesar de esses erros genéticos ainda não serem exatamente conhecidos, sabe-se que os seguintes fatores podem ativar a doença:

- Infecção pelo vírus Epstein-Barr (EBV) - Tipo de vírus da família do herpes, muito comum em humanos e transmitido por saliva e secreções vaginais.

- Deficiência de vitamina D - Principal fonte é o sol.

- Ingestão excessiva de sódio (sal) - A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda um consumo máximo diário de 5 g de sal por dia, o equivalente a uma colher de chá.

- Tabagismo.

- Obesidade.

Perder peso e fazer atividade física pode curar resistência à insulina

29 MAI 2017
Perder peso e fazer atividade física pode curar resistência à insulina

A resistência à insulina ou resistência insulínica é um problema que antecede a maioria dos casos de diabetes - doença que atinge cerca de 12 milhões de brasileiros, de acordo com o Ministério da Saúde. Essa condição que se caracteriza pela insuficiência relativa do hormônio insulina no organismo, porém, pode ser prevenida e até curada.

Segundo explica o dr. Antonio Roberto Chacra, endocrinologista no Hospital Sírio-Libanês e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a insulina é responsável pela redução da taxa de açúcar no sangue, conhecida por glicemia. Quando uma pessoa se torna resistente à insulina, seu organismo tende a aumentar as taxas de açúcar (glicose) no sangue, podendo assim resultar em um estado de pré-diabetes ou mesmo em diabetes.

Acredita-se que a resistência à insulina, se não for tratada, também pode aumentar o risco para outros problemas de saúde, como hipertensão arterial, colesterol sanguíneo e doenças cardiovasculares.

Por esse motivo, a resistência à insulina muitas vezes é confundida com a síndrome metabólica - patologia que reúne um conjunto de fatores de risco que, associados, aumentam a incidência de doença cardiovascular e diabetes. Na verdade, a resistência à insulina costuma compor o quadro de síndrome metabólica.

Quais os sinais de resistência à insulina?

A resistência à insulina por si só raramente determina sintomas. Às vezes, quando a esse desequilíbrio for muito grande, pode ocorrer acantose nigricans - um tipo de doença de pele caracterizado por pigmentações marrons, parecidas com sujeiras, na região do pescoço.

Algumas pessoas com resistência à insulina relatam dificuldade para emagrecer. Isso pode ocorrer porque o açúcar consumido deixa de ser processado corretamente, contribuindo assim para o armazenamento de gorduras no organismo.

No entanto, a resistência à insulina é um problema muito comum nas pessoas com as seguintes condições de saúde:

- Obesidade ou excesso de gordura na região da barriga.

- Sedentarismo.

- Ovário policístico (este distúrbio hormonal feminino pode provocar irregularidade menstrual, excesso de pelos, acne e obesidade).

- Esteatose hepática (trata-se de um acúmulo de gordura no fígado, que nos casos mais avançados pode causar dor, fraqueza e perda de apetite).

- Diabetes tipo 2.

Pessoas que tiverem qualquer um desses problemas devem procurar ajuda médica, pois podem estar também com resistência à insulina. Esta condição costuma se manifestar a partir da fase adulta, mas também pode ocorrer em adolescentes. A resistência à insulina não afeta bebês, pois é um problema desenvolvido ao longo da vida.

Como prevenir e tratar a resistência à insulina?

A prevenção da resistência à insulina está diretamente ligada à perda de peso e à pratica regular de atividade física. Esses cuidados também fazem parte do tratamento e até da cura da resistência à insulina. "Muitos pacientes diagnosticados com resistência à insulina começam a se exercitar, perdem peso e se livram desse problema", comenta o dr. Chacra. "Mas se voltarem a engordar e se tornarem sedentários, o problema acaba voltando", alerta.

Para alguns casos, conforme orientação médica, a resistência à insulina pode ser tratada também com medicamentos utilizados para diabetes, como metformina e pioglitazona.

O diagnóstico da resistência à insulina é feito com exames de sangue que medem a dosagem de glicose e insulina no organismo. Muitas vezes, apesar de a glicose estar num nível satisfatório, a taxa de insulina é alta. A explicação é simples: para manter os níveis de glicose normais, o organismo precisa secretar quantidades aumentadas de insulina. Uma compensação que acaba se esgotando, levando a um aumento tanto da insulina quanto da glicose.

O Centro de Diabetes do Hospital Sírio-Libanês conta com diversos médicos especializados no diagnóstico e no tratamento de resistência à insulina. Para assegurar que os pacientes nesta condição recebam toda a atenção necessária em cada fase de seu tratamento, o centro oferece atendimento multiprofissional.

Além de médicos endocrinologistas, podem atuar no controle da resistência à insulina nutricionistas, educadores físicos, psicólogos, entre outros profissionais. Se houver necessidade, os pacientes com resistência à insulina podem ser encaminhados para outros núcleos e centros do Hospital, como de Cardiologia e Obesidade e Transtornos Alimentares.

Solidão e sensação de inutilidade comprometem a saúde dos idosos

24 MAI 2017
Solidão e sensação de inutilidade comprometem a saúde dos idosos

Um dia você olha no espelho e percebe que o tempo passou. O corpo e a pele já não são os mesmos, a disposição vai dando espaço ao cansaço e a insegurança das primeiras experiências se transformou em sabedoria.

Muitos idosos lidam bem com esta situação e até fazem da Terceira Idade, a melhor fase de suas vidas, saindo para dançar, participando de grupos de atividades e curtindo tudo o que a vida pode lhes oferecer sem dar espaço para a solidão, porém, boa parte deles não consegue superar a sensação de inutilidade e vazio decorrentes das mudanças no corpo e na rotina e acaba se isolando de seu ciclo social, seja por vergonha de estar parado, seja por se sentir descartado: "muita gente acha que os problemas de saúde dos idosos são decorrentes da saúde fragilizada. De fato, nosso organismo fica mais vulnerável com o passar dos anos e, assim como toda máquina, vai perdendo suas reservas, mas manter a autoestima em alta e receber afeto ajuda a fortalecer o sistema imunológico nesta fase da vida", explica o psicofisiologista da Unifesp, Ricardo Moneze.

Um estudo da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos comprova o poder das emoções na saúde dos idosos. Depois de avaliar 229 pessoas, com idade entre 50 e 68 anos, os pesquisadores descobriram que idosos solitários têm pressão sanguínea até 30% mais elevada do que os mais ativos.

Além disso, constataram também, que estes pacientes são mais propensos a apresentar doenças cardíacas.

Mas eu nem comecei a viver ainda!

Um dos grandes dilemas dos idosos é assumir para si mesmos que a idade chegou e conseguir manter o ânimo mesmo depois de perceber que o corpo e a vida já não seguem no mesmo ritmo da época da juventude:

"alguns sofrem e teimam em aceitar que a idade chegou. Em geral, isso acontece porque se criou uma ideia falsa de que a terceira idade é ruim. Estar velho não é um problema ou uma doença e pode representar o começo e não o fim, como muitos pensam. Você pode até não conseguir mais dançar salsa como gostava, mas pode começar uma aula de tango ou uma valsa e descobrir o prazer destas outras danças", explica Moneze. "Ser idoso significa acumular experiências e não deixar de vivê-las",continua.

Aposentado?

Que nada! Outra situação que leva os idosos ao isolamento, é a sensação de inutilidade diante da aposentadoria. Para eles, principalmente para os homens, deixar de trabalhar significa deixar de ser útil e capaz de comandar sua própria vida e o isolamento funciona como válvula de escape nestes casos: "é uma questão social. Desde sempre o trabalho dignifica o homem, porém, não ter uma ocupação formal não significa que a pessoa é inútil, ela apenas já cumpriu suas obrigações quanto a isso e está na fase de aproveitar e descansar", explica.

Se a sensação de ficar parado incomoda, que tal fazer uma aula de dança ou um curso de artesanato? Participar de grupos da Terceira Idade também pode ajudar a manter a mente saudável.

Lidando com as perdas

Se no começo da vida reunimos amigos, aumentamos a família e vemos a prosperidade como sinônimo de ganhos, na velhice, uma das coisas mais desagradáveis e dolorosas é lidar com as perdas. É o melhor amigo que se foi, o filho que mudou de cidade, a aposentadoria, a beleza que dá lugar as rugas.

Sem dúvida, lidar com tantas perdas é muito difícil e doloroso e exige maturidade e preparo emocional para não causar medos, traumas e depressão, mas não adianta encará-las como algo negativo, elas são naturais na vida de qualquer pessoa e devem ser vistas como tal: "não dá para achar que a vida se resume em perdas. Elas doem, a saudade bate na porta, mas a vida é assim e não há nada que se possa fazer para mudar isso. O melhor é encarar e seguir em frente pensando não no que se perdeu, mas no que ainda é possível ganhar", diz.

Descartável por quê?

Muitas vezes, não é o idoso que se isola, é a família que o deixa de escanteio por não ter paciência ou por falta de tempo para conversar e dar a atenção necessária.

Nestes casos, é preciso que todos os que convivem com o idoso se sensibilize e perceba que deixá-lo de lado pode trazer consequências graves em função da sensação de abandono:

"para se ter uma ideia da gravidade do problema, mais da metade dos idosos atendidos no consultório apresentam doenças típicas de quem está sofrendo emocionalmente. São quadros clínicos diversos, como psoríase e hipertensão, mas que em geral, são motivados por solidão e tristeza", explica Ricardo.

Algumas doenças motivadas pelo estresse emocional, bastante comuns na velhice:

-Fribromialgia: "o idoso passa a sentir dores e incômodos e acha que tem a ver com a fraqueza dos ossos, mas muitas vezes elas são decorrentes da apatia e não da debilidade do sistema imunológico", explica Ricardo.

-Psoríase: "as doenças de pele são mais comumente relacionadas a saúde emocional do paciente. Nos idosos, tem havido um crescimento considerável do número de casos deste tipo de patologia em função da dor emocional", continua. -Hipertensão: a falta de ocupação e a tristeza provocam um quadro de estresse emocional nos idosos e por isso a pressão arterial sobe.

-Falta de vitamina D: como têm a mobilidade comprometida pelos aspectos típicos da idade e tendem a se isolar em decorrência da depressão, os idosos não pegam sol, uma das principais fontes de absorção de vitamina D o que ocasiona uma deficiência deste nutriente no organismo. Os baixos níveis de vitamina D estão relacionados à depressão, incontinência urinária e até câncer de mama.

Uma balança com saldo positivo

Uma das melhores alternativas para melhorar a qualidade de vida dos idosos, segundo o especialista é mudar a concepção negativa de velhice e fazer uma avaliação dos aspectos negativos e positivos da vida até ali. É só comparar para ver qual lado da balança pesa mais: "não tem como dar saldo negativo. Por pior que tenha sido sua vida, você pode aprender com ela, conheceu pessoas, amou, riu, chorou, isso é viver e a sabedoria dos mais velhos ajuda a compreender a vida desta maneira, basta tentar", sugere.

De bem com a vida

Se o assunto é qualidade de vida na terceira idade, a dica é relaxar e curtir o momento: "a melhor maneira de afastar os pensamentos ruins é ocupar a cabeça e o tempo com atividades prazerosas, assim, mente e corpo entram em harmonia sem sofrimentos e frustrações", explica Ricardo.

Quer curtir a terceira idade longe da solidão? Preste atenção nas dicas do especialista:

-Pratique exercícios físicos. Eles trazem saúde, bem-estar e favorecem o contato social.

-Mantenha uma alimentação equilibrada, sem muita gordura, sal e açúcar. Mas não se torture, a hora da refeição tem que ser prazerosa.

-Evite cigarros e bebidas alcoólicas. "Os vícios fazem mal a saúde em qualquer fase da vida, mas quando acumulados, na velhice podem trazer consequências maiores", afirma Ricardo.

Hidrocefalia pode causar dificuldades motoras e perda de memória em idosos, mas tem tratamento

22 MAI 2017
Hidrocefalia pode causar dificuldades motoras e perda de memória em idosos, mas tem tratamento

Dificuldade para andar, descontrole urinário e alterações cognitivas, como perda da memória, são sintomas típicos de hidrocefalia nos idosos. Essa doença, que quer dizer "água na cabeça", refere-se ao acúmulo de liquor (também conhecido como liquido cefalorraquidiano) nos ventrículos cerebrais.

As funções básicas do liquor são a proteção do sistema nervoso central e a manutenção do metabolismo cerebral. Ele é formado nos ventrículos laterais, uma área específica do cérebro, contabilizando um volume total de 140 mL a 170 mL; e é totalmente reciclado em menos de 24 horas. Por conta dessa dinâmica, quando surge alguma dificuldade em sua reabsorção, ocorre um aumento do volume liquórico e, consequentemente, a hidrocefalia.

Essa dificuldade de reabsorção pode se originar a partir de pequenos traumas e hemorragias ao longo da vida ou em consequência de processos infecciosos ou inflamatórios, que na maior parte das vezes não apresentam sintomas.

A hidrocefalia mais frequente nos idosos é conhecida como hidrocefalia de pressão normal (HPN) ou comunicante, informa o dr. Eduardo de Arnaldo Silva Vellutini, neurocirurgião no Hospital Sírio-Libanês. "Nos idosos, o tamanho do cérebro em relação à caixa craniana tende a ser menor por conta do envelhecimento. Com isso, o aumento do volume liquórico não causa um aumento contínuo da pressão", explica. "Já nos pacientes jovens, a hidrocefalia geralmente é obstrutiva e causa sintomas de aumento da pressão intracraniana com cefaleia, vômitos e alterações visuais", compara.

Como diagnosticar a hidrocefalia de pressão normal?

O diagnóstico da hidrocefalia de pressão normal é feito pelo médico com base nos sintomas apresentados pelo paciente e nos resultados dos exames de ressonância magnética.

Outro exame importante é o tap test, realizado em ambiente ambulatorial com anestesia local, sem a necessidade de internação. Nesse exame, retira-se de 30 mL a 40 mL de líquor da região lombar, já que existe uma comunicação ampla de todo sistema liquórico com o sistema nervoso central, e observa-se o paciente. Se houver melhora dos sintomas num período superior a 24 horas, pode ser confirmada a hidrocefalia de pressão normal.

Como tratar a hidrocefalia de pressão normal?

O tratamento mais usado contra a hidrocefalia de pressão normal é a cirurgia de derivação ventriculoperitoneal (DVP). Esse procedimento consiste na introdução de um pequeno cateter na cavidade ventricular para desviar o excesso de liquor contido nos ventrículos para a cavidade abdominal. A quantidade de liquor a ser drenada é regulada por uma válvula interposta entre os dois cateteres. "Ele tem o mesmo mecanismo do ladrão da caixa-d'água, que despeja o excesso de água para um local escolhido", compara o dr. Vellutini.

A cirurgia de derivação ventriculoperitoneal é considerada minimamente invasiva e de baixo risco. O tempo médio dessa cirurgia é de 40 minutos, e o paciente recebe anestesia geral.

O Hospital Sírio-Libanês conta em seu corpo clínico com médicos neurologistas e neurocirurgiões especializados no diagnóstico e no tratamento da hidrocefalia. Eles estão habilitados para analisar o grau de hidrocefalia de cada paciente, oferecendo as melhores possibilidades de tratamento.

O Centro Cirúrgico do Hospital Sírio-Libanês está preparado para realizar a cirurgia de derivação ventriculoperitoneal, assim como outros procedimentos mais complexos na região da cabeça.

Bactéria do intestino pode ajudar diabéticos

18 MAI 2017
Bactéria do intestino pode ajudar diabéticos

Estudo da Fiocruz de Minas mostrou que a Akkermansia muciniphila, bactéria presente na microbiota intestinal, auxilia na transformação da glicose em energia para o corpo, diminuindo a concentração de açúcar no sangue. A pesquisa foi publicada na prestigiada Nature Communications.

O achado é particularmente importante para portadores do diabetes tipo 2. Esses pacientes até produzem insulina, o hormônio responsável por levar o açúcar até as células, onde será metabolizado. O problema é que a insulina liberada não consegue cumprir sua função ou sua produção é insuficiente.

Bactéria ajuda a diminuir concentração de açúcar no sangue. Foto: CC0 Public Domain

Ação em diabéticos

O pesquisador Gabriel Fernandes, autor do estudo, explica que a ação da bactéria em pacientes é complexa. Isso porque, inicialmente, ela tem sua função “bloqueada” pela ação do interferon-gama.

O interferon é uma proteína natural do corpo essencial para o combate de vírus e bactérias. Porém, em pacientes diabéticos, seus níveis aumentam, o que impediria a ação da “bactéria boa”. Uma maneira de contornar isso, sugere Fernandes, seria aumentando a concentração da bactéria no intestino e neutralizando o interferon.

Primeira fase do estudo: teste em cobaias

A equipe da Fiocruz observou os resultados em cobaias incapazes de produzir o interferon-gama. Primeiro, observaram que a glicose caía só pela ação da insulina. Mas, após introduzirem a bactéria no intestino dos camundongos, notaram que o açúcar caía ainda mais.

Em um terceiro momento, no entanto, o interferon foi introduzido; e, como mostram os resultados, os efeitos benéficos da bactéria desapareceram.

Segunda fase da pesquisa: observação em humanos

Os cientistas também observaram a microbiota intestinal de 268 diabéticos e verificaram que existe uma correlação entre a bactéria Akkermansia e o nível de glicose do sangue. Assim, quanto maior a quantidade dessa bactéria, menor era a quantidade de açúcar circulante.

Possibilidade de tratamento

O estudo abre possibilidades para novas pesquisas voltadas para o tratamento do diabetes tipo 2. O pesquisador Gabriel Fernandes explica que um paciente com dificuldades de metabolizar o açúcar pode se beneficiar da presença da Akkemansia e de alimentos que ajudem a neutralizar a ação do interferon.

Segundo ele, um possível tratamento natural seria por meio de uso de prebióticos, mas mais estudos são necessários para demonstrar o benefício.

Com informações de Keila Maia, da Fiocruz de Minas.

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