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Entenda as novas recomendações para diagnóstico de câncer de próstata

18 NOV 2016
Entenda as novas recomendações para diagnóstico de câncer de próstata

Agora é consenso: médicos, pesquisadores e a secretaria de Saúde do Rio Grande do Sul acordaram, na terça-feira, que exames de detecção precoce do câncer de próstata devem ser feitos apenas em alguns casos. A concordância chega um ano após polêmica que envolveu o secretário estadual de Saúde, João Gabbardo, criticado em novembro de 2015 por questionar a necessidade de todos realizarem os testes. Mas isso não quer dizer que os homens não tenham com o que se preocupar.

O Novembro Azul existe para conscientizá-los a cuidar mais da saúde — no Brasil, boa parte deles não dá muita bola para o assunto. Como uma das principais patologias especificamente masculinas é o câncer de próstata, a doença e seu diagnóstico costumam ser o centro das atenções durante este mês.

Não existe orientação única sobre a detecção precoce — não há como prevenir o câncer de próstata, por isso é importante identificá-lo cedo. Ainda defendido por alguns médicos, o chamado rastreamento, que engloba exames para diagnosticar a doença em indivíduos que não apresentam sintomas, é alvo de controvérsia. Isso porque, apesar de possibilitar a descoberta do tumor na fase inicial, quando as chances de cura são maiores, a quantidade de alarmes falsos que levam a procedimentos invasivos, como a biópsia, ainda é grande.

Exigência apenas quando há sintomas

A Secretaria Estadual de Saúde do Rio Grande do Sul, a Sociedade Brasileira de Urologia — RS, a Faculdade de Medicina da UFRGS e o TelessaúdeRS-UFRGS contraindicam o rastreamento. Na visão desses órgãos, homens a partir dos 50 anos devem procurar um médico para conversar sobre o assunto e avaliar a necessidade real de realizar os procedimentos. A orientação também é dada pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca).

- Quando olhamos as evidências científicas sobre o rastreamento, vemos que são controversas. Temos defendido que isso tem de ser uma decisão compartilhada entre o paciente e o médico — explica Natan Katz, gerente médico da Equipe de Teleconsultoria do TelessaúdeRS-UFRGS.

Os exames são uma exigência apenas quando há sintomas, como sangramento e obstrução da passagem urinária. Homens negros ou com histórico familiar da doença devem consultar o médico a partir dos 45 anos, pois a incidência de câncer de próstata nesses dois grupos é maior.

O rastreamento do câncer de próstata inclui o PSA, um exame de sangue que mede os níveis de um hormônio produzido pela próstata que costuma se alterar em pacientes com câncer.

Embora haja outros fatores que podem alterar a produção de PSA pelos homens, como a próstata mais volumosa — chamada de Hiperplasia Benigna da Próstata (HBP) —, e mudanças identificadas no toque retal tenham mais probabilidade de ser infecções simples de tratar, quaisquer alterações nesses exames levam os pacientes a realizar biópsias.

É aí que mora o principal ponto contra o rastreamento: o procedimento usado para identificar o câncer, além de doloroso, oferece risco de infecção e, se feito repetidas vezes, pode levar a disfunções eréteis.

- Como as possibilidades são múltiplas, o rastreamento oferece risco de identificar pacientes que acabam sendo tratados de forma mais agressiva sem haver necessidade — diz Eduardo Carvalhal, chefe do serviço de urologia do Hospital Moinhos de Vento.

Amizade com menina de 4 anos muda vida de idoso deprimido nos EUA

16 NOV 2016
Amizade com menina de 4 anos muda vida de idoso deprimido nos EUA

Em uma visita ao mercado, em Augusta, na Geórgia (EUA), Norah Wood, uma menininha de quatro anos, fez uma amizade inusitada, mas muito significativa. A garotinha ajudava a mãe, Tara Wood, com as compras quando cruzou o caminho de Dan Peterson.

Ela acenou para o idoso e disse: "oi, velhinho. Hoje é meu aniversário." Peterson, então, começou a dar atenção para a menina. Eles se separaram, mas, minutos depois, Norah voltou querendo tirar uma foto com o novo amigo.

Os dois se abraçaram como se fossem amigos antigos e, então, Peterson agradeceu. "Ele nos disse que aquele havia sido o melhor dia dele em muito tempo", contou Tara ao canal de TV CBS.

A mãe ficou tão tocada que postou a foto dos dois novos amigos no Facebook. Entre as milhares de mensagens que recebeu, uma, de um amigo do idoso, dizia que Peterson havia perdido a mulher alguns meses antes, que estava deprimido e que a simples conversa com Norah o deixou muito feliz.

Foi quando Tara decidiu que iria visitar Peterson com sua filha de tempos em tempos. Na primeira ida à casa do amigo, Norah deu um longo abraço no idoso e mostrou a foto que tiraram juntos no mercado e algumas pinturas que fez.

Agora, pelo menos uma vez por semana, Norah vai até a casa de Peterson e já está planejando como irá comemorar o 82º aniversário de seu amigo. O idoso reconhece que a nova amizade mudou sua vida. Ele afirma que não dormia bem havia muito tempo por causa da tristeza e da ansiedade causada pela depressão após a morte da mulher.

"Naquele dia, estava sentindo pena de mim mesmo e duvidando das minhas crenças. Mas a menina elevou meu espírito para as alturas e me senti bem como não me sentia havia muito tempo", contou.

Inverno: Saúde do idoso requer atenção redobrada

04 AGO 2016
Senhora sentada sorrindo.

Durante o inverno o aumento de doenças como resfriado, gripe, rinite e sinusite são comuns. É preciso ter cuidados redobrados nesta época do ano, principalmente com os idosos que tem imunidade mais baixa e menor capacidade de regular a temperatura corporal.

De acordo com o geriatra do Ambulatório Médico de Especialidades (AME) Idoso, Marcelo Navalho Rodrigues da Cruz, os idosos são, por natureza, mais frágeis, com reservas funcionais mais baixas. "Por isso é preciso ter uma atenção maior com eles para prevenir infecções que são comuns nesta época do ano", afirma.

As doenças de vias respiratórias são as mais comuns nesta época do ano já que, devido às baixas temperaturas, as pessoas tendem a se aglomerar em locais fechados, fazendo com que o ar não circule. "Os idosos fazem parte do grupo de risco, por isso precisam estar sempre com a vacinação em dia. É importante que eles tomem a vacina da influenza anualmente e a antipneumocócica a cada cinco anos", reforça o geriatra.

Além das infecções, um dos principais riscos para os idosos é a hipotermia, que acontece quando a temperatura basal fica abaixo dos 35ºC e o corpo não consegue gerar calor. Os sintomas clássicos da hipotermia incluem calafrios, pele fria e pálida, pulsação lenta, dificuldade na respiração e lentidão nos movimentos.

"Quando se identifica a hipotermia, o ideal é agasalhar e aquecer o idoso e levá-lo imediatamente ao hospital devido ao risco elevado de arritmia, infarto e AVC, ou pelo fato da hipotermia poder representar o primeiro sinal de uma infecção", explica Navalho.

O geriatra alerta ainda para o fato de que no inverno aumenta a incidência de infartos e AVC justamente por conta das baixas temperaturas.

Confira dicas para cuidar da saúde do idoso no inverno:

-Acompanhamento médico regular: doenças como hipertensão, diabetes e demais doenças crônicas devem estar sempre bem compensadas e ser acompanhadas de perto;

-Imunização: a carteira de vacinação do idoso deve estar sempre em dia;

-Estar sempre bem agasalhado e aquecido. É importante lavar agasalhos e cobertores antes de usá-los devido ao pó e ácaros que se acumulam nas roupas;

-Evitar locais muito aglomerados e fechados e manter os ambientes sempre ventilados;

-Manter uma alimentação saudável e balanceada, evitando o aumento de consumo de alimentos gordurosos;

-Hidratação é essencial: é importante beber muita água e manter a pele bem hidratada com o uso de hidratantes.

Proteína-chave pode acelerar produção de vacina contra zika

29 JUL 2016
Imagem é representação da superfície do vírus da zika; equipe de cientistas conseguiu determinar a estrutura do vírus pela primeira vez

Pesquisadores americanos decifraram uma proteína-chave produzida pelo vírus zika que o ajuda a se reproduzir no corpo de pessoas infectadas e interage com o sistema imunológico do paciente. A descoberta pode acelerar a produção de uma vacina, afirma Janet Smith, da Universidade de Michigan, líder do estudo publicado nesta segunda-feita (25) na conceituada revista "Nature Structural and Molecular Biology".

"Quando a pessoa está infectada por zika, essa proteína, a NS1, está no sangue do paciente, e ela pode virar um alvo da vacina", explicou Smith à DW Brasil.

Segundo a pesquisadora, agora que a estrutura da NS1 é conhecida por completo, cientistas poderão avaliar qual parte da proteína pode ser usada com maior eficiência na produção de uma vacina contra o vírus. A NS1 pode ser usada ainda para melhorar o diagnóstico – o zika, do gênero dos flavivírus, é muitas vezes confundido com o vírus da dengue em testes de laboratório.

Além do Aedes aegypti, o pernilongo comum (culex) é apontado como potencial transmissor do vírus da zika, que pode causar microcefalia congênita e síndrome de Guillain-Barré. Até o momento, 1.709 casos de microcefalia foram confirmados no Brasil, segundo informações do Ministério da Saúde.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que a infecção por zika foi registrada em pelo menos 60 países.

O papel da NS1

A NS1 é conhecida dos pesquisadores: além do zika, ela também é produzida por outros flavivírus, como dengue, febre amarela e febre do Nilo Ocidental. "Mas a proteína tem muitas funções que ainda não são bem compreendidas", comenta Smith, que se dedica ao estudo da molécula há mais dez anos.

Já se sabe que a NS1 participa ativamente das infecções virais. Dentro das células infectadas, ela ajuda a fazer cópias do vírus e contaminar outras células. Pesquisadores afirmam que as células doentes escondem "pacotes" da proteína na corrente sanguínea do infectado, e um nível mais elevado de NS1 estaria associado à manifestação de doenças mais graves.

O grupo passou anos tentando isolar a proteína em sua forma pura. Em 2013, pesquisadores conseguiram esse feito para os vírus da dengue e da febre do Nilo Ocidental. Na ocasião, os cientistas usaram um método conhecido como cristalografia, que estuda a matéria numa escala atômica, para visualizar a proteína em 3D. "Quando a crise causada pela infecção por zika surgiu, colocamos como meta determinar a estrutura 3D da proteína NS1 do zika", contou Smith.

"Apesar da semelhança com outros vírus relacionados, descobrimos que a estrutura da NS1 do zika apresenta algumas diferenças importantes", diz Willian Clay Brown, um dos autores da pesquisa da Universidade de Michigan. As avaliações indicam que a molécula produzida pelo zika pode interagir de outra forma com o sistema imunológico do infectado.

Richard Kuhn, pesquisador da Universidade de Purdue, que também participou do estudo e fez parte do time que identificou, pela primeira vez, a estrutura completa do vírus zika, acredita que compreender a NS1 e suas funções é fundamental para enfrentar a epidemia. "Esse conhecimento nos ajuda a identificar alvos para que os inibidores bloqueiem importantes processos virais e tratem a infecção", adiciona Kuhn.

Corrida pela vacina

O vírus zika circula em vários continentes há alguns anos, mas se tornou uma emergência internacional após a infecção pelo vírus ser associada a doenças graves, como microcefalia em recém-nascidos e síndrome de Guillain-Barré. Até o momento, não existe uma vacina contra o vírus. Em todo o mundo, pesquisadores e empresas correm contra o tempo para atingir resultados confiáveis e iniciar testes clínicos.

A situação de alerta fez com que a colaboração entre pesquisadores aumentasse, avalia Smith. "Por isso, deveremos fazer um progresso mais rápido que o usual no sentido de entender os perigos e opções de tratamento", comenta. A pesquisadora ressalta que a experiência acumulada no combate a outras epidemias que causaram muitas mortes, como SARS e ebola, trouxe mudanças.

"A cooperação do compartilhamento de informações são essenciais. Por outro lado, não teremos respostas tão sólidas num período curto de tempo – certamente não antes dos Jogos Olímpicos", diz Smith, às vésperas do início do evento no Rio de Janeiro.

Testes clínicos com 'pílula do câncer' começam nesta segunda-feira em SP

25 JUL 2016
Cápsulas de fosfoetanolamina produzidas desde os anos 90 no Instituto de Química de São Carlos

Começam nesta segunda-feira (25) no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) os testes em humanos com a fosfoetanolamina, composto que ficou conhecido como "pílula do câncer". O anúncio do início dos testes foi feito na semana passada.

Nesta fase inicial, a substância será avaliada em 10 pacientes para determinar a segurança da dose. Se a droga não apresentar efeitos colaterais, a pesquisa seguirá com mais 200 pacientes.

Dez tipos de câncer diferentes estão incluídos nos testes - ou seja, 21 indivíduos com cada tipo da doença receberão três comprimidos da fosfoetanolamina. O anúncio foi feito pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB).

A fase na qual 210 pacientes participarão da pesquisa deverá durar cerca de seis meses. O início dos testes foi aprovado pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa do Ministério da Saúde.

Se pelo menos três pacientes de cada um desses grupos de câncer apresentar uma melhora no quadro de saúde devido à pílula, o governo deverá liberar mais uma fase do estudo com a chamada de mais 80 indivíduos. No total, até mil pessoas poderão participar do processo. Toda a pesquisa deverá ser encerrada em dois anos.

Caso nenhum dos 210 pacientes iniciais apresentar qualquer melhora ou sintoma, o estudo será encerrado no prazo estipulado de até seis meses.

"[Escolhemos] pacientes em tratamento no instituto. Não haverá a inscrição de pacientes de fora [para os testes], pelo menos não neste primeiro momento", disse Paulo Marcelo G. Hoff, vice-presidente do Icesp, na semana passada.

"Nós achamos que era mais justo tratar os pacientes que já são da instituição. Ou seja, não há nenhum favorecimento. A escolha será feita baseada nos critérios de inclusão e exclusão que estão muito bem determinados para cada um dos 10 grupos [de câncer]", completou.

Os pacientes escolhidos buscaram os médicos no Sistema Único de Saúde (SUS) e não estão em estado terminal, segundo Hoff. Ele diz que os indivíduos escolhidos não têm outra opção de tratamento curativo disponível e estão em condição física pra responder aos testes.

Além disso, os pacientes não deverão receber nenhum tipo de medicamento durante o processo. Por isso, as pessoas selecionadas respeitaram o critério de poder estar há dois meses sem o tratamento tradicional sem qualquer impacto na expectativa de sobrevida durante os próximos meses.

A substância foi encaminhada para o Icesp pela Fundação para o Remédio Popular (Furp) - laboratório oficial da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. Ainda de acordo com o governo do estado, há cápsulas suficientes para a realização da pesquisa.

Produção da substância

A sintetização da fosfoetanolamina que será testada em humanos foi feita pelo laboratório PDT Pharma, do município de Cravinhos, no interior de São Paulo. A Furp apenas encapsulou a substância. Ainda de acordo com o governo, o pesquisador da USP de São Carlos, Gilberto Chierice, que desenvolveu uma forma de sintetizar a substância, está acompanhando os testes.

A "pílula do câncer" já havia sido testada em animais de pequeno porte, mas a etapa de animais de grande porte foi pulada já que outras pessoas já consumiram a fosfoetanolamina não apresentaram sintomas graves.

"Nós fizemos uma opção pragmática aceitando o fato de que nós temos mais de 20 mil humanos que receberam o produto. Isso é diferente de um produto que está surgindo novo e que nunca ninguém o tomou. Então, nós achamos que seria possível neste caso nós acelerarmos o processo", disse.

Os tipos de câncer que serão contemplados nos testes são: cabeça e pescoço, pulmão, mama, colo e reto, fígado, pâncreas, melanoma, gástrico, colo uterino e próstata.

4 perguntas e respostas sobre o caso da FOSFOETANOLAMINA

1) O que é? Uma substância que passou a ser produzida em laboratório por um pesquisador da USP, hoje aposentado, que acredita que ela seja capaz de tratar câncer.

2) Qual é a polêmica? Pessoas com câncer têm entrado na Justiça para obter o produto da USP, mas ele não passou pelos testes legalmente exigidos. A USP atendia à demanda somente porque era obrigada judicialmente.

3) Mas ela funciona contra o câncer? Cientificamente, não há como afirmar, porque os testes necessários não foram feitos. Ela foi distribuída para diferentes tipos de câncer, mas sem seguir evidências científicas de que isso seja adequado.

4) Que mal pode fazer usar esse produto? Como seus efeitos são desconhecidos, não há como excluir efeitos colaterais. O próprio pesquisador que descobriu como sintetizá-la admite que não sabe dizer que dosagem seria adequada para o tratamento de câncer.

A substância, que começou a ser sintetizada por um pesquisador do Instituo de Química da USP de São Carlos no final da década de 1980, ainda não passou pelas etapas de pesquisa necessárias para o desenvolvimento de um medicamento, portanto não existem evidências científicas de que o produto seja eficaz no combate ao câncer ou seguro para o consumo humano, daí a necessidade de mais testes. Outras instituições pelo país têm feito pesquisas com animais.

Governo publica lei que prevê entrada forçada em imóveis contra Aedes

03 JUN 2016
Aedes Aegypti

O presidente em exercício, Michel Temer, sancionou a lei que determina medidas de combate ao Aedes aegypti, mosquito que transmite doenças como zika, dengue e chikungunya. Publicada no Diário Oficial da União nesta terça-feira (28), a Lei Nº 13.301 autoriza a entrada forçada em imóveis para eliminação de focos do mosquito, medida que já era prevista por uma medida provisória de 29 de janeiro.

A regra também determina a criação do Programa Nacional de Apoio ao Combate às Doenças Transmitidas pelo Aedes (Pronaedes) para financiamento de projetos de combate à proliferação do mosquito.

Veto à isenção fiscal

Temer, porém, vetou os artigos que previam incentivo fiscal para pessoas físicas e pessoas jurídicas dispostas a fazer doações para projetos de combate ao mosquito, como aquisição de insumos de controle do vetor, investimento em saneamento básico, pagamento de serviços de vigilância, campanhas educativas, capacitação de profissionais, entre outras. O texto original previa dedução de até 1,5% do imposto devido no caso de pessoas físicas e 1% no caso pessoas jurídicas.

Também foi vetado o artigo que previa isenção de impostos para produtos relacionados ao combate ao mosquito: repelentes à base de icaridina, DEET e IR355, inseticidas e larvicidas aplicados no combate ao Aedes aegypti e telas de proteção contra o mosquito.

Em despacho também publicado no Diário Oficial da União desta terça, Temer justificou os vetos observando que "embora meritórios, representariam renúncia de receita, indo de encontro ao esforço de equilíbrio das contas públicas".

Entrada forçada a imóveis

A lei determina que agentes públicos podem realizar o ingresso forçado em imóveis públicos e particulares para eliminação de focos de mosquito em três situações: quando o imóvel está com sinais visíveis de abandono; quando, após duas visitas, não for possível localizar alguém que permita a entrada no imóvel ou quando houver uma recusa em permitir a entrada do agente público.

A Medida Provisória Nº 712, de 29 de janeiro de 2016, já previa a entrada forçada em imóveis para combate ao Aedes, mas determinada que o ingresso forçado ocorreria somente em casos de abandono ou ausência, não de recusa explícita.

Ainda de acordo com a nova lei, estão previstas visitas a imóveis nos sábados, realização de campanhas educativas, universalização de acesso a esgoto e água potável, incentivo a desenvolvimento de pesquisas e incorporação de novas tecnologias de vigilância em saúde.

A lei inclui como uma das medidas fundamentais para contação das doenças provocadas pelo Aedes aegypti a permissão de dispersão por aeronaves de produtos para combate ao mosquito, desde que com "aprovação das autoridades sanitárias e comprovação científica da eficácia da medida"

A lei determina ainda que bebês com microcefalia em decorrência de doenças transmitidas pelo Aedes aegypti têm direito ao benefício de prestação continuada, concedido a pessoas com deficiência, por até três anos. O valor do benefício é de um salário mínimo. Além disso, mães com filhos com microcefalia terão o direito a licença-maternidade de seis meses.

Obesidade Infantil e Refrigerantes

02 JUN 2016
Refrigerante

Os números da obesidade infantil no Brasil assustam. Segundo a ABESO (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica) tem-se que aproximadamente 1/3 das crianças de 5 a 9 anos no Brasil está com excesso de peso. A região sudeste predomina, com 38,8% das crianças acima do peso, seguida pelas regiões sul (35,9%), centro oeste (35,1%), nordeste (28,1%) e norte (25,6%).
 
Grande motivo para preocupação é que estes números estão aumentando. Imaginar que 1 em cada 3 crianças brasileiras está com o peso acima do esperado para a idade é extremamente alarmante. Quais razões seriam as apontadas para tal?
 
Na semana passada a Ambev, Coca Cola Brasil e a PepsiCo anunciaram que a partir de agosto vão ajustar o portfolio de bebidas vendidas nas cantinas das escolas. Para as crianças com menos de 12 anos de idade estarão disponíveis apenas água mineral, suco com 100% de fruta, água de coco e bebidas lácteas que atendam a critérios nutricionais específicos. Esta decisão baseia-se no fato de que crianças menores de 12 anos não tem ainda discernimento suficiente para fazer suas escolhas nutricionalmente mais adequadas. Optaram por oferecer-lhes alimentos com maior valor nutritivo. Isso é muito importante. Nas escolas, os “refris”, portanto, estarão fora do alcance desta turminha. Se pensarmos que em cada latinha há uma média de 37 gramas de açúcar, entenderemos que esta é uma excelente decisão. Ponto para as empresas.
 
Mas isto seria suficiente para diminuir as preocupantes taxas de sobrepeso e obesidade infantis? Claro que não. Óbvio que os refrigerantes não são os responsáveis por estes números crescentes de crianças com excesso de peso  que, na vida adulta, estarão destinadas a uma qualidade de vida mais precária com as prováveis comorbidades associadas como, por exemplo, maior propensão à diabetes ou às doenças cardiovasculares; quais sejam, hipertensão, acidentes vasculares cerebrais ou infartos.
 
Quem ou o quê, então, estaria por trás destes números crescentes de sobrepeso e obesidade infantis?
 
O estilo de vida das famílias contemporâneas. Vamos refletir um pouco sobre isso.
 
Crianças pequenas não vão ao supermercado sozinhas, e muito menos pagam as contas no caixa. As prateleiras das casas são abastecidas por adultos que fazem as opções de compras.
 
Crianças pequenas não cozinham. Quem prepara os pratos das famílias são adultos que teoricamente tem consciência do que deve ser mais saudável para a família.
 
Crianças pequenas gostam de brincar ao ar livre, jogar bola, correr ou se espalhar pelo ambiente. Arrumar-lhes espaço para tal – um parque aos finais de semana, por exemplo –  é um dever dos adultos, supostamente conscientes da importância de exercícios físicos em todas as idades.
 
Crianças pequenas não conseguem, sozinhas, comprar eletrônicos que as consomem e cruelmente roubam sua capacidade de gastar a energia física de forma saudável.
 
Louvável decisão das empresas. Mas retirar os “refris” do cardápio infantil ou das prateleiras de todos os supermercados do mundo definitivamente não irá, como num passe de mágica, resolver o problema da obesidade infantil.

A resolução está nas mãos – e principalmente na consciência – de cada família.

Veja três estratégias na batalha global contra a cegueira que empolgam especialistas

31 MAI 2016
Chip

Há múltiplas causas para a cegueira. Entre elas, glaucoma, catarata, doenças da córnea, doenças associadas à idade, doenças vasculares, inflamatórias, infecciosas, tumorais ─ e as doenças (ou distrofias) degenerativas hereditárias da retina.

E quando se fala em tratamentos, são as pesquisas nessa última categoria de doenças que mais empolgam os especialistas.

"O maior avanço recente seria no tratamento de distrofias retinianas hereditárias", disse à BBC Brasil o oftalmologista paulistano Mauro Goldbaum, especializado em retina e vítreo, com doutorado na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e Research fellowship no Manhattan Eye, Ear, Throat Hospital em Nova York, Estados Unidos.

Na busca de curas para essas doenças, "a genética vai permitir uma mudança de paradigma. É realmente uma mudança conceitual muito grande nos tratamentos", disse Goldbaum.

"Tem havido avanços interessantes em outras áreas de pesquisa. Por exemplo, no tratamento da perda de visão associada a diabetes e doenças vasculares, os medicamentos melhoraram muito, o resultado é excepcional. Mas são remédios, um método convencional."

Além disso, explicou, "esses medicamentos geralmente não levam à cura, mas sim ao controle da doença ─ e esse controle requer várias aplicações a longo prazo".

"A terapia gênica é diferente, é realmente inovadora. Primeiro porque promete tratar doenças graves para as quais não temos alternativa no momento", afirmou Goldbaum.

"Segundo porque os estudos têm mostrado que uma única aplicação permite corrigir o efeito do gene causador da doença. Dessa forma, a terapia gênica aproxima-se mais da cura do que do controle da doença", acrescentou.

"Terceiro, porque mesmo doenças degenerativas associadas à idade ─ como glaucoma e degeneração macular ─ envolvem uma predisposição ou alteração genética".

"Então, potencialmente, a terapia gênica poderia oferecer alternativas para doenças não hereditárias, que são mais comuns. E vem sendo incubada há muito tempo. É uma coisa futurística, abre possibilidades de se tratar muitas doenças", concluiu o pesquisador.

Para o paciente, no entanto, a espera ainda será longa. Segundo os especialistas, é provável que tratamentos para essas doenças só estejam disponíveis, em massa, para as gerações futuras.

Isso cria um grande desafio para médicos que recebem, diariamente, pacientes com doenças graves, incuráveis, em seus consultórios.

Por um lado, é preciso incentivar uma atitude positiva, por outro, não se pode despertar falsas esperanças, como explicou à BBC Brasil a oftalmologista e geneticista Juliana Sallum, professora da Universidade Federal do Estado de São Paulo (Unifesp) com doutorado na Johns Hopkins University, em Maryland, Estados Unidos.

"O paciente tem de manter o psicológico bem, manter otimismo em relação ao progresso das pesquisas. Mas você não pode dar esperanças demais. Esse balanço é bem difícil. E a mídia faz muito estrago. Quando explico a realidade, é decepção na certa."

No entanto, há muitas razões para o otimismo, disse Sallum. Ela destaca, além das pesquisas com terapia gênica, estudos envolvendo terapia celular.

"Esses estudos são desbravadores. Abrirão portas e facilitarão pesquisas envolvendo outros genes. E não podemos esquecer que nada disso existia há dez, quinze anos", disse Sallum. "A ciência em si tem avançado bastante. Como médicos, conseguimos ver isso, mas o paciente quer resolver o caso dele, o que é totalmente compreensível."

Sallum tem mais boas notícias:

Avanços em estudos sobre outras doenças degenerativas - como o mal de Alzheimer, por exemplo ─ e sobre o envelhecimento de maneira geral podem, um dia, trazer soluções aplicáveis também às distrofias degenerativas da retina.

"A ideia é não permitir que a célula envelheça e morra. No caso de doenças degenerativas, o objetivo é não deixar que o erro genético cause o envelhecimento precoce, levando à morte celular precoce."

Uma outra estratégia nas pesquisas aposta não em tratamentos ou cura, mas sim em uma solução pragmática para o problema da cegueira. Trata-se do chamado olho biônico.

Distrofias Degenerativas Hereditárias da Retina: Definição e Prevalência

Entenda, com a ajuda da oftalmologista Juliana Sallum, três empolgantes estratégias na busca global por soluções para as distrofias degenerativas hereditárias da retina.

1. Terapia gênica

A terapia gênica consiste na inserção de um gene ou de material genético em determinada célula com fim terapêutico.

O material genético é transportado para o interior da célula por um vetor ─ em alguns casos, um vírus inofensivo. O vetor é injetado embaixo da retina e transfere, para dentro da célula, o material genético que carrega. A célula passa a expressar esse gene e assim corrige-se a função que estava deficiente.

Esse tipo de terapia é indicado para pacientes cujas células fotoreceptoras estão "em sofrimento" (ou seja, embora seu funcionamento já esteja sendo afetado pela doença, as células ainda estão vivas).

Em anos recentes, foram feitos estudos com terapia gênica para tratar retinose pigmentar, coroideremia e amaurose congênita de Leber, mas ainda não há tratamentos disponíveis.

Já existem, no entanto, estudos clínicos (envolvendo pacientes) em fase avançada, e um deles estaria em estágio final de aprovação: uma equipe da Universidade da Pensilvânia, na Filadélfia, Estados Unidos, anunciou que espera poder oferecer, dentro de um ano, terapia gênica para alguns pacientes com a distrofia amaurose congênita de Leber.

Um dado importante é que a doença é rara, afetando uma em cada dez mil pessoas. Além disso, ela é provocada por 18 genes diferentes, e a terapia gênica desenvolvida pela equipe americana se aplicará apenas a pacientes com um gene específico, o RPE65.

"Ou seja, trata-se de um gene raro em uma doença rara", disse a geneticista Juliana Sallum.

Também em estágio avançado está a pesquisa desenvolvida pelo oftalmologista britânico Robert MacLaren, da Oxford University, Inglaterra, para o tratamento da coroideremia. Estudos clínicos trouxeram resultados positivos que vêm se sustentando há quatro anos. Em e-mail à BBC Brasil, um integrante da equipe disse que é difícil prever, mas o grupo espera que um tratamento seja disponibilizado dentro dos próximos dez, possivelmente cinco, anos.

A coroideremia também é uma doença rara, afetando uma em cada 50 mil pessoas.

2. Terapia celular

Para pacientes que já perderam muitas células fotoreceptoras , uma outra estratégia nas pesquisas para tratamento é a terapia de reposição de células, ou terapia celular. Por esse método, células são retiradas de outro tecido e tratadas em laboratório para ficarem mais parecidas com as células da retina.

Os estudos atuais apostam em dois tipos de células que são implantadas em diversos lugares dentro do olho: células iPS (sigla inglesa para Induced pluripotent stem cells, ou células-Tronco Pluripotentes Induzidas ─ um novo tipo de célula, descoberto em 2006, que se assemelha às células-tronco embrionárias mas é obtido artificialmente em laboratório) e células tronco (células embrionárias de fetos descartados após fertilização In Vitro).

"A diferença entre terapia celular e terapia gênica é que na terapia gênica o alvo é uma célula que já está lá (na retina)", disse Sallum.

Os estudos atuais envolvem pacientes com Doença de Stargardt e com degeneração macular senil (que não tem causas puramente hereditárias).

Embora os estudos já envolvam pesquisas clínicas, não é possível fazer previsões sobre quando tratamentos estarão disponíveis.

O benefício potencial da terapia celular seria imenso, explicou Sallum. A Doença de Stargardt é uma das mais comuns entre as distrofias degenerativas hereditárias da retina. E a degeneração macular senil (que não pertence à categoria das distrofias degenerativas da retina) é a maior causa de perda de visão em pacientes com mais de 50 anos.

3. Olho biônico

Há diversos olhos biônicos em estudo no momento, mas apenas dois receberam aprovação de entidades reguladoras para ser comercializados. O primeiro, a prótese Argos II, está disponível na Europa desde 2011 e, nos Estados Unidos, desde 2013.

A prótese Argos II (um microchip) é implantada no olho por meio de cirurgia e passa a substituir a função da retina. O paciente usa óculos acoplado a uma câmera. A câmera, sem fio, envia a imagem para a prótese. A prótese capta a imagem e estimula, por meio de eletricidade, as células remanescentes na retina. As células, por sua vez, enviam a informação ao cérebro.

O chip atual oferece imagens com definição de aproximadamente 36 pixels (pontos), o que permite a visão de vultos luminosos.

A prótese é útil como auxílio para pacientes que caminham com bengala, identificando portas, janelas ou objetos cuja cor contrasta com a do ambiente. Não há uma percepção de formas em detalhe, mas percebe-se que há um objeto ali. Também não há percepção de cor ─ a imagem é em preto e branco.

O olho biônico é indicado a pacientes com retinose pigmentar (RP) que não usam mais a visão para se locomover. Por volta de uma em cada quatro mil pessoas no mundo tem RP. No entanto, o número de pacientes com RP que perde a visão completamente é pequeno.

Segundo Juliana Sallum, a decisão de se implantar um olho biônico requer vários cuidados. Entre eles, o preparo psicológico do paciente.

"Sem um preparo cuidadoso, não adianta implantar, porque o paciente vai se decepcionar e mandar desligar", disse a médica.

Além disso, o uso do olho biônico requer anos de contínuo treinamento, já que o usuário precisa aprender a interpretar os estímulos que recebe, transformando-os em informação "visual".

Falando à BBC Brasil, a assessoria de imprensa da empresa americana Second Sight, fabricante da prótese Argos II, informou que há hoje 180 pessoas vivendo com implantes do olho biônico no mundo.

A assessora ressaltou que, apesar da baixa definição da imagem que a prótese oferece, não se pode subestimar a importância, para alguém que perdeu a visão, de se poder identificar o vulto de um rosto durante uma conversa, ou a presença de um carro parado na rua que se quer atravessar.

A assessoria informou também que o fabricante trabalha constantemente para aperfeiçoar a prótese.

O foco desses esforços tem sido melhorias nos óculos e na câmera para permitir um aumento no campo de visão e a percepção de cor, entre outros avanços.

A prótese Argos II custa, atualmente, US$ 150 mil (R$ 523 mil).

Em março desse ano, um outro olho biônico, o Alpha AMS, fabricado pela empresa alemã Retina Implant AG, recebeu aprovação para ser comercializado na Europa.

Butantan fecha parceria com EUA para desenvolver vacina de zika

28 MAI 2016
Zika vírus

O Instituto Butantan fechou, nesta sexta-feira (24), uma parceria com os Estados Unidos e com a Organização Mundial da Saúde (OMS) para o desenvolvimento de uma vacina contra o vírus da zika.

O centro de pesquisa brasileiro deve receber US$ 3 milhões da Autoridade de Desenvolvimento e Pesquisa Biomédica Avançada (Barda, na sigla em inglês), órgão ligado ao Departamento de Saúde e Serviços Humanos do governo americano (HHS), para o desenvolvimento de uma vacina de zika com vírus inativado. O HHS é o órgão equivalente ao Ministério da Saúde dos EUA.

O investimento faz parte de um acordo já existente entre a Barda e a OMS. Além dos US$ 3 milhões provenientes do órgão americano, a OMS também destinará doações de outros países e organizações privadas para o expandir a capacidade de produção de vacinas do Instituto Butantan.

Com o dinheiro, o Butantan poderá comprar equipamentos de laboratório, reagentes, linhagens de células e outros recursos necessários para o desenvolvimento e produção da vacina de zika. A parceria também inclui a cooperação técnica entre pesquisadores da Barda e do Butantan.

A expectativa é que a vacina esteja pronta para testes em humanos no primeiro semestre de 2017.

Vacina de vírus inativado

Segundo o diretor do Instituto Butantan, Jorge Kalil, o desenvolvimento da vacina de vírus inativado contra zika já está em desenvolvimento há alguns meses. Pesquisadores do centro já trabalharam no processo de cultura, purificação e inativação do vírus em laboratório. Na fase atual, roedores devem começar a receber os vírus inativados.

O Butantan tem ainda outras três iniciativas de desenvolvimento de vacina contra zika: uma vacina a base de DNA, outra vacina com vírus inativado semelhante à vacina da dengue, além de uma vacina híbrida que tem como base a vacina de sarampo.

"A resposta tem que ser rápida ou o dano vai estar feito e deixará um legado terrível: as crianças com microcefalia", diz Kalil.

Segundo o diretor, esse desenvolvimento ocorreria de forma mais rápida se houvesse mais recursos disponível. Em fevereiro, o governo federal anunciou um investimento de R$ 8,5 milhões para financiar o desenvolvimento de pesquisas relacionadas à zika no Instituto Butantan. Mas, segundo Kalil, o recurso ainda não foi liberado.

Vírus já circula em 61 países

Em fevereiro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o vírus da zika como emergência de saúde pública global. O vírus foi associado à microcefalia, uma malformação congênita.

De acordo com boletim da OMS divulgado na semana passada, 61 países e territórios já registram transmissão continuada do vírus da zika. Além disso, outros 10 países tiveram relato de transmissão de zika de indivíduo para indivíduo, provavelmente por via sexual.

O Brasil é o país onde o vírus está mais disseminado, com mais casos de infecção pelo vírus e de microcefalia associada à zika. O país teve 138.108 casos prováveis de zika em 2016 até o dia 7 de maio, segundo o Ministério da Saúde. Em 2016, o país registrou uma morte causada pela doença em um adulto no Rio de Janeiro e, no ano passado, foram 3 mortes de adultos.

Ainda segundo a pasta, são 1.616 casos confirmados de microcefalia desde o início das investigações, em 22 de outubro, até 11 de junho, com 73 mortes de bebês.

O que é Caxumba: esclareça suas dúvidas

27 MAI 2016
Mulher com verificando o pescoço

Uma doença "antiga", conhecida por nossos avós e bisavós, está de volta: a caxumba. Neste ano, a cidade de São Paulo registrou um aumento expressivo de 500%  no número de pessoas acometidas pelo vírus da caxumba. Adolescentes e adultos jovens foram os mais acometidos. Considerando-se que existe uma vacina altamente eficaz, quais seriam as causas deste surto de caxumba? Quais as suas principais complicações? Esclareça suas dúvidas.
 
- O que é a caxumba?
 
A caxumba é uma doença transmitida por um vírus da família do Paramyxovírus. Este vírus  pode "atacar" a parótida, mais comumente,  e outras  glândulas salivares. A parótida está localizada na região da mandíbula, um pouco abaixo da orelha. Por isso a caxumba também é chamada de "parotidite". Como temos 2 glândulas parótidas, uma de cada lado, as pessoas podem ter a caxumba de um lado só ou dos dois. Quem teve de um lado só pode ficar tranquilo, pois já está protegido.
 
- Quais são os sintomas da caxumba?
 
A caxumba começa com febre, dor de cabeça, dores musculares, desânimo, cansaço, náuseas e dor abaixo da orelha. Mais ou menos um dia depois começa a aparecer o inchaço característico na região da mandíbula. Os gânglios do pescoço em geral aumentam de tamanho e a pessoa tem muita dor nesta região. Dói muito para mastigar. Isso porque a parótida é uma glândula salivar e está toda inflamada. Quando tem que produzir saliva, dói. Alimentos ácidos, que provocam muita salivação, são extremamente desconfortáveis e contraindicados para quem está com caxumba.
 
- Como se "pega" caxumba?
 
A caxumba é transmitida pela saliva contaminada e por gotículas de saliva com os vírus  que ficam em suspensão no ar. Por isso deve-se evitar compartilhar talheres, pratos, copos ou respirar muito perto de quem está com caxumba.
 
- Qual é o período de contagiosidade?
 
Aí é que está. A pessoa acometida pode estar transmitindo a caxumba (sem saber) uns 3 dias antes dos sintomas começarem. E permanece contagiosa até mais ou menos 7-10 dias depois que os sintomas surgiram. O período de incubação dura de 2 a 3 semanas.
 
- Existe tratamento para a caxumba?
 
Não! A doença é causada por um vírus para o qual não há nenhuma terapêutica específica. O tratamento mais importante consiste em uma boa alimentação, hidratação e repouso. Principalmente o repouso, para que o sistema imune utilize nossas energias para  nos defender e evitar as complicações.
 
- Quais são as complicações da caxumba?
 
O vírus pode acometer outros órgãos e sistemas e dar meningite, orquite, que é a inflamação dos testículos, a ooforite, que é a inflamação dos ovários, pancreatite, neurite ou até surdez.
 
- A caxumba pode deixar o homem estéril?
 
Sim, se os dois testículos forem acometidos de forma importante. Mas isso é muito raro de acontecer.  Quando acontece, é mais comum que seja em apenas um testículo. O testículo bom funciona normalmente e neste caso não há risco de esterilidade.
 
- Há vacinas para a caxumba? Adultos podem ser vacinados?
 
Sim. Há vacinas e são extremamente eficazes. Existem duas vacinas: uma que vem junto com a do Sarampo e Rubéola (SCR), chamada de tríplice viral e outra que vem junto com a do Sarampo, Rubéola e Catapora (SCRV), chamada  de tetraviral. Ambas são eficientes. Nas crianças, a primeira dose deve ser dada com 1 ano de idade e um reforço entre 15 meses e 2 anos. Os adultos não vacinados – ou que não souberem se foram ou não vacinados- devem tomar 2 doses, com intervalo de 1 mês entre elas.
 
- Quem já teve caxumba precisa ser vacinado?
 
Não. A doença caxumba protege para o resto da vida.
 
- Por que agora estão aumentando os casos de caxumba?
 
Muito provavelmente porque quando os atuais adolescentes e adultos jovens eram crianças não estava indicada a dose de reforço. Com o tempo,  a imunidade deles diminuiu. Por isso a dose de reforço é super importante.

Existe gordura boa no organismo?

27 MAI 2016
Existe gordura boa no organismo?

As células de gordura branca são responsáveis por armazenar energia excedente consumida em forma de gordura, já as células de gordura marrom têm como principal característica serem termogênicas, ou seja, regulam a produção de calor e, consequentemente a temperatura corporal, para isso queimam energia excedente. As células de gordura marrom estão mais presentes em recém-nascidos e filhotes de mamíferos. Muitos estudos têm se concentrado em como transformar células de gordura branca em células de gordura marrom. Mas, para isso, é necessário encontrar um método eficaz e viável economicamente para medir, sem risco para a saúde, a atividade da gordura marrom no organismo.

Um estudo realizado pelos pesquisadores da Universidade de Bonn, na Alemanha, publicado na revista Nature Communications, mostrou que uma pequena amostra de sangue pode ser suficiente para medir essa atividade. O estudo, feito em camundongos e em um pequeno coorte de humanos, mostrou o microARN-92ª como uma possível medida indireta da atividade de consumo de energia das células de gordura marrom.

O professor Alexander Pfeifer, diretor do Instituto de Farmacologia e Toxicologia da Universidade de Bonn, vem investigando a gordura marrom em ratos durante anos. Ele foi tentando entender como transformar células de gordura branca desfavorecidas, em marrons, que consomem energia. Mas precisava se chegar ao marcador que tornasse possível medir a atividade das células marrom.

Em colaboração com a Universidade de Maastricht (Holanda), Turku (Finlândia) e do Hospital Universitário Hamburg-Eppendorf, os pesquisadores encontraram uma maneira fácil de exibir atividade de gordura marrom: microARN-92ª. Os microARNs são conhecidos por serem responsáveis ​​pela regulação de genes. Os pesquisadores mostraram, pela primeira vez, que as células de gordura marrom entregam esses microARNs para o sangue por meio de exossomos, que "podem ser vistos como pequenos pacotes fornecidos pelas células de gordura marrom por meio da circulação”. Mais ainda não se sabe como se dá tal mecanismo.

Muitos microARNs foram investigados durante a investigação e verificou-se que o o microARN-92ª está presente em humanos e camundongos, e está relacionado à atividade de gordura marrom. Sempre que miR-92ª é baixo na circulação, as pessoas são capazes de queimar um grande quantidade de energia com a gordura marrom. Para provar a conexão em seres humanos, os cientistas testaram 41 participantes da Finlândia e Países Baixos. "Nós encontramos uma relação significativa entre a atividade de gordura marrom e miR-92ª, que precisa ser comprovado em coortes maiores", afirmam os pesquisadores.

O biomarcador pode habilitar testes de eficácia de novos fármacos. "O miR-92ª  parece ser um promissor biomarcador para testar novas drogas em matéria de redução de peso ou transição de gordura branca para gordura marrom em seres humanos”, destacam.

Estudo revela que quase 80% dos idosos que vivem em lares sofrem de demência

27 MAI 2016
Idoso com a mão na cabeça

Um estudo realizado pela União das Misericórdias Portuguesas revelou que 9 em cada 10 idosos que vivem em lares sofrem de alterações no seu estado mental que sugerem demência. Este estudo, que está integrado no projecto Valorização e Inovação em Demências (VIDAS), foi realizado após uma investigação que durou cerca de 2 anos. Do estudo fizeram parte 1503 idosos que pertencem a 23 instituições. Esta amostra de idosos foi avaliada por neurologistas e psicólogos, de modo a que os exames revelassem se os idosos sofriam ou não de demência e em que estado se encontrava a doença, visto que muitas vezes a demência não é reconhecida.

O resultado final mostrou que 90% das pessoas que vivem em lares tem alterações cognitivas que podem sugerir demência, sendo que verificou que 78% dos idosos sofrem de demência.

Este estudo também mostrou que uma pequena percentagem (3%) das pessoas que vivem em lares não tem qualquer alteração mental e que 8% apresentam alterações, no entanto não sofrem de demência.

Numa primeira fase, os responsáveis pelo estudo dividiram os idosos em 4 grupos: os que tinham e não tinham alterações cognitivas e os que sofriam ou não de demência, explicou o coordenador do estudo à agência Lusa.

Se não se tivesse realizado este estudo, os idosos que residem em lares e fizeram parte da experiência não saberiam se sofrem ou não da doença, visto que 70% dos idosos nunca tinham realizado testes para confirmar se sofrem de alterações cognitivas. A verdade é que os directores técnicos e os responsáveis que tratam dos idosos não têm conseguido identificar o grau da doença.

O coordenador do estudo, Caldas Almeida, apontou que "existe um número muito importante de pessoas com demências nos lares e um número importante de pessoas com demência em que essa demência não é reconhecida" devido à falta de exames neurológicos e psicológicos.

Deparando-se com o resultado final do estudo, o psiquiatra afirmou que é preciso preparar melhor as estruturas dos lares que recebem mais os velhos, visto que os números excederam as expectativas iniciais em relação ao estudo.

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