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Representação da OPAS/OMS no Brasil lança fascículo sobre uso de medicamentos para casos de depressão em idosos

14 ABR 2016
Idoso

Acaba de ser lançado pela Representação da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) no Brasil o fascículo “Abordagem da depressão maior em idosos: medidas não medicamentosas e medicamentosas”. A publicação integra a série “Uso Racional de Medicamentos: fundamentação em condutas terapêuticas e nos macroprocessos da Assistência Farmacêutica”. O objetivo é fornecer aos profissionais, gestores e usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) informações confiáveis e isentas, com base nas melhores evidências científicas disponíveis.

O projeto, que conta com a participação de renomados profissionais, é coordenado pela OPAS/OMS em conjunto com a pesquisadora Lenita Wannmacher. Conforme o novo fascículo, os distúrbios depressivos caracterizam-se por tristeza persistente, falta de interesse e pouca energia, que afetam o funcionamento do individuo no dia a dia. De acordo com Lenita, a depressão pode aumentar significativamente com a idade (85 anos ou mais), incapacidade de locomoção, diminuição de visão, prejuízo cognitivo leve, percepção subjetiva de perda de memória e tabagismo.

“Estudos realizados em pessoas com 55 anos ou mais mostraram que, em média, a prevalência de depressão é de 14,4% no âmbito hospitalar, 10,4% na comunidade e 7,7% em pacientes da atenção primária. Os fatores de risco associados incluíram gênero feminino, história de doenças cerebrovasculares, distúrbio de ansiedade generalizada, solidão e atendimento institucional de longo prazo”, acrescenta a pesquisadora.

Abordagem terapêutica

De acordo com o fascículo, a depressão maior em idosos pode diferir da que se apresenta em adultos mais jovens, em termos de etiologia, manifestações, tratamento e desfechos. Pode provir de inúmeras condições ou se associar a elas, tais como: processos crônicos relacionados à idade (cardiovasculares, inflamatórios, endócrinos, autoimunes); uso continuado de alguns medicamentos; adversidades psicológicas (empobrecimento, isolamento social, abandono ou falta de solicitude de familiares, famílias pouco estruturadas, incapacidade funcional, vulnerabilidade social); mudanças de estilo de vida (diminuição de atividades diárias, dependência de outras pessoas no exercício de atividades cotidianas, moradia em casas geriátricas); e déficits cognitivos. Fatores hereditários também contribuem. Nessas pessoas, a depressão piora a comorbidade, diminui a qualidade de vida e aumenta a mortalidade.

Segundo Lenita Wannmacher, a depressão que necessita intervenção é encontrada em 10% das pessoas acima de 60 anos. “Em mais da metade dessas pessoas, os sintomas são recorrentes. Em idosos que vivem em instituições geriátricas, a depressão é encontrada em mais de 40% dos residentes. Em muitos casos, os cuidadores não reconhecem a depressão”, afirma.

Recomendações e precauções contemporâneas relacionadas ao manejo da depressão maior em idosos

  • O manejo da depressão maior unipolar pode ser feito com antidepressivos e medidas não medicamentosas, que em associação se mostram mais eficazes que as intervenções isoladas.
  • Em quadros agudos, o tratamento se faz com antidepressivos, selecionando-se aqueles com menor potencial de efeitos adversos e de interações perigosas.
  • Em depressão grave, que exige internação hospitalar, antidepressivos e eletroconvulsoterapia se mostram benéficos, sendo que essa última não aumenta o risco de perda cognitiva permanente.
  • As evidências sobre as intervenções não medicamentosas são parcas e conflitantes, devido a limitações metodológicas e variabilidade dos estudos. Ampla revisão considera benéficas a terapia cognitivo-comportamental e a psicoterapia interpessoal.
  • Os antidepressivos mais novos não se mostraram significativamente mais eficazes, e muitos deles apresentam mais efeitos adversos do que os mais antigos de mesma classe.

Idosos saudáveis resistem mais a calor, mas não à umidade

14 ABR 2016
Idosa fazendo exercícios

Os idosos são mais vulneráveis aos sucessivos recordes de temperatura registrados em diferentes partes do mundo nos últimos anos, que induzem, por exemplo, a alterações no mecanismo de controle da temperatura corpórea, conforme apontam especialistas da área de geriatria.

Um estudo realizado por pesquisadores da Faculdade de Medicina e do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmoféricas (IAG), da Universidade de São Paulo (USP), constatou, contudo, que idosos saudáveis são capazer de tolerar um calor de 32 ºC, por exemplo – temperatura que representa um dia quente de verão em São Paulo –, mantendo um bom desempenho cognitivo.

Resultado de um projeto realizado no âmbito do Instituto Nacional de Análise Integrada de Risco Ambiental – um dos INCTs apoiados pela FAPESP e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) no Estado de São Paulo –, o estudo foi descrito em um artigo publicado na revista Age, da Associação Americana de Envelhecimento.

"Observamos que o desempenho cognitivo de idosos com boa funcionalidade não sofreu efeitos nocivos da exposição ao calor", disse Beatriz Maria Trezza, geriatra do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP e primeira autora do estudo, à Agência FAPESP.

Os pesquisadores avaliaram os efeitos do estresse térmico sobre o desempenho cognitivo de 68 idosos com idade média de 73,3 anos, com bom desempenho físico e cognitivo – caracterizado pela boa saúde mental e caminhar de modo independente, entre outros aspectos. Os idosos são pacientes do serviço de geriatria do HC-FMUSP ou participantes do programa "Universidade aberta à terceira idade", da USP.

Para realizar o estudo, os pesquisadores fizeram um ensaio clínico em que submeteram os idosos a uma bateria de cinco testes neuropsicológicos computadorizados realizados sucessivamente em salas com temperatura controlada de 24 ºC – considerada confortável para atividade leve – e de 32 ºC.

Selecionados da Bateria Neuropsicológica Automatizada de Testes de Cambridge (Cantab, em inglês) – um software desenvolvido pela Cambridge University, do Reino Unido –, os cinco testes avaliaram diferentes aspectos do desempenho cognitivo dos idosos, como memória, atenção, tempo de reação a um estímulo visual e aprendizado.

Os resultados dos testes indicaram que não houve diferenças significativas no desempenho cognitivo dos idosos no ambiente com temperatura de 32 ºC em comparação com o de 24 ºC.

"As análises dos testes, como um todo, mostraram que o desempenho cognitivo dos idosos foi mantido no ambiente com 32 ºC", afirmou Trezza. "A população de idosos que avaliamos, entretanto, é bastante específica e talvez por isso seja menos vulnerável ao estresse térmico", avaliou.

Umidade e atividade física

Os pesquisadores também fizeram uma análise de interação dos resultados dos testes: dividiram os idosos em diferentes grupos – só de homens, mulheres (que representaram 69% dos participantes), mais velhos e mais ativos ou sedentários – com o objetivo de verificar se algum deles era mais suscetível aos efeitos do calor.

Ao dividir os idosos em dois grupos, submetidos a uma mesma temperatura, de 32 ºC, mas com umidades relativas do ar diferentes – um grupo com umidade relativa menor ou igual a 57,8% (a média da umidade calculada nos testes de variação de calor) e outro com umidade superior a essa –, os pesquisadores observaram que o grupo exposto à temperatura de 32 ºC com umidade relativa do ar acima de 57,8% sofreu os efeitos deletérios desse calor mais úmido em seu desempenho nos testes cognitivos.

Em contrapartida, não foram observadas diferenças significativas no desempenho cognitivo do grupo de 33 idosos expostos a um calor mais seco, com umidade menor ou igual a 57,8%.

"Durante os testes, a temperatura de calor, de 32 ºC, foi muito bem controlada, mas não tivemos como controlar a umidade relativa do ar", explicou Trezza.

Por meio de um Projeto Temático, realizado com apoio da FAPESP, os pesquisadores estão realizando uma nova bateria de testes com o mesmo perfil de idosos em que pretendem comparar o desempenho cognitivo deles sob uma temperatura de 32 ºC, com diferentes níveis de umidade relativa do ar.

"Pretendemos certificar se a umidade relativa do ar realmente é um fator que afeta o desempenho cognitivo dos idosos, porque só sob efeito do calor não houve diferença", disse Fábio Luiz Teixeira Gonçalves, professor do IAG-USP e coordenador do projeto.

Os pesquisadores ainda não sabem exatamente porque o nível de umidade relativa do ar influencia o desempenho cognitivo dos idosos.

Uma das hipóteses é que, quanto maior a umidade relativa do ar em altas temperaturas, maior o estresse do calor sobre o corpo humano.

Isso porque um dos principais mecanismos do corpo humano para perder calor em um dia quente – com temperatura acima dos 30 ºC – é a transpiração.

Com o nível de umidade relativa do ar mais alto em um dia quente, menor é a possibilidade de transpirar e é mais difícil regular a temperatura corpórea, principalmente pelos idosos, explicou Trezza.

"O estresse na regulação da temperatura corpórea acaba competindo com o funcionamento do cérebro. A rede neural, que está tentando manter a temperatura estável do corpo, tem que se preocupar com outra função ao mesmo tempo", detalhou.

Os pesquisadores também constataram que a frequência de atividade física influencia o efeito do calor no desempenho cognitivo dos idosos.

Os idosos que declararam fazer atividade física com frequência menor do que quatro vezes por semana apresentaram pior desempenho cognitivo sob o calor do que aqueles que afirmaram fazer atividade física com frequência maior do que quatro dias.

"O controle térmico do corpo de pessoas que fazem mais atividade física é melhor do que o dos sedentários", explicou Trezza. "Quando se faz atividade física, a temperatura do corpo aumenta e ele vai aprendendo a dissipar calor", disse.

Estudo pioneiro

De acordo com a pesquisadora, o estudo sobre o efeito do calor no desempenho cognitivo de idosos é pioneiro.

Isso porque já têm sido realizados estudos nessa linha com militares, trabalhadores expostos a ambientes extremos e jovens. Mas, até então, ainda não tinha sido feito nenhum estudo específico com idosos.

"Paralelamente às mudanças climáticas globais, também está ocorrendo um processo de envelhecimento populacional. Um dos objetivos do estudo foi tentar entender como uma população que está envelhecendo e que sofrerá mudanças no controle da temperatura corpórea irá conviver com um clima que está esquentando", disse Trezza.

Juntamente com os recém-nascidos, os idosos foram as maiores vítimas das ondas de calor registradas em diferentes partes do mundo nos últimos anos, como no verão de 2003 na Europa.

"A sensibilidade dos idosos ao calor é menor e eles têm menor percepção da variação da temperatura, desencadeando uma resposta comportamental mais tardiamente", disse Trezza.

Ao perguntar aos idosos participantes do estudo se estavam confortáveis ou desconfortáveis sob a temperatura de 32 ºC, aproximadamente um terço respondeu que estava confortável.

Sociedades médicas rejeitam pílula do câncer como suplemento: 'é camuflar'

14 ABR 2016
Fosfoetalonamina

Após a afirmação do ministro de Ciência e Tecnologia, Celso Pansera, de que iria sugerir que a fosfoetalonamina, mais conhecida como pílula do câncer, fosse legalizada como suplemento alimentar, sociedades médicas criticaram a solução que, na visão delas, seria uma forma de "camuflar" a substância, que acabaria sendo usada como medicamento por pacientes.

"Compreendo que o ministro e o próprio legislativo estejam sofrendo uma pressão muito grande, mas liberar um remédio como suplemento alimentar é uma forma de tentar passar ao largo de toda a experimentação científica a que essa substância tem de se submeter", diz Mauro Gomes Aranha de Lima, presidente do Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo).

Ainda não foram feitos testes em humanos para saber se a fosfoetalonamina sintética é eficiente no combate ao câncer, o que impede seu registro como medicamento pela Anvisa. Os primeiros resultados de pesquisas encomendadas pelo MCTI, ainda em laboratório, apontaram que a molécula não tem efeito no tratamento.

"A fosfoetalonamina sintética não passou por fases de pesquisa que são necessárias para que se tenha uma grande possibilidade de determinar a eficácia da substância e ao mesmo tempo dar segurança ao paciente, em termos dos efeitos colaterais", avalia o presidente do Cremesp.
Como a fosfoetalonamina sintética em pequenas doses não é uma substância tóxica, a aprovação dela como suplemento alimentar pela Anvisa seria mais fácil --já que não precisa provar efeitos medicinais. Assim, bastaria um laboratório pedir o registro para a agência nacional, que avaliaria apenas se ela é prejudicial à saúde.

"Vai sair no rótulo como suplemento. Mas vão utilizar como um? Acredito que não. Liberar a substância dessa maneira é liberar o medicamento", analisa Gustavo Fernandes, presidente da SBOC (Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica).

Se aprovada como suplemento, a pílula poderia ser vendida sem prescrição médica em estabelecimentos como os que vendem a famosa Whey Protein. No rótulo do suplemento, é proibida qualquer expressão que se refira ao uso para prevenir, aliviar ou tratar uma enfermidade.

O pesquisador Marcos Vinícius de Almeida, um dos detentores da patente da fosfoetanolamina sintética, já havia comentado a possibilidade da substância ser aprovada como suplemento.

Entidades pressionam veto à pílula do câncer

Apesar de resultados que apontam para a baixa eficiência da pílula, o Congresso aprovou no dia 22 um projeto de lei que permite o uso da substância mesmo sem registro da Anvisa por pacientes de câncer que queiram testá-lo. Dilma deve decidir se sanciona ou veta o projeto ainda na primeira quinzena de abril.

"O Senado foi populista. Liberou a substância contra todos os pareceres técnicos e todos os órgãos oficiais", analisa o presidente da SBOC.

A preocupação dos médicos é de que pacientes deixem o tratamento formal para usar a substância.

Onze entidades e pacientes enviaram na última segunda (28) um ofício à presidente Dilma Rousseff pedindo o veto ao projeto de lei. O documento é assinado pela ONG Oncoguia, pela Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama, pelo Hospital Albert Einstein e pela Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, entre outras

"É decepcionante este esforço político para aprovar algo que não tem segurança, regulamentação, nada comprovado, só estudos feitos em ratinhos. Queremos que os estudos clínicos comecem porque todos temos esperança que a fosfoetanolamina mude a vida das pessoas, mas antes temos que ter dados científicos que comprovem, senão todas as nossas brigas serão jogadas por água baixo", afirma Luciana Holtz, presidente da ONG Instituto Oncoguia.

MCTI quer evitar venda ilegal do produto

Em resposta às críticas da proposta de liberar a fosfoetanolamina como suplemento alimentar, o ministro da Ciência e Tecnologia, Celso Pansera, afirmou que essa seria uma forma de evitar a venda ilegal do produto --que acontece atualmente.

"Nós só queremos que isso chegue às prateleiras das lojas, seja legalizado, com certificado de origem e orientações de uso. Isso não substitui os tratamentos já comprovados para o câncer, nem a orientação do médico", disse.

Para ele, a comunidade científica "precisa ver que pessoas estão consumindo o produto há mais de vinte anos, sem nenhuma segurança de higiene e do que está dentro das cápsulas".

O ministro, contudo, não respondeu quem será responsável pela regularização como suplemento alimentar tampouco se a proposta seria enviada à presidente como indicação de veto ao projeto de lei.

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), responsável pela regulação de medicamentos e suplementos alimentares, também foi procurada, mas não se manifestou sobre o caso até o fechamento desta reportagem.

Um quinto da população brasileira é obesa, diz estudo

14 ABR 2016
Pessoa comendo sanduíche

Estudo publicado na revista científica Lancet mostra que um quinto da população brasileira adulta, ou quase 30 milhões de pessoas, é obesa.

O número é maior entre as mulheres: 23% delas, ou 18 milhões, eram obesas em 2014. Entre os homens, o índice é de 17% (11,9 milhões).

Os números colocam o Brasil entre os países mais obesos do mundo. Entre os homens, só fica atrás de China e EUA; entre as mulheres o Brasil fica em 5º, atrás também de Rússia e Índia.

A comparação é feita em números absolutos e todos os países listados estão entre os mais populosos do mundo.

No ranking masculino, o Brasil está à frente da Índia, que tem população maior que a do Brasil.

Em 1975, o Brasil estava em 10º no ranking de homens obesos e 9º no de mulheres.

Por outro lado, o estudo mostra que o país melhorou em relação a pessoas abaixo do peso: o Brasil aparecia em 9º nos dois rankings em 1975 e agora está em 18º entre os homens e 13º entre as mulheres. Cerca de 3% da população adulta brasileira (4 milhões) estão abaixo do peso.

São consideradas obesas, de acordo com a pesquisa, pessoas que tem o IMC (índice de massa corporal) acima de 30. Para se calcular o IMC deve-se elevar ao quadro a altura da pessoa e dividir pelo peso o resultado obtido.

Mundo

A pesquisa, coordenada por cientistas do Imperial College London, comparou o IMC de cerca de 20 milhões de homens e mulheres de 1975 a 2014. Os dados se referem a 186 países.

O estudo conclui que há mais adultos no mundo classificados como obesos do que como abaixo do peso.

Diz também que um quinto dos adultos do mundo será obeso em 2025 e que as chances de atingir as metas da ONU para frear a obesidade nos próximos dez anos são "virtualmente zero". O objetivo da OMS (Organização Mundial da Saúde) é que em 2025 os índices não sejam maiores que os de 2010.

Seguindo a pesquisa, desde 1975 a obesidade triplicou entre homens e dobrou entre mulheres. O número de obesos passou de 105 milhões em 1975 para 641 milhões em 2014.

Enquanto isso o número de pessoas abaixo do peso aumentou de 330 milhões para 462 milhões no mesmo período. Mas caiu em termos proporcionais: de 14% para 9% em homens e de 15% para 10% em mulheres.

O principal autor do estudo, Majid Ezzat, disse que há uma "epidemia de obesidade grave".

"Nossa pesquisa mostrou que em 40 anos nos fizemos a transição de um mundo em que o número de pessoas abaixo do peso era o dobro das obesas para um em que há mais obesos que pessoas abaixo do peso".

"Embora seja reconfortante saber que o número (proporcional) de pessoas abaixo do peso caiu nos últimos anos, a obesidade global chegou a um ponto de crise."

Teste mostra se o alimento faz bem

14 ABR 2016
Alimentos

Imagine um exame capaz de mostrar se a salada que você comeu no almoço fez bem para o seu organismo e o tamanho desse benefício. A ferramenta valiosa acaba de ser apresentada por cientistas dos Estados Unidos e se dá por meio da análise da urina. O resultado, que dura cerca de 10 minutos, pode ajudar na avaliação e na construção de dietas voltadas para doenças ligadas à alimentação, como o câncer.

Antes do teste, a mesma equipe analisou o impacto de hábitos alimentares sobre a saúde de 63 mil chineses. O estudo mostrou como vegetais crucíferos – muito presentes em dietas asiáticas, como brócolis, repolho, couve-flor e agrião – podem ajudar na prevenção de tumores. "O consumo de vegetais ricos na substância isotiocianato (ITC) está diretamente relacionado a ocorrências menores de câncer de pulmão, inclusive entre fumantes", destaca Marcin Dyba, pesquisador do Departamento de Oncologia da Universidade de Georgetown e um dos autores da pesquisa.

Estudos com animais demonstraram que diferentes tipos de ITC têm propriedades e potências anticancerígenas distintas. Altamente sensível, o teste de urina criado quantifica nove tipos de isotiocianato, e outros compostos encontrados em vegetais crucíferos. A ferramenta foi testada em amostras de mais de 30 mil idosos de Cingapura e teve resultados positivos.

Personalização Igor Morbeck, oncologista do Hospital Sírio-libanês em Brasília e professor da Universidade Católica de Brasília (UCB), destaca que o novo teste poderá ser bastante útil na área médica ao agregar dados valiosos ao tratamento de tumores. "Já se sabe que o isotiocianato pode agir como protetor ao câncer, mas esse teste traz informações a mais, como a concentração necessária para que isso ocorra, e também se outras substâncias podem ter o mesmo tipo de valor protetivo", diz.

A nutricionista Tatiana Helou ressalta a possibilidade de investir em uma abordagem personalizada com os dados fornecidos pelo exame. "Conseguir mensurar os efeitos de alimentos é um grande ganho, até porque a quantidade de determinado nutriente que deve ser consumido vai variar de acordo com o perfil do paciente. Temos mudanças até no preparo, um costume cultural que pode interferir no valor nutricional", diz.

Em experimento de 1971, cientista viu zika atacando cérebro de cobaia

12 MAR 2016
Zika

Um grupo de cientistas realizou em 1971 um experimento no qual camundongos infectados por zika apresentaram graves problemas no sistema nervoso. Durante 45 anos, a informação permaneceu enterrada nos arquivos da literatura médica, até o vírus se tornar um problema de saúde pública.

O trabalho, analisado em retrospectiva, é provavelmente o primeiro registro sugerindo que o patógeno transmitido por mosquitos pode causar problemas de desenvolvimento neurológico como a microcefalia.

O experimento, realizado pelo grupo do virologista Harash Narang, do Hospital Geral de Newcastle (Inglaterra), foi descrito em estudo na revista alemã "Archiv für die gesamte Virusforshcung" (Arquivos de Virologia Geral). Até a epidemia de zika se tornar um problema de saúde global, porém, o artigo só havia sido citado seis vezes.

O que Narang fez junto de dois colegas foi injetar o vírus no cérebro de camundongos adultos (com cinco semanas) e recém-nascidos. Os cientistas relatam ter observado que o zika conseguia se reproduzir dentro do cérebro, provocava inflamação e causava a morte de neurônios no hipocampo, estrutura cerebral essencial para a formação de memórias.

"A replicação do vírus em neurônios indica que sua destruição, vista de modo claro sob a luz em microscópios, se deve especificamente à infecção por zika", escreveram Narang e seus colegas.

O zika foi descoberto em 1948, em macacos na Uganda, e passou quase duas décadas anos gerando pouco interesse de cientistas. Com os primeiros casos em humanos descobertos em 1964, o interesse no patógeno aumentou um pouco, mas naquela época não havia evidência de que o zika pudesse interferir com o desenvolvimento neurológico.

O trabalho de Narang, porém, não pareceu particularmente alarmante, porque uma injeção intracraniana não é um modelo totalmente adequado para simular uma infeção real por zika, que entra pela corrente sanguínea. Não estava claro se, em camundongos, o vírus seria capaz de cruzar a chamada barreira hematoencefálica, que separa o cérebro da circulação sanguínea.

Já havia o relato de que, em humanos, o zika conseguia cruzar a barreira hematoencefálica, mas os casos conhecidos até então não eram acompanhados de dano neurológico.

Redescoberta

O experimento de Narang foi relegado então aos porões da história da ciência até que, no final de 2015, Jason Tetro, biólogo canadense que estuda a história da microbiologia, encontrou seu estudo.

Em artigo publicado em janeiro de 2016 na revista médica "Microbes and Infection", quando a ligação entre o zika e a microcefalia já havia sido noticiada pela imprensa de virtualmente todo o mundo, Tetro descreveu a história da pesquisa do vírus anterior a sua reemergência de 2007, mencionando Narang. O estudo de 1971 começou então a ser mencionado por outros cientistas e, em dois meses, recebeu o mesmo volume de atenção que havia demorado quatro décadas para acumular.

Desde o fim do ano passado, cientistas estão usando camundongos para tentar simular a infecção por zika. Nenhum trabalho teve resultado publicado até agora. Estudos de infecção usando métodos mais sofisticados, como aglomerados de neurônios cultivados em tubos de ensaio, já mostraram que o vírus é capaz de afetar o sistema nervoso.

Zika pode prejudicar o feto em qualquer fase da gravidez

12 MAR 2016
Mulher segurando a bíblia

A infecção por zika pode prejudicar o feto em qualquer fase da gravidez, não apenas se a mãe adoecer nas primeiras semanas de gestação, como se imaginava inicialmente. É o que mostra pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz e da Universidade da Califórnia, publicada no site da revista científica The New England Journal of Medicine. De 42 mulheres acompanhadas, 29% esperavam bebês com alterações no sistema nervoso central.

Os filhos de mulheres contaminadas entre a 5ª e a 38ª semanas de gravidez apresentaram más-formações, como microcefalia, calcificações cerebrais, restrição de crescimento intrauterino, ausência de hemisférios cerebrais. A infecção pelo vírus também afetou a função placentária e houve casos de grávidas com pouco líquido e até mesmo com ausência de líquido amniótico. Dois fetos morreram; suas mães haviam adoecido na 25ª e na 32ª semanas de gestação.

O estudo, iniciado em setembro, antes mesmo de o Ministério da Saúde decretar emergência em saúde pública, acompanhou 88 mulheres com sintomas de zika, como manchas vermelhas no corpo, conjuntivite, dor de cabeça e dores nas articulações. Os exames deram positivo para zika em 72 mulheres (82%): 42 aceitaram ser acompanhadas e passaram por ultrassonografia; as demais alegaram que o local para os exames era distante de casa ou se negaram a fazer os testes por temer os resultados. As 16 que tiveram teste para zika negativo também passaram por ultrassonografias.

Todas eram saudáveis, e não apresentavam nenhum outro fator de risco além de terem contraído zika - possíveis causas de microcefalia, como sífilis, citomegalovírus e rubéola haviam sido afastadas nos exames. Um dado chamou a atenção dos pesquisadores e foi registrado no trabalho: 88% das grávidas já haviam tido dengue, confirmado por exames de sangue. As mulheres relataram ainda que outros parentes haviam contraído zika - 21% delas disseram que seus companheiros adoeceram.

Das 42 mulheres acompanhadas, 12 esperavam bebês com más-formações. As ultrassonografias mostraram que cinco deles tinham restrição de crescimento intrauterino (com ou sem microcefalia); quatro apresentavam calcificações cerebrais, dois tinham outras lesões do sistema nervoso central; quantidade insuficiente de líquido amniótico foi percebida em sete crianças. Quatro fetos tinham fluxo anormal nas artérias cerebrais ou umbilicais.

Seis mulheres deram à luz e os achados na ultrassonografia foram confirmados: um bebê tinha microcefalia severa e atrofia cerebral; dois bebês diagnosticados com restrição do crescimento intrauterino foram considerados pequenos ao nascer e com cabeças proporcionais e um bebê cuja mãe apresentou pouco líquido amniótico nasceu com tamanho adequado para a idade gestacional. Duas mulheres que não tiveram zika deram à luz bebês sem nenhuma alteração.

Para os pesquisadores, esses resultados "fornecem apoio adicional" para mostrar a ligação entre a infecção de grávidas por zika e "anomalias fetais e placentárias".

"Apesar de os sintomas clínicos leves , infecção pelo vírus zika durante a gravidez parece estar associada a resultados graves, como morte fetal, insuficiência placentária, restrição de crescimento fetal, e lesões do sistema nervoso central"

Eles recomendam o cuidadoso acompanhamento dessas mulheres para avaliar os sinais de insuficiência placentária, que podem levar à morte do feto. O estudo, que reúne pesquisadores de diferentes instituições ligadas à Fiocruz, como o Instituto Nacional de Infectologia (INI) e o Instituto Fernandes Figueiras, ainda não foi encerrado. As crianças nascidas dessas mães serão acompanhadas por longo prazo em outras fases da pesquisa.

Primeira mulher a receber transplante de útero nos EUA tem boa evolução

12 MAR 2016
Primeira mulher a receber transplante de útero

Uma mulher de 26 anos e mãe adotiva de três meninos, que na semana passada tornou-se a primeira a passar por um transplante de útero nos Estados Unidos, foi apresentada nesta segunda-feira (7) à imprensa.

A mulher, identificada apenas pelo primeiro nome, Lindsey, nasceu com uma condição conhecida como fator de infertilidade uterina, o que significa que não é possível utilizar o útero, ou que ele não funciona corretamente, inviabilizando a gravidez.

Este transtorno afeta entre três e cinco por centro das mulheres em todo o mundo, e cerca de 50 mil mulheres nos Estados Unidos.

No caso de Lindsey, ela contou que foi informada que não poderia ter filhos quando tinha 16 anos. "E a partir deste momento rezei para que Deus me desse a oportunidade de experimentar a gravidez e aqui estamos hoje no início dessa viagem", disse a mulher em coletiva de imprensa.

Em 26 de fevereiro, a mulher recebeu um útero de uma doadora de 30 anos que havia dado à luz previamente e morreu de forma repentina, informaram os médicos da Clínica de Cleveland, em Ohio (nordeste). A cirurgia levou nove horas.

Lindsey, que se reuniu com a imprensa dez dias após a operação e falou sentada numa cadeira de rodas, expressou uma "imensa gratidão pela família da doadora".

"Eles me deram um presente que nunca serei capaz de pagar e estou imensamente agradecida".

Butantã cobra verba federal para desenvolvimento de vacinas

12 MAR 2016
Arte de uma vacina

Genebra - O Instituto Butantã acusou o governo federal de não ter liberado "um só tostão" para o programa de pesquisas da entidade para desenvolver uma vacina contra o vírus zika e de não ter repassado recursos para a vacina contra a dengue. O instituto informou que o "Brasil corre o risco de ter de importar" a solução para o surto que afeta o País.

Em Genebra, o presidente do Instituto Butantã, Jorge Kalil, não mediu críticas. "É importante que o Brasil consiga trabalhar. Será uma vergonha se chegarmos até a OMS e tudo for resolvido pelos de fora. Mas continua a burocracia enorme para a liberação de verbas", disse. "Pedimos R$ 30 milhões para fazer o programa contra o zika. O Ministério da Saúde autorizou R$ 8,5 milhões. Mas, desse total, não chegou nada", acrescentou.

O Ministério da Saúde informou que, pelo contrato firmado no dia 22 de fevereiro, ficou acordado que 30% dos valores prometidos estarão disponíveis em até 30 dias, prazo que ainda não venceu. O ministério disse que investirá R$ 100 milhões na terceira fase do imunizante contra a dengue nos próximos dois anos, além de R$ 200 milhões, que serão repassados por outros órgãos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

OMS estima que quatro milhões de pessoas terão zika em 2016

02 FEV 2016
Larva do mosquito aedes aegypti

O continente americano deve ter entre três milhões e quatro milhões de casos de zika em 2016. A estimativa é da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), braço da Organização Mundial da Saúde (OMS). O cálculo é baseado no número de infectados por dengue, doença transmitida pelo mesmo vetor, em 2015. A organização considerou também a falta de imunidade da população para chegar a esse número.

A estimativa foi citada pelo diretor de Doenças Transmissíveis e Análise de Situação de Saúde da Opas, Marcos Espinal, em sessão da OMS sobre o vírus zika. O continente americano registrou cerca de 2 milhões de casos de dengue no ano passado, sendo 1,5 milhão no Brasil.

Semana passada a organização alertou que o vírus vai chegar a todos os países do continente americano, com exceção do Chile e do Canadá, onde não circula o vetor da doença, o mosquito Aedes aegypti.

Durante a sessão, a diretora-geral da OMS, Margaret Chan, avaliou que a situação do vírus no mundo mudou drasticamente, e que o zika, após ser detectado nas Américas em 2015, se espalha de forma explosiva. Até o momento, segundo a diretora-geral, 23 países  reportaram casos da doença.

Transmitido por um mosquito bem conhecido dos brasileiros, o zika vírus começou a circular no Brasil em 2014, mas só teve os primeiros registros feitos pelo governo em maio de 2015. O que se sabia sobre a doença, até o segundo semestre de 2015, era que sua evolução era benigna e que os sintomas são parecidos, porém, mais leves do que os da dengue e da febre chikungunya, transmitidas pelo mesmo mosquito.

Porém, no dia 28 de novembro de 2015 o Ministério da Saúde divulgou que, quando gestantes são infectadas por este vírus, existe a possibilidade virem a gerar crianças com microcefalia, uma malformação irreversível do cérebro, que pode vir associada a danos mentais, visuais e auditivos.

A relação causal foi feita, entre outros motivos, porque, com a chegada do vírus no país, foi percebido aumento inesperado de nascimentos de crianças com a má-formação, principalmente em locais onde há surto do zika. Enquanto em 2014 foram anotadas 147 notificações, entre outubro de 2015 e janeiro de 2016 foram registradas 270.

Para a diretora-geral da OMS, há uma suspeita muito forte da relação causal entre o zika vírus e casos de má-formação congênita e síndromes neurológicas, mas ela não foi cientificamente estabelecida.

Sofre com incontinência urinária e alterações de memória? Entenda o problema

02 FEV 2016
Mãos de um idoso

Alterações cognitivas em pacientes idosos são frequentes, ainda mais com o avançar da expectativa de vida. A estas alterações, usualmente afetando a memória, dá-se o nome genérico de Síndrome Demencial.

Em medicina, o termo "síndrome" descreve um conjunto de sinais e sintomas que podem ser originados por diferentes doenças.

Assim, a Síndrome Demencial pode ter várias causas (etiologias), relacionadas à própria idade (demência vascular), a alterações degenerativas (como na doença de Alzheimer), a fatores ambientais (como por exemplo indivíduos que se expuseram a impactos constantes na cabeça, como lutadores de boxe) e a fatores que perturbem a circulação normal do liquido céfalo-raquidiano (liquor).

É muito comum, ao nos depararmos com alguém de mais idade que apresenta problemas de memória, nos referirmos a esta pessoa como portadora da Doença de Alzheimer, causa mais conhecida da população de alterações de memória.

É importantíssimo frisar, no entanto, que toda alteração de memória deve ser investigada por médico especializado (usualmente o neurologista) pois algumas tem possibilidade de tratamento que, por sua vez, quanto mais precocemente introduzido, melhores resultados alcança.

Na coluna desta semana resolvi abordar uma das causas tratáveis de demência: a hidrocefalia de pressão normal.

Esta doença ocorre por uma falha na circulação normal do liquor pelo cérebro. O liquor é uma substância produzida diariamente pelo nosso cérebro, destinada a envolvê-lo em uma espécie de "colchão d'água", que lhe confere proteção.

O liquor é produzido dentro dos ventrículos cerebrais e deve circular em direção à coluna cervical, torácica e lombar, aonde será reabsorvido enquanto outra leva, mais nova, é produzida.

Quando a circulação do liquor não se dá de forma adequada, pode haver um "transbordamento" dos ventrículos para o tecido cerebral adjacente.

Usualmente este transbordamento acomete as fibras cerebrais que fazem a associação de idéias de um hemisfério cerebral com o outro, causando seu malfuncionamento e, portanto, dificuldades com a memória.

O que diferencia a demência oriunda desta causa são os sintomas que a acompanham: alteração de marcha (dificuldade para caminhar) e incontinência urinária.

Esta tríade de sintomas foi originalmente descrita por Hakim e Adams, em 1965, que verificaram que pacientes com dificuldade para caminhar, alterações de memória e incontinência urinária frequentemente tinham um distúrbio na circulação do liquor.

O tratamento consiste na realização de um procedimento cirúrgico destinado a restaurar o fluxo normal de liquor, usualmente conseguido através do implante de uma "válvula", que leva o liquor do interior dos ventrículos para outra cavidade do corpo aonde possa ser reabsorvido sem prejuízos.

A tríade de Hakim e Adams caracteriza, pois, esta doença, chamada de Hidrocefalia de Pressão Normal.

O diagnóstico é principalmente clínico, com a caracterização de padrões específicos de marcha e déficit de memória.

Exames complementares somente confirmam ou afastam o diagnóstico, sendo sempre enfatizada a suspeita clínica.

Por se tratar de uma causa potencialmente reversível de demência, com tratamento cirúrgico simples e conhecido há séculos, é fundamental o diagnóstico precoce. Quanto mais cedo o tratamento for realizado, maiores as chances do paciente voltar a caminhar normalmente, controlar sua micção e reduzir os déficits de memória.

Por isso, se houver uma associação dos sintomas acima descritos, não demore em procurar um especialista. Afinal, lembre-se: tempo não é dinheiro. Tempo é vida!

Testes com vacina da dengue começam em fevereiro, diz Alckmin

02 FEV 2016
Panfleto para eliminar a dengue

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) anunciou nesta sexta-feira, 29, que os testes com a vacina da dengue, que está sendo elaborada pelo Instituto Butantã, vão começar no próximo mês. A vacina teve a última fase para testes em humanos liberada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em dezembro do ano passado e será testada em 13 cidades, entre elas São Paulo, Manaus, Belo Horizonte e Recife.

Alckmin informou ainda que 250 municípios receberão um mutirão e que um mapa interativo será implantando no site da Secretaria Estadual de Saúde para receber denúncias sobre focos do Aedes aegypti.

"Já estamos há anos, no Instituto Butantã, trabalhando para ter a vacina contra a dengue. Já teve a fase um, a fase dois e a última fase, que é a três, nós esperamos agora, no mês de fevereiro, fazer as primeiras vacinações de voluntários no Hospital das Clínicas contra os quatro tipos de vírus com apenas uma dose."

Ao todo, 17 mil pessoas de todo o País devem participar do estudo em 14 centros de pesquisa. A estimativa é de que a vacina seja distribuída na rede pública em 2017.

O mutirão de combate ao Aedes aegypti será realizado neste fim de semana em 250 municípios do Estado de São Paulo. A ação terá como foco criadouros em imóveis públicos e particulares, além de orientações à população.

"No sábado passado, iniciamos pelos 20 municípios de maior incidência e, amanhã, teremos um mutirão em 250 municípios do Estado de São Paulo. No caso dos profissionais (que vão participar), passaremos a pagar diária aos sábados para ganhar tempo e aumentar ao máximo o número de visitas", diz Alckmin.

A mobilização será realizada por agentes municipais, profissionais da Defesa Civil, oficiais do Exército, mas também aceita a participação de voluntários, que não vão precisar fazer um cadastro prévio.

Neste domingo, 12 parques estaduais também receberão ações de combate ao mosquito. Na capital, haverá panfletagem e eliminação de criadouros nos parques Villa-Lobos, Jequitibá, Juventude, Água Branca, Belém, Pomar Urbano, Alberto Löfgren, Candido Portinari e Guarapiranga.

A partir de segunda-feira, 1°, a população poderá fazer denúncias de pontos de proliferação do mosquito da dengue a partir de uma ferramenta no site da Secretaria Estadual de Saúde. Será um mapa interativo para indicação dos criadouros, que será acessado por gestores dos 645 municípios. Com os dados em mãos, eles vão direcionar ações para os locais indicados pelos moradores.

"Criamos no site da Secretaria de Saúde um aplicativo que as pessoas podem acessar pedindo visitas, denunciando e podendo participar", explica o governador.

Casos

Em todo o País, são investigados 3.448 casos suspeitos de microcefalia e 270 já foram confirmados. Segundo o último boletim divulgado pelo Ministério da Saúde, havia 18 casos em investigação em São Paulo até 23 de janeiro.

De acordo com o secretário estadual de Saúde, David Uip, o número mais atualizado é de 21. "Temos dois bancos de dados. Um federal, onde são registrados todos os casos de microcefalia e o Estado de São Paulo notificou 126 casos. Um segundo banco tenta refinar o dado, tentando vincular a microcefalia o mais proximamente possível ao zika vírus. E nós temos 21 casos."

Uip diz que a pasta está trabalhando para fazer as notificações de forma ágil e que, se o Ministério da Saúde passar novas orientações para aprimoramento das notificações, elas serão seguidas pelo Estado.

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