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Como o seu estado de espírito influencia a sua saúde

02 FEV 2016
Pessoa refletindo

Quando a mente não consegue mais suportar, o corpo reage. E isso não é apenas sabedoria popular. Antes um conceito estigmatizado pela comunidade médica, o bem-estar emocional é cada vez mais compreendido como um fator crucial para a prevenção e o tratamento de doenças.

Nas últimas décadas, avanços em pesquisas nas áreas da neuroanatomia e da bioquímica permitiram que os médicos compreendessem melhor como o nosso cérebro está ligado ao sistema imunológico e como o estresse e o acúmulo de sentimentos negativos podem tornar a saúde mais vulnerável.

Essas descobertas reforçam a ideia de que, para tratar doenças que apresentam sintomas físicos, não se pode ignorar as emoções.

Uma das principais pesquisadoras da área, a americana Esther Sternberg dedica-se desde os anos 1980 a comprovar como o sistema nervoso e os hormônios nos tornam mais suscetíveis a doenças inflamatórias. A mesma parte do cérebro que controla a reação ao estresse tem um importante papel para tornar o organismo mais propenso a desenvolver enfermidades como a artrite.

As maneiras como a psique afeta o corpo ocorrem de forma direta e indireta, como explica Moisés Evandro Bauer, do Instituto de Pesquisas Biomédicas da PUCRS. A direta é comportamental: os modos encontrados para lidar com o estresse e a depressão nem sempre são saudáveis. Aumento do tabagismo, isolamento e falta de controle com a alimentação são alguns exemplos que colaboram com o enfraquecimento do organismo para lutar contra vilões como viroses e até mesmo o câncer.

As linhas indiretas envolvem alterações principalmente no hormônio ligado à regulação imunológica, o cortisol, liberado em situações de estresse. Em quantidade moderada, ele ajuda a combater inflamações e a manter a pressão arterial.

Em pacientes com estresse crônico, os níveis de cortisol se elevam, causando alterações no sistema imune. Em alguns casos, ocorre a imunossupressão, ou seja, o enfraquecimento da resposta imune do organismo. Em outros, a atividade do sistema imunológico é exacerbada, o que pode desencadear as chamadas doenças inflamatórias, como as cardiovasculares, metabólicas e autoimunes.

No Instituto do Câncer Hospital Mãe de Deus, o psicólogo Marcelo Pereira Lemos trabalha com pacientes que lutam contra a doença. Junto às sessões de quimioterapia e radioterapia, o atendimento psicológico faz parte da rotina. A partir do momento do diagnóstico, o bem-estar emocional passa a ser um dos pilares para a recuperação.

—Trabalhamos com os pontos positivos de cada paciente. Potencializamos aquilo que é bom, seja uma crença ou um sentimento, para encontrar medidas de enfrentamento da doença. Tudo o que for melhor para ele e que tenha validação médica para que o corpo responda de maneira mais eficaz ao tratamento, será feito. O corpo e a mente funcionam juntos — diz Marcelo.

Quebra de tabu na medicina ocidental

Com essa premissa, de que o corpo e a mente estão interligados, médicos e pesquisadores comprovam que uma abordagem interdisciplinar para a prevenção e cura das doenças, como o câncer, pode ser mais eficaz. Esse conceito deu origem à medicina integrativa, considerada uma quebra de tabu na medicina ocidental.

A prática combina os métodos e tratamentos intensivos às terapias e técnicas complementares. A espiritualidade e o bem-estar psíquico do paciente passam a ser contemplados nos cuidados durante o tratamento de doenças.

— Ninguém está dizendo que se deve deixar de tomar os antibióticos ou qualquer outro medicamento, mas se os remédios para tratar a doença forem tomados sob constante estresse, serão menos eficazes. Aderindo a técnicas como meditação ou tai chi chuan, que aliviam e aquietam a mente, e a práticas saudáveis como caminhar 30 minutos por dia, é possível reverter os sinais do estresse crônico, que prejudicam a cura — afirma Esther Sternberg, professora e diretora de pesquisa no centro de medicina integrativa da Universidade do Arizona.

Para Esther, práticas como a meditação ajudam a modular a conexão entre o cérebro e o sistema imunológico. Essa ligação foi uma das suas descobertas mais impactantes para o campo da medicina. A reação excessiva do cérebro ao estresse, segundo a especialista, atrapalha a habilidade do corpo de cicatrizar e curar.

— Estresse não causa diretamente as doenças. O vírus da gripe causa a gripe e diversos fatores causam o câncer, por exemplo. Mas essas descobertas científicas foram importantes para entender como controlar o estresse pode ajudar na redução à suscetibilidade para certas doenças — diz a pesquisadora.

Corpo e mente conectados

Os sinais do corpo

Se o organismo começa a emitir sinais, como ansiedade permanente, aceleração, distúrbios no sono, falta de apetite ou dores no corpo sem explicações, ligue o alerta.

Cuidadores são grupos de risco

A experiência cotidiana de acompanhar e cuidar de um ente querido com Alzheimer gera um grande nível de estresse. Estudos feitos com idosos que cuidavam de companheiros com a doença, apesar de não apresentarem nenhuma enfermidade orgânica ou física, comprovadamente tinham alterações no sistema imunológico associadas com inflamação e imunossupressão.

Sistema imune envelhecido

O estresse e a depressão ao longo da vida podem envelhecer o sistema imunológico em até 15 ou 20 anos em relação à idade da pessoa.

Apoio social e incondicional

As pessoas ao nosso redor influenciam diretamente no nosso humor. Quanto mais nos sentimos acolhidos e seguros, maior é o bem-estar. Avalie quem está perto de você e mantenha próximos aqueles que estão dispostos a ajudar e a ouvir. Sua saúde emocional (e física) agradecem.

Resposta biológica ao estresse

Segundo o pesquisador Moisés Evandro Bauer, do Instituto de Pesquisas Biomédicas da PUCRS, pacientes com transtornos psíquicos, como depressão ou estresse crônico, desenvolvem mais doenças físicas e de cunho inflamatório como diabetes, AVC e infarto agudo do miocárdio.

Pesquisas recentes mostram que pessoas com transtorno bipolar — uma doença crônica que pode surgir ainda na adolescência — também tiveram respostas de inflamação no organismo de forma exacerbada. Entre a euforia e a depressão, a rotina de quem lida com a doença está sob estresse constante.

Os exames dos pacientes investigados mostraram que há uma elevação de proteínas inflamatórias — as citocinas — no sangue. Quando essas proteínas são encontradas em altos níveis, o corpo sinaliza que há um processo inflamatório no organismo. A elevação das citocinas é também encontrada em pacientes diagnosticados com câncer, doenças reumáticas e cardiovasculares.

Indo mais longe, pesquisadores começam a investigar também a resposta biológica do organismo a eventos causados ainda na infância. As cicatrizes psicológicas de traumas, maus-tratos e negligência emocional não ficam apenas na memória.

— Essas pessoas, quando mais velhas, mesmo com um estado de saúde normal aparente, manifestam alterações inflamatórias no sangue bem mais exacerbadas em relação ao grupo controle, que não teve história de traumas na infância — revela Bauer.

Para o pesquisador, essas comprovações devem mudar a forma como o médico avalia o paciente e também o tratamento contínuo de doenças.

— A divisão antiga que tínhamos entre um quadro de doenças psicológicas e um quadro de doenças mais clínicas, para mim, não existe mais. Doenças psíquicas desenvolvem alterações biológicas, mas também as doenças que, antigamente, não tinham ligação psiquiátrica, como as cardiovasculares, tidas apenas como físicas ou orgânicas, têm comprovadamente uma ligação com fatores psicológicos — finaliza.

O conceito de medicina integrativa busca, portanto, usar técnicas que tragam bem-estar e saúde mental para ajudar a curar doenças. De acordo com Esther, se o estresse não for combatido, trabalha-se contra o corpo e o sistema imunológico.

— O grande problema com o conceito de medicina do corpo e da mente é que há uma pressão para que os pacientes encontrem soluções sozinhos. E, se eles falham, passam a sentir-se mal, porque não conseguem tratar a si mesmos. É preciso procurar ajuda e encontrar os hábitos e as técnicas que funcionam para cada um e que são relevantes para a condição de saúde atual.

Não é só "coisa da sua cabeça"

"Isso não é nada, é tudo psicológico." Essa frase, para a psicóloga e professora da Unisinos Andressa Bellé, é um reflexo de que a psique, como fator desencadeante de doenças, ainda é subestimado pela população em geral. A especialista em terapia cognitivo-comportamental explica que os pensamentos se relacionam com as emoções, podendo desencadear o estresse.

Andressa menciona certas distorções cognitivas comuns, como a chamada catastrofização, uma forma de interpretar e enxergar situações do cotidiano como mais graves do que a realidade. Para Andressa, pessoas que sofrem com isso têm a tendência de viverem sob estado prolongado de ansiedade.

— O que a gente pensa interfere no que a gente sente. Investir na saúde mental é uma forma de prevenção de doenças — afirma.

As doenças psicossomáticas são aquelas que a origem pode ser traçada até a mente. Disfunções gastrointestinais, alergias, alterações na pressão arterial: todas aparecem quando o organismo não têm mais a capacidade de suportar os efeitos gerados pelo estresse contínuo.

— Muitas vezes, o paciente começa a tomar o medicamento, mas não vê efetivamente uma melhora. São nesses casos que considera-se o fator emocional e psicológico — diz.

Exercício mental online mantém cérebro 'afiado', conclui estudo

13 JAN 2016
Idosos se divertindo em um computador

Treinar o cérebro por meio de jogos online que exercitam a memória e o raciocínio é benéfico para os mais velhos, concluiu estudo de grande porte.

Pesquisadores do Instituto de Psiquiatria, Psicologia e Neurociência do King"s College de Londres afirmam que os exercícios mentais mantiveram as mentes dos participantes do experimento "afiadas", ajudando-os na realização de tarefas diárias - como fazer compras e cozinhar.

Quase 7 mil pessoas de 50 anos ou mais participaram do estudo, que durou seis meses e foi feito em parceria pelo King"s College e o programa de TV da BBC Bang Goes the Theory.

Um novo estudo, mais longo, está se iniciando agora.

Treinamento cerebral
Os voluntários foram recrutados pela BBC, pela Alzheimer"s Society e pelo Medical Research Council (Conselho de Pesquisas Médicas) da Grã-Bretanha. No momento da seleção, nenhum dos participantes apresentava indícios de problemas de memória ou cognição.

Alguns dos voluntários foram incentivados a entreter-se com jogos de treinamento cerebral tantas vezes quantas quisessem. Cada sessão tinha de durar dez minutos.

Os outros voluntários (o chamado grupo de controle) fizeram buscas simples na internet.

O experimento avaliou os participantes por meio de testes padrão de cognição. Os exames foram aplicados três vezes: no início do estudo, após três meses e ao final da pesquisa (após seis meses).

 

O objetivo dos testes era verificar se havia diferenças entre os desempenhos cognitivos dos dois grupos.

Concluído o experimento, os pesquisadores constataram que o grupo que jogou os games de treinamento cerebral para raciocínio e resolução de problemas manteve sua capacidade cognitiva em melhor estado do que o grupo que não jogou.

Os benefícios foram aparentes nos casos de participantes que jogavam os games pelo menos cinco vezes por semana.

Artigo sobre a pesquisa publicado na revista científica Journal of Post-acute and Long Term Care Medicine aponta ainda que pessoas com mais de 60 anos que praticavam os jogos relataram melhor desempenho em atividades essenciais do dia a dia.

No entanto, um estudo anterior feito pelos mesmos pesquisadores constatou que esse tipo de exercício não traz benefícios para pessoas com menos de 50 anos.

Agora, a equipe do King"s College de Londres está começando um novo experimento para tentar verificar se práticas desse tipo podem ajudar a prevenir o desenvolvimento da demência.

"(Jogos para) treinamento do cérebro na internet estão se tornando uma indústria milionária e estudos como esse são vitais para que possamos compreender o que games desse tipo podem - e não podem fazer", afirmou Doug Brown, porta-voz da Alzheimer"s Society.

"Esse estudo não foi longo o suficiente para avaliar se o pacote de treinamento cerebral pode prevenir o declínio cognitivo ou a demência, mas estamos entusiasmados ao ver que (o treinamento) tem impacto positivo sobre a maneira como pessoas mais velhas desempenham tarefas essenciais do dia a dia."

Por que o mosquito Aedes aegypti transmite tantas doenças?

13 JAN 2016
Dicas para combater o mosquito e os focos de larvas

No mundo, ele é chamado de mosquito da febre amarela. No Brasil, é conhecido como mosquito da dengue – e, mais recentemente, também da zika e da chikungunya.

Considerado uma das espécies de mosquito mais difundidas no planeta pela Agência Europeia para Prevenção e Controle de Doenças (ECDC, na sigla em inglês), o Aedes aegypti – nome que significa "odioso do Egito" – é combatido no país desde o início do século passado.

A partir de meados dos anos 1990, com a classificação da dengue como doença endêmica, passou a estar anualmente em evidência. Isso ocorre principalmente com a chegada do verão, quando a maior intensidade de chuvas favorece sua reprodução.

Agora, um novo sinal de alerta vem da epidemia de zika, uma doença com sintomas semelhantes aos da dengue, em curso desde o meio do ano.

Foi confirmado pelo governo federal que o zika vírus está ligado a uma má-formação no cérebro de bebês, a microcefalia, que já teve neste ano ao menos 1.248 casos registrados em 311 municípios em 14 Estados, a maioria deles no Nordeste.

O Aedes aegypti também esteve no centro de um surto de febre chikungunya ocorrido no país no ano passado, quando este vírus chegou ao Brasil e se espalhou com a ajuda do mosquito.

E, apesar de a febre amarela ter sido considerada erradicada de áreas urbanas brasileiras em 1942, casos de contaminação foram confirmados em cidades de Goiás e no Amapá em 2014.

"O Aedes aegypti está ligado ainda a males mais raros, do grupo flavivírus", afirma Felipe Pizza, infectologista do hospital Albert Einstein.

"Entre os agentes de contaminação, esse mosquito é o que tem a capacidade de transmitir a maior variedade de doenças."

Eficiência
Alguns fatores contribuem para tornar o Aedes aegypti um agente tão eficiente para a transmissão desses vírus. Entre eles estão, segundo especialistas ouvidos pela BBC Brasil, sua capacidade de se adaptar e sua proximidade do homem.

Surgido na África em locais silvestres, o mosquito chegou às Américas em navios ainda na época da colonização. Ao longo dos anos, encontrou no ambiente urbano um espaço ideal para sua proliferação.

"Ele se especializou em dividir o espaço com o homem", afirma Fabiano Carvalho, entomologista e pesquisador da Fiocruz Minas.

"O mosquito prefere água limpa para colocar seus ovos, e qualquer objeto ou local serve de criadouro. Mesmo numa casca de laranja ou numa tampinha de garrafa, se houver um mínimo de água parada, seus ovos se desenvolvem."

Mas a falta de água limpa não impede que o Aedes aegypti se reproduza. Estudos científicos já mostraram que, nesse caso, a fêmea pode depositar seus ovos em água com maior presença de matéria orgânica.

Os ovos também podem permanecer inertes em locais secos por até um ano, e, ao entrar em contato com a água, desenvolvem-se rapidamente – num período de sete dias, em média.

"Outros vetores não têm essa capacidade de resistir ao ambiente", afirma Pizza, do Albert Einstein. "Por isso ele está presente quase no mundo todo, a não ser em lugares onde é muito frio."

Flexibilidade
Um aspecto que também favorece a reprodução é o fato de a fêmea colocar em média cem ovos de cada vez, mas não fazer isso em um único local. Em vez disso, ela os distribui por diferentes pontos.

"Quando tentamos exterminá-lo, é muito grande a chance de um destes locais passar despercebido", diz Carvalho.

Também se trata de um mosquito flexível em seus hábitos de alimentação.

O Aedes aegypti é, geralmente, diurno: prefere sair em busca de sangue pela manhã ou no fim da tarde, evitando os momentos mais quentes do dia.

"Mas ele é oportunista. Se não tiver conseguido se alimentar de dia, vai picar de noite. Isso não ocorre com o pernilongo, por exemplo, que é noturno e só vai estar quando o sol começa a se pôr", afirma a bióloga Denise Valle, pesquisadora do laboratório de biologia molecular de flavivírus do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz).

Além disso, o mosquito costuma ter como alvos mamíferos, especialmente humanos. Como explica o agência europeia, mesmo na presença de outros animais ele "se alimenta preferencialmente de pessoas".

Simbiose
Por ser um mosquito urbano que fica em contato constante com o homem, ser muito adaptável e ter um apetite especial por sangue humano, o inseto se tornou um eficiente vetor para a transmissão de doenças.

"Todo ser vivo busca uma forma de se proliferar, e com os vírus não é diferente. Nestes casos, eles podem ser transmitidos por outros vetores, mas que não são tão efetivos", afirma Erico Arruda, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia. "Eles (vírus) conseguiram no Aedes aegypti e na forma como este mosquito evoluiu uma relação de simbiose muito boa."

Para ser capaz de infectar uma pessoa, o vírus precisa estar presente na saliva do inseto.

Valle, do IOC/FioCruz, explica que, no caso da dengue, por exemplo, após o Aedes aegypti picar alguém que esteja infectado, o vírus leva cerca de dez dias para estar presente em sua saliva.

"São poucos os mosquitos que vivem mais de dez dias. Mas, quanto menos energia ele precisa gastar para se alimentar e colocar ovos, mais tempo ele vive", diz Valle.

"Assim, o aglomerado urbano, com muitos locais de criadouro e muitos alvos para picar, faz com que o mosquito viva mais, favorecendo o processo de infecção."

A bióloga destaca ainda que se trata de um mosquito especialmente arisco: "Quando vai picar, se a pessoa se mexe, ele tenta escapar e picar outra pessoa. Se estiver infectado com algum vírus, vai transmiti-lo para várias pessoas".

Controle
Exterminá-lo também é difícil. Segundo o Centro de Prevenção e Controle de Doenças dos Estados Unidos, o Aedes aegypti é "muito resistente", o que faz com que "sua população volte ao seu estado original rapidamente após intervenções naturais ou humanas".

No Brasil, ele chegou a ser erradicado duas vezes no século passado. Na década de 1950, o epidemiologista brasileiro Oswaldo Cruz comandou uma campanha intensa contra ele no combate à febre amarela. Em 1958, a Organização Mundial da Saúde declarou o país livre do Aedes aegypti.

Mas, como o mesmo não havia ocorrido em países vizinhos, o mosquito voltou a ser detectado no fim dos anos 1960. Foi erradicado novamente em 1973 – e retornou mais uma vez três anos mais tarde. "Hoje não falamos mais em erradicação. Sabemos que isso não é possível", diz Valle, do IOC/Fiocruz.

"O país é muito grande e tem muitas entradas para o mosquito. Também há muito mais gente vivendo em cidades, e a circulação de pessoas pelo mundo com a globalização aumentou muito. Os recursos humanos e financeiros para exterminá-lo seriam enormes."

Uma forma comum de combater o mosquito, a de dispersar uma nuvem de inseticida – técnica popularmente conhecida como "fumacê" –, não é muito eficiente, pois o componente químico tem de entrar em um espiráculo localizado embaixo da asa. Portanto, o inseto precisa estar voando, algo difícil tratando-se de uma espécie que fica na maior parte do tempo em repouso.

"Na maior parte das vezes, isso é jogar dinheiro fora e gera mosquitos mais resistentes. Hoje, levamos de 20 a 30 anos para desenvolver um inseticida e, em dois anos, ele perde sua eficácia por causa do uso abusivo", afirma Valle. "E os químicos usados no controle de larvas não estão disponíveis para a população."

Carvalho, da Fiocruz Minas, ressalta ainda que 80% dos criadouros são encontrados em residências, e que realizar a prevenção e exterminar focos do Aedes aegypti não é fácil.

"Quando temos uma epidemia, é mais simples conseguir o apoio da população, mas, fora deste período, é mais complexo sensibilizar as pessoas para a questão", afirma o entomologista. "Por tudo isso, acho muito complicado falar em erradicação. Talvez a melhor palavra seja controle."

Uma abordagem nova vem sendo testada na Bahia e em São Paulo. Machos transgênicos do Aedes aegypti são liberados na natureza e, no cruzamento com fêmeas comuns, geram larvas que morrem antes de atingir a fase adulta, o que, com o tempo, reduz a população do mosquito numa determinada área.

Responsável por testes realizados desde maio em Piracicaba, no interior paulista, a empresa Oxitec informou que os resultados estão sendo analisados por sua equipe técnica e que ainda não há uma previsão de quando serão divulgados.

 

Entenda o câncer de fígado, doença que vitimou David Bowie

12 JAN 2016
tumor no fígado

Depois de lutar secretamente contra o câncer de fígado por 18 meses, David Bowie morreu aos 69 anos, deixando um legado de mais de 50 anos de carreira. Ícone da cultura pop, o cantor marcou o rock britânico e o cenário da música mundial, tornando-se um dos artistas mais influentes do século 20.

Com uma alta taxa de mortalidade, o câncer de fígado é mais letal que outros tumores, pois geralmente o diagnóstico ocorre muito tarde.

Com mais de 600 mil novos casos diagnosticados no mundo a cada ano, a doença é o sexto tipo de câncer mais frequente. Estima-se que ele cause morte com mais frequência, em comparação a outros tumores, pois os pacientes são normalmente diagnosticados muito tarde.

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), cerca de 50% dos pacientes com câncer de fígado apresentam cirrose hepática, que pode estar associada ao alcoolismo ou à hepatite crônica. O desenvolvimento da doença pode levar muito tempo, como 20 ou 30 anos após a ocorrência da hepatite C crônica, por exemplo.

Outros fatores de risco também aumentam a probabilidade de desenvolvimento tumoral, como o consumo excessivo de álcool e a obesidade mórbida. Geralmente, os sintomas só surgem nos estágios avançados da doença, e incluem perda de apetite e náusea, além de pressão e dor na parte superior do abdômen.

O diagnóstico precoce do câncer de fígado é fundamental para a eficácia do tratamento, pois nos estágios iniciais o tumor ainda pode ser retirado cirurgicamente, procedimento mais indicado para o combate à doença.

Em alguns casos, podem ser administradas também a radioterapia e a quimioterapia, além da quimioembolização, tratamento que combina drogas e partículas de gel insolúvel.

Sessão de fumo por narguilé equivale a alcatrão de 25 cigarros, diz estudo

12 JAN 2016
Imagem de um narguilé

Uma única sessão de fumo por narguilé -- dispositivo que mistura fumaça a vapor fazendo-a passar por um frasco de água -- equivale em média ao consumo do alcatrão de 25 cigarros, conclui um novo estudo.

Popular no Sul da Ásia, no Oriente Médio e no Norte da África, -- conhecido também pelo nome de 'xixa' -- o dispositivo tem ganhado popularidade no Ocidente. Médicos e sanitaristas acham preocupante, porém, que muitas pessoas não fumantes têm experimentado narguilé com a percepção de que é menos nocivo que o cigarro.

Normalmente usado para consumo de tabaco aromatizado, porém, o dispositivo não é capaz de filtrar a fumaça, e acaba incorrendo em um consumo maior de algumas substâncias presentes no tabaco.

Além do alcatrão extra, uma sessão de narguilé equivale a 2,5 vezes a nicotina de um cigarro, e cerca de 10 vezes o monóxido de carbono.

Esses números foram extraídos de uma análise que avaliou 542 artigos científicos publicados sobre a xixa. O grupo acabou se concentrando nos 17 trabalhos mais relevantes, que de fato tinham dados para estimar a concentração de substâncias tóxicas envolvidas no consumo do produto.

Hábito e vício

"Nossos resultados mostram que o fumo de tabaco por narguilé implica preocupações de saúde reais e deveria ser monitorado mais de perto do que é hoje", afirmou Brian Primack, sanitarista da Universidade de Pittsburgh (EUA) que liderou o trabalho. O estudo foi publicado na revista médica "Public Health Reports".

Segundo o pesquisador, porém, apesar das comparações feitas com o tabaco de cigarros, ainda é difícil avaliar se o hábito de usar o narguilé é pior. Um fumante compulsivo tipicamente consome mais de 20 cigarros por dia, enquanto um usuário frequente de narguilé não costuma chegar a tanto.

"As estimativas às quais chegamos não nos dizem exatamente o que é pior", declarou Primack, em comunicado à imprensa. "Elas sugerem, porém, que usuários de narguilé são expostos a muito mais substâncias tóxicas do que eles provavelmente acham que são."

O narguilé está se tornando uma preocupação maior de saúde pública nos EUA porque tem ganhado popularidade entre adolescentes. Pela primeira vez, os Centros para Controle e Prevenção de Doenças dos EUA registraram um uso de xixa mais disseminado que o de cigarros entre estudantes do ensino médio, apesar de muitos o usarem só ocasionalmente.

Usar celular demais pode causar dor e problemas ortopédicos

12 JAN 2016
Pessoa usando smartphone

A estudante Beatriz Carvalho, 14, sentia muitas dores nas costas. Suspeitando de escoliose ou algo do tipo, procurou por um ortopedista. A causa de tanto transtorno? O uso intensivo do aparelho celular.
Ao digitar no celular, geralmente abaixamos a cabeça e tensionamos os ombros e braços para segurar o aparelho.

Um estudo publicado no periódico "Surgical Technology International" avaliou a tensão na coluna cervical -região do pescoço- conforme a inclinação da cabeça.

Em posição neutra, a cabeça de um adulto pesa entre 4,5 kg e 5,4 kg. À medida que a cabeça se inclina para baixo, o pescoço passa a sustentar cada vez mais peso. Quando a cabeça está inclinada 15º, por exemplo, o pescoço tem que suportar 12 kg. Quando a inclinação é de 30º, o pescoço tem que suportar cerca de 18 kg e quando a inclinação é de 60º, o pescoço suporta 27 kg, seis vezes mais do que o peso real da cabeça.

"Os músculos [da região do pescoço e dos ombros] ficam contraídos e pouco oxigenados. Isso traz dor e sensação de formigamento e queimação", diz a médica Liliana Jorge, do Hospital Israelita Albert Einstein.
Além das dores, existe o risco do surgimento de lesões mais sérias. "A gente sabe de casos de pessoas que passaram muito tempo da vida com o pescoço inclinado e desenvolveram artrose", diz Liliana.

"Colocar a cabeça para baixo aumenta a cifose -curvatura- torácica. Esse desvio do eixo da coluna para frente sobrecarrega a lombar, uma região que tende ao desgaste com o passar do tempo", diz Christina May De Brito, coordenadora do Centro Reabilitação do Hospital Sírio-Libanês.

Há ainda o problema de ficar o dia inteiro digitando. "As pessoas passam horas navegando e sentem dores que são causadas por movimentos de repetição", diz Paulo Renato Fonseca, médico especialista em dor.

COMO VELHINHOS

"Passo o dia todo no celular. Acho que fico umas 10 horas por dia, no mínimo", diz a estudante Sabrina Ghetti, 15. "A gente acaba se curvando e nem percebe, parecemos uns velhinhos", diz.

Beatriz também diz conseguir ficar longe do celular. "Quando não estou nele, estou pensando no que está acontecendo de bom nele. Muitas vezes não acontece nada, mas continuo olhando", diz Beatriz.

Sabrina conta que, quando as dores estão fortes, ela se espreguiça e tenta fazer algum tipo de alongamento, mas reconhece que a correção da postura não dura muito tempo -e a dor retorna.

A recomendação geral de todos especialistas ouvidos pela Folha foi a de diminuir o uso do celular. "Mesmo se você corrigir a postura, o estrago pelo tempo que você passou digitando já foi feito", diz a médica Liliana Jorge.

O ortopedista procurado pela Beatriz chegou a prescrever um mês sem celular. Mas a estudante nem cogitou a possibilidade. "Nem tentei [ficar sem celular], mas comecei a fazer natação, porque o médico disse que ajudaria na dor", diz ela.

Como ficar sem o celular não é opção para muitas pessoas além de Beatriz, os médicos recomendam alguns cuidados: elevar o aparelho de modo que o centro da tela fique na altura dos olhos e, assim, não abaixar tanto a cabeça, e apoiar braços e antebraços para que não fiquem sobrecarregados.

Além disso, exercícios para fortalecimento dos músculos, como ioga, pilates ou até mesmo a tradicional musculação, podem ajudar.

O médico Luiz Fernando Cocco, coordenador de ortopedia do Hospital Samaritano, também recomenda pausas de 15 minutos cada vez que o usuário passar mais de 40 minutos mexendo no celular.

Os sinais prematuros do Parkinson

12 JAN 2016
Arte do cérebro humano

Quando o cirurgião inglês James Parkinson (1755-1824) publicou o artigo "Um Ensaio sobre a Paralisia Agitante", no início do século 19, ele não devia suspeitar da quantidade de repercussões no organismo da doença batizada com o seu sobrenome. Nas palavras do médico, ela podia ser resumida a "tremores e movimentos involuntários, diminuição da potência muscular, propensão a dobrar o tronco para a frente e passos em ritmo de marcha". Seu texto ainda dizia que os primeiros sinais seriam fraqueza leve e instabilidade nos membros. Quase 200 anos depois do relato pioneiro, a medicina vem descobrindo que a enfermidade dá pistas bem antes do que se esperava - e algumas delas são muito diferentes do que se ouve por aí.

Pesquisadores da Universidade College London, na Inglaterra, reuniram informações sobre 8 mil pacientes com Parkinson e 46 mil pessoas sem o problema. Com base nesse enorme banco de dados, fruto de 16 anos de labuta, eles conseguiram identificar uma série de sintomas que aparecem mais cedo. Pasme: alguns deles dão as caras com até dez anos de antecedência ao diagnóstico. "É importante conhecê-los porque hoje sabemos que a detecção precoce está relacionada a uma melhor qualidade de vida", defende a neurologista Anette Eleonore Schrag, líder do levantamento publicado no prestigiado The Lancet. Quer saber quais são?

Rigidez e falta de equilíbrio

Para funcionar com maestria, nosso cérebro depende de uma porção de mensageiros químicos. A dopamina é um deles. Entre outras funções, esse neurotransmissor está por trás da nossa capacidade de sentir prazer e participa da coordenação motora. Então imagine se as fábricas de dopamina param de funcionar. Ora, é isso o que acontece no Parkinson: os neurônios produtores da substância morrem. O processo é gradual e o cérebro vai perdendo a capacidade de orquestrar o corpo. Ações corriqueiras como andar e pegar um objeto tornam-se complicadas. "É como se o governo federal não tivesse o controle da situação e cada estado começasse a agir de maneira independente, sem coordenação", compara o neurocirurgião Manoel Jacobsen, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Essa desordem interna é acompanhada pela rigidez na musculatura das pernas e dos braços. E aí vem a perda de equilíbrio, que dá margem a quedas e fraturas.

Depressão e nervosismo

Os especialistas dizem que Parkinson e condições psiquiátricas, como a depressão, caminham de mãos dadas. Isso porque os desajustes nos níveis de dopamina desalinham a oferta de outros mensageiros químicos cerebrais, como a serotonina, ligada à sensação de bem-estar. Essa bagunça molecular interfere no ânimo e gera, com frequência, mudanças repentinas de humor. 

Tremores

Apesar de ser a marca registrada da doença, nem sempre eles se manifestam. "Cerca de 40% dos pacientes nunca chegam a tremer", estima o neurologista André Felício, do Hospital Israelita Albert Einstein, na capital paulista. Os gestos involuntários são resultado da morte das células nervosas em uma área específica da massa cinzenta, a substância negra. A tremedeira se torna mais grave e aparente quando 70% desses neurônios estão desativados. Segundo o estudo inglês, porém, alguns indivíduos começam a ter esse quadro de forma sutil uma década antes do diagnóstico. Caso perceba tremores acompanhados de falta de firmeza nas mãos, vale procurar um médico - só não entre em neura, porque muitas vezes não é algo tão sério como o Parkinson.

Constipação

Quem diria: a prisão de ventre pode ser sinal de uma pane lá na cabeça. A pesquisa da Universidade College London aponta que a dificuldade de ir ao banheiro é um dos principais sintomas da doença nos dez anos que costumam preceder sua detecção. "O conceito de que o Parkinson possui outras complicações além das manifestações musculares está revolucionando a ideia que tínhamos a seu respeito", analisa o neurologista André Felício. Algumas correntes especulam que o distúrbio tem início no tronco encefálico, uma estrutura que está entre a medula espinhal e o cérebro. A morte dos neurônios produtores de dopamina ali seria o primeiro capítulo da evolução da doença. É precisamente nesse local que brotam os nervos responsáveis por transmitir os comandos para o intestino funcionar direito. "Daí os movimentos peristálticos, aquelas contrações que empurram o bolo fecal pra baixo, ficam prejudicados", esclarece o neurologista Carlos Rieder, da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre.

Disfunção erétil

Anos antes de o mal estar instalado, os parksonianos podem experimentar obstáculos para conseguir ou manter a ereção. "Esse sintoma está relacionado a falhas no sistema nervoso autônomo", ensina o médico Delson José da Silva, da Academia Brasileira de Neurologia. O sistema a que ele se refere é o nosso piloto automático - um conjunto de nervos que controla diversas funções inconscientes do corpo, caso da respiração, dos batimentos cardíacos e da resposta a estímulos externos, como o endurecimento do pênis em uma situação sensual. Para complicar, a depressão que ladeia o Parkinson por vezes se intromete na história, uma vez que derruba a libido. Nas mulheres, a perda de desejo sexual, causada pela escassez de dopamina, serotonina e companhia, também pode ser um sinal precoce do distúrbio.

Incontinência urinária

As idas excessivas ao banheiro para fazer xixi também comunicam que algo não vai bem na terra dos neurônios. "No Parkinson, pequenos volumes de líquido já provocam espasmos na bexiga, o que resulta na vontade frequente de urinar", explica Rieder. Os músculos que revestem as paredes internas do órgão se descontrolam - é como se tremessem lá dentro. E isso, não custa reforçar, é culpa do descompasso das mensagens nervosas que chegam à bexiga. Descompasso que rende uma vontade de tirar água do joelho a toda hora, mesmo que não haja muita urina para cair fora.

Pressão baixa

Sair da cama rápido ou ficar em pé repentinamente depois de algum tempo sentado é um pesadelo para quem tem a hipotensão ortostática, um tipo de pressão baixa que acontece quando se muda de posição. Ela leva a tontura, náusea, palpitação e, em algumas situações, até desmaios. "Ao levantarmos de uma cadeira, por exemplo, alguns receptores espalhados no organismo trabalham para ajustar a circulação sanguínea à nova postura", conta Delson José da Silva. Só que esse mecanismo é coordenado pelo tal do sistema nervoso autônomo, que começa a entrar em parafuso quando o Parkinson se estabelece. Dessa forma, o problema também pode propiciar quedas passageiras na pressão.

Que fique claro: a presença desse quadro, bem como de bexiga solta, intestino preso e até mesmo tremores, não significa que o sujeito terá Parkinson no futuro. Mas eles servem de alerta para que um especialista seja procurado, sobretudo se aparecerem em conjunto. Quando a doença, que é progressiva, acaba diagnosticada mais cedo, o tratamento é mais efetivo e ajuda a segurar seu avanço.

Novos sintomas para ficar de olho

  • Perda de olfato
  • Distúrbios do sono
  • Modificações na postura
  • Pouca expressão facial
  • Escrita tremida e letras pequenas

Como se trata

Para enfrentar o Parkinson logo no início, os médicos receitam remédios que repõem os níveis de dopamina no cérebro. Casos em que os fármacos não funcionam mais podem ser tratados com a estimulação cerebral profunda, um marca-passo implantado na massa cinzenta para regular áreas que estão afetadas pela doença.

As esperanças de controle do parkinson
Confira quatro notícias muito promissoras no tratamento
 
Células-tronco

No Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino, no Rio de Janeiro, cientistas reverteram a doença em laboratório usando células-tronco e doses de quimioterapia.

Fechaduras travadas

Um remédio criado pelo Instituto de Doenças Neurodegenerativas Garvan, na Austrália, bloqueia o Parkinson ao interferir diretamente nos receptores de dopamina.

Na flora intestinal

Uma molécula produzida pela bactéria E. coli, que vive no intestino, ajuda a inibir o processo de degeneração cerebral, segundo uma equipe da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos.

Da maconha

Um trabalho da Universidade de São Paulo revela que o canabidiol, um dos componentes da erva (e que não gera efeitos psicóticos), melhora a qualidade de vida de parksonianos.

Seu nariz costuma sangrar?

04 JAN 2016
epistaxe ou sangramento nasal

Você tem sangramento de nariz?

Apesar de ser mais comum em crianças com menos de dez anos de idade, estima-se que 60% das pessoas sofrerão com a epistaxe pelo menos uma vez na vida. Por isso, é importante saber bem como agir para evitar consequências graves.

O médico otorrinolaringologista do Hospital Paulista Fabiano Haddad Brandão explica que o sangramento ocorre quando há o rompimento dos vasos sanguíneos "que nutrem a cavidade nasal e, na maioria dos casos, não precisa de tratamento médico".

Em 90% dos casos, isso acontece basicamente pelo ressecamento da mucosa nasal causado "pelo clima extremamente seco, a exposição prolongada ao ar condicionado e a rinite alérgica". Ou seja, há um ressecamento das vias respiratórias, promovendo a formação de casca nas paredes do septo (que separa uma narina da outra), que ajudam a romper os vasos.

Então, na hora que o nariz começar a sangrar, a dica é simples: use os dedos polegar e indicador como uma pinça por cinco minutos. Durante a compressão, o correto é respirar pela boca, sentar de uma maneira confortável e deixar a cabeça em uma posição mais alta que o resto do corpo, explica Haddad.

Jamais incline a cabeça para trás ou deite-se, pois, o sangue pode escorrer pela faringe e ir para o estômago ou vias aéreas, causando problemas mais graves.

Em 10% dos casos, pode ocorrer sangramento por outras causas, como traumatismo, inflamação, infecção, presença de corpo estranho e o fator mais grave: descontrole da pressão arterial. O especialista diz que, nestas situações, a hemorragia não cessará após o procedimento de compressão, então, é necessário buscar ajuda médica.

Para tentar prevenir esse incômodo, é bem fácil: beba muita água e redobrar esse cuidado com crianças e idosos que tenham problemas respiratórios. Vale também aproveitar a hora do banho para respirar o vapor que se acumula, pois ajuda a umedecer as narinas, facilitando a remoção das possíveis crostas. Podemos usar também soro fisiológico para lavar as narinas, duas ou três vezes ao dia.

Morte por câncer de pele cresce 55% em 10 anos

04 JAN 2016
Use protetor solar ao sair no sol

Tão frequente no verão brasileiro, a busca pelo bronzeado pode esconder uma estatística preocupante: em dez anos, o número de mortes por câncer de pele cresceu 55% no País, segundo levantamento feito pela reportagem com base em dados do Inca (Instituto Nacional do Câncer).

Embora tenha as maiores chances de cura se descoberto precocemente, o tumor de pele matou 3.316 brasileiros somente em 2013, último dado disponível, média de uma morte a cada três horas. Dez anos antes, em 2003, foram 2.140 óbitos.

Segundo especialistas, o envelhecimento da população, o descuido com a pele durante a exposição solar e a melhoria nos sistemas de notificação da doença são as principais causas do aumento do número de vítimas desse tipo de câncer.

"Gerações que tiveram grande exposição ao sol sem proteção estão ficando mais velhas e desenvolvendo a doença", diz Luís Fernando Tovo, coordenador do Departamento de Oncologia Cutânea da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). 

"Além da proteção, é preciso fazer exame dermatológico periodicamente. A maior parte das pintas não é câncer de pele. As que devem causar maior alerta são as assimétricas, com bordas irregulares, variação de cores, de diâmetro maior, que apresentam evolução ou mudanças", diz o médico.

Não foi somente em números absolutos que a mortalidade por câncer de pele cresceu. Entre os homens, a taxa de óbitos por 100 mil habitantes passou de 1,52 para 2,24 entre 2003 e 2013. Entre as mulheres, o índice cresceu de 0,96 para 1,29 por 100 mil no mesmo período.

Tipos

O câncer de pele é dividido em dois principais tipos. Mais agressivo e letal, o melanoma surge, geralmente, a partir de uma pinta escura. Já os não melanomas, divididos em carcinoma basocelular e espinocelular, costumam aparecer sob a forma de lesões que não cicatrizam.

O melanoma é o que rende mais preocupação porque tem mais chances de provocar metástase. Ele é responsável por apenas 5% dos casos de câncer de pele, mas corresponde por 46% das mortes.

"Enquanto os melanomas são mais agressivos, os não melanomas raramente matam. Têm um poder de destruição local, mas dificilmente produzem metástase. Os pacientes que morrem desse tipo de tumor geralmente têm uma lesão e deixam para lá, não tratam e passa 20, 30 anos e aí pode atingir órgãos importantes, como o pulmão, o fígado e o cérebro, e causar a morte", diz Dolival Lobão, chefe do Serviço de Dermatologia do Inca.

As estatísticas do instituto mostram que idosos, homens e moradores da Região Sul do País são as principais vítimas do câncer de pele. Do total de mortes em 2013, 57% eram homens e 72% tinham mais de 60 anos. No Sul, a taxa de mortalidade no ano retrasado foi quase o dobro da registrada no País.

Detecção

Segundo os especialistas, mesmo o melanoma tem mais de 90% de chance de cura quando diagnosticado precocemente. A engenheira química Ivana Tacchi, de 52 anos, é um exemplo de que a busca por um especialista rapidamente pode ser crucial. No ano passado ela retirou três melanomas em estágios iniciais e está curada.

"Tomei muito sol na adolescência. Sempre morei em São Paulo e queria tirar o atraso do sol nas férias. Como sou muito branquinha, era aquela situação de um dia de praia e três dias em casa com queimaduras e bolhas", conta.

Segundo especialistas, o câncer de pele pode aparecer tanto pela exposição acumulada durante toda a vida quanto por episódios de queimaduras. Por isso é importante usar o protetor solar todos os dias.

O tratamento mais recomendado para a maior parte dos cânceres de pele é a remoção cirúrgica do tumor. Para alguns tipos de tumores em regiões como o rosto, cuja remoção provocaria danos estéticos, um tratamento inovador tem se mostrado eficaz. "Na terapia fotodinâmica, aplicamos um creme sobre o local e em seguida jogamos uma luz. Só as células cancerosas absorvem aquele creme. Elas morrem intoxicadas e conseguimos preservar o tecido vizinho", diz Lobão. "Só serve para tipos não melanoma, mais superficiais", afirma.

Como identificar os primeiros sinais de demência?

04 JAN 2016
Idosos felizes

O mal de Alzheimer tem se tornado uma doença cada vez mais comum em idosos. Só no Brasil, estimativas indicam que existem pelo menos 1,2 milhão de pessoas vivendo com esse problema. No mundo, são mais de 35 milhões, segundo relatório da Organização Mundial da Saúde.

Considerado o tipo mais frequente de demência, ele pode ser reconhecido por pequenos sinais já nos primeiros estágios — o que ajudaria muito no tratamento para retardar o avanço da doença. O problema é que muitas vezes as pessoas demoram para procurar ajuda porque ignoram ou desconhecem os sintomas.

Uma pesquisa realizada entre 4 mil pessoas no Reino Unido pela YouGov revelou que a maioria das pessoas ainda se confunde com os sinais de demência. Por exemplo, 39% dos entrevistados acredita que entrar em um lugar e esquecer o que foi fazer lá pode ser um sinal de demência — e, na verdade, isso pode acontecer com qualquer pessoa. Para quem tem a doença, esquecer o motivo pelo qual entrou na sala não é o problema, mas sim não reconhecer aquela sala.

A Sociedade do Alzheimer aproveitou o período de festas de fim de ano, em que as famílias costumam se reunir, e divulgou quais são os principais "sintomas" possíveis de serem identificados quando uma pessoa começa a sofrer esse e outros tipos de demência — segundo a instituição, há um considerável aumento de pessoas buscando informações sobre isso nessa época do ano.

 

Saiba aqui quais são os principais sinais:

 

Repetições

Enquanto a maioria acredita que esquecer nomes de conhecidos repetidamente pode ser um sinal de demência, poucos sabem que repetir as mesmas frase por várias vezes também pode ser um indício.

Gaguejar ou pronunciar palavras de forma errada são outros sinais que merecem atenção.

Cerca de 1 em cada 6 idosos acima de 80 anos sofrem de demência

Mudança de humor

O risco de demência aumenta com a idade — cerca de um em cada seis idosos acima de 80 anos sofrem com o problema. Mas ela pode começar na meia-idade.

(...)

Esquecimentos corriqueiros

(...)

"Como repetir as coisas várias vezes, não lembrar onde eu tinha colocado algumas coisas e confundir os dias da semana" (...) "É muito importante que as pessoas busquem ajuda rapidamente, assim que notarem sinais, porque aí elas conseguirão entender o que está acontecendo e poderão buscar ajuda para poderem viver da melhor maneira possível", aconselhou.

Tratamento

Por tudo isso, Jeremy Hughes, CEO da Sociedade do Alzheimer, reforçou a importância de se identificar os sinais de demência para poder tratar o problema o quanto antes.

"Sabemos que demência é uma das doenças mais temidas para muitos e não há dúvidas de que ela pode ter um grande impacto para quem tem o problema e também para a família e os amigos", disse.

"Por isso, é importante que a gente esclareça essa confusão sobre o que são e o que não são sinais de demência para que as pessoas fiquem mais confiantes para conversar com seus familiares que estão sofrendo esses sintomas, para que eles possam buscar ajuda o mais rápido possível."

"A demência pode quebrar as conexões que você tem com as pessoas que ama, mas nós temos inúmeros tratamentos que podem ajudar a brecá-la ou a diminuir seus danos."

Alzheimer é doença neurodegenerativa e causa perda gradual e irreversível dos neurônios

Sinais de demência

Procure ajuda médica se sua perda de memória está afetando sua vida diária e especialmente se você:

Tem dificuldades para lembrar coisas recentes, mas consegue se lembrar facilmente do que aconteceu no passado Acha difícil acompanhar conversas ou programas de TV Esquece nomes de amigos bem próximos ou de objetos que você usa todos os dias Não consegue lembrar as coisas que ouviu ou leu Frequentemente perde o fio do que está dizendo Tem problemas de pensamento e raciocínio Se sente ansioso, depressivo ou com raiva Se sente confuso até quando está em um ambiente conhecido ou se perde em caminhos que faz frequentemente Descobre que pessoas começaram a notar ou a comentar sobre sua perda de memória.

Hipertensão é a maior causa de partos prematuros não espontâneos

04 JAN 2016
Bebe prematuro

A hipertensão nas gestantes é a causa de mais de 90% dos partos prematuros não espontâneos no Brasil, ou seja, aqueles que precisaram ser programados após indicação médica. A constatação foi feita por um estudo comandado pelo Hospital da Mulher (Caism) da Unicamp em Campinas (SP), que envolveu outros 19 hospitais de referência no país.

O G1 conversou com mães que passaram pela experiência de ter bebês nascidos desta forma e contaram como superaram os problemas.

"A gente sabia que a hipertensão teria um papel central como motivadora, mas a expressividade como ela apareceu foi uma supresa. Estar presente em mais de 90% das indicações foi uma grande surpresa. Está entre as principais causas de mortalidade materna no Brasil. A outra causa é a hemorragia no parto", afirma o obstetra e pesquisador da Unicamp Renato Teixeira de Souza.

O estudo com foco nos partos terapêuticos, como também são chamados, foi concluído após quatro anos desde o início da pesquisa. Esses partos são intervenções muitas vezes salvadoras, tanto para a mãe como para o bebê. O Caism idealizou e organizou os trabalhos, que receberam o nome de Emip – Estudo Multicêntrico de Investigação em Prematuridade.

Entre abril de 2011 e julho de 2012, todos os partos nas 20 maternidades selecionadas no país, maioria públicas e especializadas em gestação de alto risco, foram avaliados pelos pesquisadores; ao todo foram 33.740 ocorrências.

Destes, 4.150 partos foram prematuros, sendo 1.468 terapêuticos. O número significa 35,4% de nascimentos de bebês por indicações médicas. O Brasil está, portanto, no meio termo entre países desenvolvidos - com 50% de partos terapêuticos, o que indica evolução nas técnicas de salvamento - e os menos desenvolvidos - que possuem taxa de 10% a 20% de partos indicados e menor assistência adequada -, segundo o pesquisador.

"Foi a primeira vez que esse estudo, com essa proporção, foi realizado no Brasil. É um estudo fundamental para que os próximos passos sejam dados. Todas as políticas públicas podem ser discutidas a partir desse estudo. Como, onde atuar e de que forma", diz o pesquisador, que concluiu o mestrado com esse trabalho e faz doutorado na Unicamp também explorando o tema.

Para o orientador de Souza na pesquisa, o obstetra e ginecologista do Caism Guilherme Cecatti,  é preciso ter assistência adequada para que os bebês possam se desenvolver por mais tempo durante a gestação.

"Não descarto que uma parcela não desprezível desses partos terapêuticos possam ter acontecido sem que uma necessidade absoluta possa ter se caracterizado", afirma o orientador.

Hábitos e sequelas
A pesquisa foi feita com um formulário com mais de 300 tópicos de informação sobre o contexto do acontecimento do parto prematuro. O resultado do estudo chama a atenção dos pesquisadores para os hábitos das mulheres que engravidam e as sequelas nos bebês.

"Os números são expressivos e alarmantes. As mulheres estão engravidando com mais problemas de saúde, mais obesidade, pressão alta, diabetes, idade avançada e todas as características aumentam as complicações durante a gravidez. E, aumentando, a gente vai observar fatalmente uma maior quantidade de partos prematuros terapêuticos", explica Souza.

No entanto, essa condição de nascimento do bebê tende a ter mais complicações e a interrupção da gestação traz consequências diferentes para crianças nascidas por indicação e para as nascidas espontâneamente, por rompimento da bolsa, por exemplo. Mesmo que, nos dois casos, eles tenham a mesma idade gestacional.

"Os prematuros terapêuticos complicam mais e morrem mais do que os bebês prematuros espontâneos. O fato da mãe ter complicações não agrava só o quadro dela, mas também dos recém nascidos. O bebê terapêutico tem um desfecho mais complicado", conta o pesquisador.

Os recém-nascidos prematuros ficam mais sucetíveis a complicações respiratórias, neurológicas, intestinais e infeccionas, além do risco de mortalidade ser maior. Uma forma de ajudar na prevenção é melhorar as condições em que a gestante engravida. Há, por exemplo, um melhor momento para a mulher que é hipertensa ou tem diabetes engravidar, e os obstetras são essenciais nesse planejamento, segundo Souza.

Foi a pressão alta, ou pré-eclâmpsia - que teve destaque na pesquisa conduzida pela Unicamp

6 mitos desfeitos sobre o zika vírus

22 DEZ 2015
Larva do Aedes Aegypti

O Brasil está passando por um aumento significativo nos casos de infecção por Zika Virus. Este vírus pertence à família Flaviviridae, conhecida por possuir vírus que causam outras doenças - velhas conhecidas de nossa população - como a dengue. Ele recebe essa denominação por ter sido descrito, inicialmente, próximo a uma floresta em Uganda, que se chama Zika.

Como toda infecção viral, o acometimento pelo Zika virus leva a um mal-estar geral, dores pelo corpo, podendo haver também dor nas articulações e febre. Apresenta ainda manchas avermelhadas pelo corpo e vermelhidão ocular.

Sintomas

Os sintomas em geral duram cerca de sete dias e, em 80% dos casos, podem ser confundidos com os de uma gripe forte, doença também causada por vírus.

Outros países já apresentaram, no passado, epidemias de Zika vírus, sendo a mais recente na Polinésia Francesa.

No Brasil, o aumento da incidência vem sendo notado pelas autoridades desde o final do ano passado, mas somente agora, ao se notar um aumento na incidência de microcefalia associada a regiões com aumento da incidência do Zika virus, ganhou ampla divulgação na mídia.

Tire algumas dúvidas sobre a ação do zika vírus nas mulheres grávidas:

Microcefalia

A microcefalia é uma má formação do crânio, que por sua vez se desenvolve graças ao crescimento e desenvolvimento do cérebro no feto.

Existem outras causas já bem conhecidas de microcefalia, sendo as principais toxoplasmose, citomegalovirus, rubéola, desnutrição e abuso de substâncias tais como alcool e drogas ilícitas.

Gestantes

Em todas as causas, o período de maior risco para a gestante e para o bebê está compreendido entre a oitava e a décima-sexta semanas de vida intra-uterina, ou seja, entre o segundo e o quarto mês de gestação. Neste período, o cérebro está em franco desenvolvimento, com rápida multiplicação de suas células e aumento de tamanho. O aumento de tamanho cerebral, por sua vez, “empurra" os ossos do crânio (ainda não solidificados) de dentro para fora, fazendo com que a circunferência cefálica aumente de tamanho.

Qualquer fator externo como os acima citados (toxoplasmose, citomegalovírus, rubeola, alcool, drogas) pode interferir no desenvolvimento cerebral adequado, fazendo com que o encéfalo não aumente tanto de tamanho e, por consequência, não “empurre" os ossos do crânio em desenvolvimento como deveria, resultando na microcefalia.

O que as autoridades brasileiras corretamente identificaram foi um aumento significativo dos casos de microcefalia (que atualmente têm uma incidência cerca de dez vezes maior do que o habitual). Buscando um fator em comum entre estes casos, foi identificada a infecção por Zika em vários deles. A isto, em medicina, se dá o nome preliminar de associação.

O que isto quer dizer?

Quer dizer que os casos de microcefalia estão associados aos de Zika virus, acontecem em conjunto. Esta conclusão não afirma, necessariamente, que o Zika virus é a causa da microcefalia, pois é necessária uma ampla investigação para afastar outros fatores conhecidos que podem causar microcefalia.

Para melhor compreensão, vamos imaginar a seguinte situação: a rubéola é uma causa conhecida de microcefalia, já bem definida. E se, hipoteticamente, todos os pacientes que tenham sido diagnosticados com microcefalia possuirem o histórico de infecção por Zika e por Rubéola? Nesta hipótese, está claro que a presença da Rubéola justifica o aumento da microcefalia, apesar da associação ao Zika ser observada.

O mesmo raciocínio se repete para todos os outros fatores causadores de microcefalia. Desta forma, é necessária a ampla investigação para excluir outras causas que possam causar microcefalia, para somente aí afirmar, sem sombra de dúvidas, que a microcefalia é mesmo causada pelo Zika.

No momento o que existe é esta forte associação, indícios muito grandes de que realmente há uma relação de causa e efeito.

E é exatamente por esta associação e pela prevenção ser relativamente simples que as autoridades desencadearam amplo processo de combate ao transmissor do vírus, o Aedes aegypti.

Vitaminas e citronela

O combate ao transmissor envolve medidas de eliminação dos focos de reprodução do mosquito, tais como locais em que a água fique parada, e medidas para prevenção da picada do mosquito, tais como uso de repelentes, aumento na ingestão de vitaminas do complexo B e uso de soluções caseiras como Citronella (em óleo ou in natura) diluída e empregada na limpeza de ambientes.

Neste sentido, é de fundamental importância a conscientização e colaboração de todos, que além de preservarem sua própria saúde e de familiares, contribuirão para livrar a nação de mais este mal.

As autoridades já iniciaram ampla campanha de divulgação e estão empregando todos os recursos para que equipes visitem os locais mais propensos à proliferação do mosquito no intuito de vistoriar e aplicar remédios específicos nos possíveis focos.

Há que se destacar neste esforço o emprego do Exército Brasileiro, que disponibilizou 25 mil homens e mulheres para atuarem junto às autoridades, somando forças para eliminar o mosquito e reduzir a incidência dos casos na região nordeste.

Muito se tem falado e mensagens tem se espalhado por grupos de conversa, por vezes com dados alarmantes e desprovidos de fundamentação, o que só propicia pânico em geral.

Alguns mitos precisam ser desfeitos:

1. foi detectada presença do vírus em amostras de leite materno e no sêmen humano. O que não se encontrou até o momento, no entanto, foi nenhum paciente que tenha sido infectado por essa via. Desta forma, pode ser que apesar do vírus estar presente ele não tenha condições de promover doença. Essa via de contágio deve ser considerada como potencial, ainda não comprovada, ou seja, trata-se de uma possibilidade, e não de uma probabilidade;

2. não foi comprovado ainda que a infecção pelo Zika virus seja capaz de desencadear, por si só, manifestações neurológicas graves. Sabe se que houve um aumento na incidência da Síndrome de Guillain Barré (doença neurológica auto-imune, que pode provocar alterações como fraqueza, diminuição da sensibilidade e incoordenação motora, usualmente de caráter transitório) em pacientes que tiveram Zika virus. Há que se ressaltar, no entanto, que a associação entre Zika e Guillain Barré não é tão forte e evidente quanto entre Zika e microcefalia;

3. a microcefalia não se desenvolverá em crianças já nascidas se forem picadas pelo mosquito e desenvolverem a doença do Zika virus. A microcefalia é causada na fase de desenvolvimento fetal, então a criança já nascida não está sujeita a este risco;

4. não existe, até o momento, qualquer comprovação do aumento de incidência de doenças ou complicações neurológicas em crianças abaixo de 7 anos ou idosos devido à infecção por Zika;

5. a recente redução de parâmetro do perímetro cefálico considerado normal, de 33 para 32 centímetros, não tem por finalidade “reduzir o número de casos diagnosticados” como se tem espalhado. A definição do perímetro cefálico considerado normal se baseia no biotipo da população, em estatísticas populacionais de amplo espectro. A faixa de normalidade em crianças brasileiras pode ser diferente, por exemplo, da de crianças alemãs ou africanas, da mesma forma como a existência de olhos e cabelos claros são mais ou menos frequentes conforme o biotipo desta ou daquela população;

6. não existe, até o momento, recomendação da Organização Mundial de Saúde para que mulheres evitem engravidar, justamente por considerar as medidas de prevenção eficientes e eficazes (combate aos focos de mosquito, uso de repelentes na pele e nos ambientes, uso de roupas tais como calças e camisetas de manga comprida etc)

Como mensagem final, sintetizando tudo que foi dito acima, gostaria de enfatizar a necessidade de encarar o momento com naturalidade, sabendo que a solução não será a curto prazo (assim como a dengue, que convive em nosso meio há anos) mas, por outro lado, está ao alcance de todos: PREVENÇÃO.

Use repelentes, ingira uma quantidade maior de vitamina B, lave ou passe pano na casa com Citronella, elimine os focos de mosquito em sua casa. Colabore com os agentes públicos, permita que as equipes e o Exército Brasileiro entrem na sua residência para combater o mosquito. Lembre-se: estes homens e mulheres estão se expondo para diminuir o seu risco e de sua família. Não custa recebê-los com cortesia e carinho.

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